O conceito de indexicalidade se refere à capacidade de um signo (sotaque, gesto, pronome, imagem, expressão etc.) de apontar para outros signos, de forma implícita. Isso quer dizer que os recursos que utilizamos, linguísticos e não-linguísticos, em nossas trocas cotidianas, comunicam mais do que aquilo que é dito, escrito ou mostrado. Os signos em uso e a sua interpretação nos engajam tanto no encontro em tempo real quanto em uma conversa com outros signos, textos e ideias em circulação. Por exemplo, “eu”, “você”, “agora”, “aqui”, “esse livro” ou a bandeira do Brasil são recursos que só ganham sentido por indiciar ou indexicalizar pessoas, momentos, lugares e objetos quando associados a uma história de uso em determinadas situações. Desse modo, o emprego de um signo tanto pressupõe quanto constrói contextos interacionais. Se olharmos apenas para o signo isolado, sem levar em consideração sua situcionalidade e extra-situcionalidade, perdemos grande parte da cadeia de sentidos a qual se conecta. O aqui-e-agora da interação sempre dialoga com ideologias em movimento. É nessa direção que o construto “indexicalidade” indica discursos que gravitam em torno de um enunciado específico. O significado, portanto se dá na relação do signo com outros signos, textos e discursos que lhe antecedem, que emergem na interação e que os sucedem em eventos interacionais subsequentes.
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