“Queerbaiting” é um termo produzido pelo ativismo LGBTQIA+ e que já carregou diferentes significados. Antes usado para descrever “diferentes tipos de práticas homofóbicas” (Nordin, 2015, p. 4), atualmente a expressão está ligada à representação da comunidade queer em obras de ficção como filmes, séries de TV e livros. O queerbaiting serve como uma isca para levar a comunidade LGBTQIA+ a consumir essas obras, utilizando-se de sugestões sobre o comportamento de seus personagens, os quais se diferenciam de estereótipos baseados no padrão heteronormativo. Pensemos, por exemplo, em dois personagens homens cisgênero cujas interações sugerem que eles podem se relacionar afetivamente ou sexualmente a qualquer momento, seja com troca de olhares, proximidade física ou diálogos sugestivos. Essas pistas interpretativas levariam fãs a crerem nisso, porém, essa relação nunca é efetivamente dada ao público, ficando apenas no campo da sugestão. Desse modo, a obra “brinca com uma área cinzenta entre o que é visível e invisível” (Nordin, 2015, p. 1) sem que, de fato, a representação de modos de vida não cis-heteronormativos ocorra, resultando, então, no queerbaiting. É importante destacar que tal fenômeno se dá em obras de ficção e que uma tentativa de aplicação dessa noção à vida real pode se tornar bastante problemática, uma vez que pessoas reais não são personagens de ficção, assim não podemos ter total conhecimento sobre os mais complexos aspectos de suas vidas, muito menos forçá-las a qualquer tipo de exposição não desejada.
NORDIN, Emma (2015). From Queer Reading to Queerbaiting: The battle over the polysemic text and the power of hermeneutics. Stockholm University. Disponível em: http://www.diva-portal.org/smash/get/diva2:839802/FULLTEXT01.pdf
Confira o conceito em CONTXT(O) em: “Acusações de queerbaiting e a invalidação da bissexualidade masculina“.
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