O termo branquitude, de acordo com Maria Aparecida Silva Bento, abrange tanto os traços da identidade social de pessoas classificadas como brancas, como as hierarquias que essa categoria identitária projeta e suas implicações socioeconômicas, culturais e políticas. O termo faz alusão ao pacto narcísico e tácito que garante privilégios das mais diversas ordens àqueles/as que são enquadrados em tal identidade social e nos recorda que todas as outras raças são construídas em oposição à branca. Sobre as pessoas lidas como brancas não recaem os marcadores sociais da diferença precisamente porque são tomados como parâmetro. O ‘desmarcamento’ e o silêncio que cercam a branquitude contribuem para a manutenção de privilégios, ao mesmo tempo que faz com que eles passem despercebidos. Como afirma James Baldwin, “o branco” é a metáfora do poder. Não bastaria, portanto, reconhecer as desigualdades raciais, nem sinalizar o quão racistas certas práticas podem ser. Há de se olhar para o racismo estrutural e estruturante que está embrenhado na sociedade brasileira sem perder de vista os privilégios da branquitude. Essas são duas faces da mesma moeda.
Confira o conceito em CONTXT(O): Mãe Bá e os privilégios da branquitude.
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