Teresa Caldeira, no livro “Cidade de Muros” propõe o conceito de fala do crime para dar conta de “todos os tipos de conversas, comentários, narrativas, piadas, debates e brincadeiras que têm o crime e o medo como tema” (CALDEIRA, 2000, p. 27). Segundo a autora, a fala do crime articula experiências com o crime e a violência, bem como o medo e o trauma que causam, reorganizando o mundo simbólico, isto é, quem são os criminosos, quem são as vítimas, como o crime acontece, o que precisa ser feito, como se proteger etc. Diz a autora: “Ao contrário da experiência do crime, que rompe o significado e desorganiza o mundo, a fala do crime simbolicamente o reorganiza” (CALDEIRA, 2000, p. 28). Além de “reorganizar simbolicamente o mundo”, como mencionado acima, a fala do crime produz interpretações e explicações, organiza a paisagem urbana e o espaço público, molda o cenário para interações sociais. Em sua pesquisa, a autora entrevista pessoas na cidade de São Paulo que, após experiências de violência (como assaltos, por exemplo), decidem aumentar medidas de segurança, principalmente erguendo muros cada vez mais altos em suas casas, ou até mesmo se mudar para outras regiões da cidade.
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Fala do crime
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