A banalidade do mal sugere uma impessoalidade dos atos praticados. O conceito se refere à forma pela qual até mesmo as pessoas mais comuns são capazes de cometer as maiores atrocidades. Como exemplo, tem-se o caso de Adolf Eichmann, discutido por Hannah Arendt, no qual vemos um dos protagonistas do holocausto justificando suas ações pela simples frase: ‘’eu estava seguindo ordens’’. Nesse sentido, é possível entender esse conceito como uma institucionalização dos atos considerados maléficos, uma vez que o mal torna-se produto da burocracia mecânica que camufla as outras camadas que compõem tais atos. O mal, desse modo, não tem raíz, é superficial. Nas palavras de Hannah Arednt, “o mal nunca é “radical”, é apenas extremo e não possui profundidade nem qualquer dimensão demoníaca. Pode crescer demais e devastar o mundo inteiro precisamente porque se espalha como um fungo na superfície. É “desafiador do pensamento” porque o pensamento tenta atingir alguma profundidade, ir às raízes, e no momento em que se preocupa com o mal, fica frustrado porque não há nada. Essa é a sua “banalidade” (Arendt 2007: 471). De acordo com essa concepção, o mal teria um caráter performativo, opondo-se, portanto, a uma visão essencialista de um mal intrínseco ao indivíduo.
Arendt Hannah (2007). The Jewish Writings. Edited by Jerome Kohn and Ron H. Feldman. New York: Schocken Books.
Confira o conceito em CONTXT(O) em Pedagogia pandêmica e a luta de classes: quem pode (re)pensar a educação?.
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