Iterabilidade

Iterabilidade

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Uma visão performativa de linguagem (isto é, uma perspectiva da linguagem como ação com efeitos) implica o uso repetido de repertórios linguísticos e de recursos semióticos, que sendo constantemente diferentes e complexos, variam de acordo com os contextos socioculturais dos falantes e de acordo com os repertórios disponíveis, por eles acessados. Em outras palavras, os processos constantes de (re)negociações semióticas envolvem o jogo da repetição e da diferença. Esse jogo performativo oferece a possibilidade de uma repetição que não seja consolidada ou imposta como “real”, pois possibilita que (novas) realidades sejam criadas e que as formas linguísticas que usamos para produzi-las sejam inteligíveis. A ação de resistência, neste caso, se situa na possibilidade de uma variação dessa repetição – e sua potência própria – a diferença (como o efeito que apresenta possibilidades de ação, contestação e transformação). Nessa repetição ritualística entre o “real” e o “factual” as relações de poder e resistência escancaram o fantasístico do “original”, indicando como as parábolas do autêntico e do real são elas próprias constituídas como efeitos, sobretudo de fazer desestabilizar narrativas hegemônicas.  Narrativas estas, que nada mais são do que processos regulados de repetição que se pretendem permanentes e imutáveis/verdadeiros, apesar de que toda repetição traz diferença em um contexto novo. Podemos, muitas vezes, observar e reconhecer um rastro histórico dos usos de um signo, como uma frase ou slogan, por exemplo, veiculando ideologias perversas e com efeitos cruéis se passando por “neutras” ou “naturais”. Consequentemente, vê-se uma forma de ignorar (ou tentar apagar o conhecimento construído de) que usos da linguagem implicam relações de poder assimétricas, cujos processos de significação envolvem sentidos indeterminados e que a diferença oferece a inversão das posições de enunciação hegemônicas. A paródia ilustra bem esses processos, pois traz a diferença e repetição na desestabilização da significação com uma crítica humorada e o efeito performativo de desnaturalizar ou dessacralizar um enunciado.

Confira o conceito em CONTXT(O) em Brasil acima de nada, deus nem existe.

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