{"id":418,"date":"2021-11-02T13:17:00","date_gmt":"2021-11-02T16:17:00","guid":{"rendered":"https:\/\/poslaplicada.letras.ufrj.br\/contxt\/novo\/?p=418"},"modified":"2023-01-25T11:55:08","modified_gmt":"2023-01-25T14:55:08","slug":"chaves-e-melhor-do-que-friends","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/poslaplicada.letras.ufrj.br\/contxt\/chaves-e-melhor-do-que-friends\/","title":{"rendered":"Chaves \u00e9 melhor do que Friends"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-8f761849 wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-column is-vertically-aligned-center is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/poslaplicada.letras.ufrj.br\/contxt\/novo\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/image2-4.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-420\" width=\"256\" height=\"159\" srcset=\"https:\/\/poslaplicada.letras.ufrj.br\/contxt\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/image2-4.jpg 645w, https:\/\/poslaplicada.letras.ufrj.br\/contxt\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/image2-4-300x187.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 256px) 100vw, 256px\"\/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column is-vertically-aligned-center is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/poslaplicada.letras.ufrj.br\/contxt\/novo\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/image1-7.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-419\" width=\"112\" height=\"74\"\/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column is-vertically-aligned-center is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"633\" height=\"474\" src=\"https:\/\/poslaplicada.letras.ufrj.br\/contxt\/novo\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/image3-4.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-421\" srcset=\"https:\/\/poslaplicada.letras.ufrj.br\/contxt\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/image3-4.jpg 633w, https:\/\/poslaplicada.letras.ufrj.br\/contxt\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/image3-4-300x225.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 633px) 100vw, 633px\"\/><\/figure>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"905\" src=\"https:\/\/poslaplicada.letras.ufrj.br\/contxt\/novo\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/N7Taja-1024x905.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-422\" srcset=\"https:\/\/poslaplicada.letras.ufrj.br\/contxt\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/N7Taja-1024x905.jpg 1024w, https:\/\/poslaplicada.letras.ufrj.br\/contxt\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/N7Taja-300x265.jpg 300w, https:\/\/poslaplicada.letras.ufrj.br\/contxt\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/N7Taja-768x679.jpg 768w, https:\/\/poslaplicada.letras.ufrj.br\/contxt\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/N7Taja.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A picha&#xE7;&#xE3;o possui registros hist&#xF3;ricos. Ela aparece nas paredes de Pompeia, cidade destru&#xED;da pela erup&#xE7;&#xE3;o do vulc&#xE3;o Ves&#xFA;vio no ano 79. Com a populariza&#xE7;&#xE3;o do aerossol, ap&#xF3;s a Segunda Guerra Mundial, a picha&#xE7;&#xE3;o ganha agilidade com a utiliza&#xE7;&#xE3;o do spray, amplamente manuseado na revolta estudantil de 1968 em Paris. No Brasil, o primeiro registro de picha&#xE7;&#xE3;o como arte foi o emblem&#xE1;tico &#x201C;Abaixo a Ditadura&#x201D;. Era o come&#xE7;o da street art brasileira. Assim, a picha&#xE7;&#xE3;o pol&#xED;tica nasceu no meio universit&#xE1;rio nacional, por meio de inscri&#xE7;&#xF5;es simples, uma vez que demandavam velocidade para escapar da repress&#xE3;o policial. Com o passar do tempo, as inscri&#xE7;&#xF5;es foram difundidas no meio urbano, fazendo surgir picha&#xE7;&#xF5;es n&#xE3;o s&#xF3; em muros, mas em constru&#xE7;&#xF5;es p&#xFA;blicas, viadutos e monumentos. Nenhuma das picha&#xE7;&#xF5;es vinha ou vem assinada, sendo sua caracter&#xED;stica proeminente apenas a ideia de contrariedade ao regime.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dessa forma, ilegal e subversiva, a picha&#xE7;&#xE3;o pode apresentar textos como um modo de dar vaz&#xE3;o, muitas vezes, ao descontentamento e &#xE0; falta de expectativas. Adoto aqui uma compreens&#xE3;o de &#x201C;texto&#x201D; como conjunto de signos que formam um objeto em movimento, caracterizado por ser radicalmente dial&#xF3;gico. Textos &#x201C;conversam&#x201D; com os sentidos emergentes no aqui-e-agora e com discursos constru&#xED;dos na hist&#xF3;ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sob essa perspectiva, observemos uma picha&#xE7;&#xE3;o fotografada no ano de 2019,&#xA0;seguida de uma conversa em grupo do aplicativo WhatsApp no ano de 2021. Trata-se de uma inscri&#xE7;&#xE3;o em uma das paredes da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, especificamente na entrada do pr&#xE9;dio do Instituto de Ci&#xEA;ncias Humanas e Sociais do campus Serop&#xE9;dica\/RJ. J&#xE1; a conversa em WhatsApp acontece entre um grupo de colegas estudantes de p&#xF3;s-gradua&#xE7;&#xE3;o do mesmo instituto, a quem atribu&#xED;mos nomes fict&#xED;cios. A fotografia da picha&#xE7;&#xE3;o foi enviada para o grupo de colegas no WhatsApp com a legenda &#x201C;concordam ou discordam?&#x201D;, originando a seguinte conversa:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Ana: Concordam ou discordam? : Nunca vi Friends (me julguem&#x2026;), nunca gostei de<\/em>&#xA0;Chaves (me julguem de novo kkkkk)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Maria: Friends &#xE9; incompar&#xE1;vel ?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Jo&#xE3;o: Amo os dois!<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Sara: (em resposta &#xE0; Ana) eu tbm ? ? ?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Carla: Eu tamb&#xE9;m amo os dois! ?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Cl&#xE1;udia: Achava melhor que n&#xE3;o tivessem pixado. ? : (em resposta &#xE0; Ana): eu tamb&#xE9;m&#xA0;n&#xE3;o vi Friends, mas minha inf&#xE2;ncia foi recheada de Chaves kkkkk : E se eu vir hj, rio&#xA0;tbm<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Laura (em resposta &#xE0; Claudia): Manifesta&#xE7;&#xE3;o discursiva! : E ser&#xE1; que est&#xE1; falando&#xA0;apenas sobre s&#xE9;ries de TV? Me parece mais uma cr&#xED;tica cultural. Primorosa, por sinal!<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Carla: (em resposta &#xE0; Laura) Concordo! : E Chaves &#xE9; melhor ? ?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Cl&#xE1;udia: (em resposta &#xE0; Laura) Manifesta&#xE7;&#xE3;o discursiva n&#xE3;o precisa de depreciar o&#xA0;patrim&#xF4;nio p&#xFA;blico. Enfim, ensino ao meu filho a se manifestar sempre&#x2026; existem muitas&#xA0;maneiras para isso! Mas respeito a sua opini&#xE3;o.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Carla: (em resposta &#xE0; Cl&#xE1;udia) n&#xE3;o concordo que seja deprecia&#xE7;&#xE3;o. : Acho que foi uma&#xA0;manifesta&#xE7;&#xE3;o art&#xED;stica, sou super a favor. At&#xE9; porque o muro ficou um charme! : As vozes da rua n&#xE3;o podem se calar : ainda mais nestes tempos.<\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#xA0;A picha&#xE7;&#xE3;o &#xE9; formada por uma compara&#xE7;&#xE3;o de superioridade entre duas s&#xE9;ries televisivas: Chaves e Friends. Chaves, produ&#xE7;&#xE3;o mexicana criada, dirigida e estrelada por Roberto G&#xF3;mez Bola&#xF1;os, no per&#xED;odo de 1973 a 1980, &#xE9; um fen&#xF4;meno de alcance continental desde sua estreia, tendo sido distribu&#xED;da para v&#xE1;rios pa&#xED;ses, e encontra no Brasil seu maior p&#xFA;blico, com exibi&#xE7;&#xE3;o em TV aberta de 1984 a 2020. Friends, uma sitcom norte-americana cujo enredo gira em torno de um grupo de amigos que vive na cidade de Nova York. Criada por David Crane e Marta Kauffman, a s&#xE9;rie foi transmitida de 1994 a 2004 em dezenas de pa&#xED;ses, tendo sua estreia no Brasil em 1996, em canal de televis&#xE3;o por assinatura.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;Ao concebermos que textos conectam o que se passa localmente a outros momentos sociohist&oacute;ricos, podemos pensar na &ldquo;viagem&rdquo; dos signos &ldquo;Chaves&rdquo; e &ldquo;Friends&rdquo;, e dos textos a eles entrela&ccedil;ados, dos contextos televisivos mexicano e americano para a picha&ccedil;&atilde;o no espa&ccedil;o f&iacute;sico de uma universidade. Esse tr&acirc;nsito textual e sua rela&ccedil;&atilde;o com uma pr&aacute;tica considerada ilegal, opera como resposta a uma oposi&ccedil;&atilde;o previamente presente no universo cultural dos estudantes (as duas renomadas s&eacute;ries televisivas). A afirmativa pichada, que coloca Chaves em situa&ccedil;&atilde;o de superioridade a Friends, revela a disputa pelo diz&iacute;vel (Kiffer &amp; Giorgi, 2019) naquele lugar. O que se diz implica um duplo apontar: para uma <a class=\"glossaryLink\"  aria-describedby=\"tt\"  data-cmtooltip=\"&lt;div class=glossaryItemTitle&gt;Refer&ecirc;ncia&lt;\/div&gt;&lt;div class=glossaryItemBody&gt;&amp;lt;!-- wp:paragraph --&amp;gt;Refer&ecirc;ncia &eacute; o mecanismo atrav&eacute;s do qual sujeitos indicam, no e pelo uso da linguagem, sinalizam, se referem a elementos do mundo social em suas narrativas.&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:paragraph --&amp;gt;&amp;lt;!-- wp:paragraph --&amp;gt;Confira o conceito em CONTXT(O) em &amp;lt;a href=&amp;quot;https:\/\/poslaplicada.letras.ufrj.br\/contxt\/novo\/a-retorica-do-arrependimento\/&amp;quot;&amp;gt;A ret&oacute;rica do arrependimento&amp;lt;\/a&amp;gt;.&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:paragraph --&amp;gt;&lt;\/div&gt;\"  href=\"https:\/\/poslaplicada.letras.ufrj.br\/contxt\/glossary\/referencia\/\"  data-gt-translate-attributes='[{\"attribute\":\"data-cmtooltip\", \"format\":\"html\"}]'  tabindex='0' role='link'>refer&ecirc;ncia<\/a> cultural &ndash; um programa de TV &ndash; e um contexto sociocultural mais amplo, atravessado por ileologias e mem&oacute;rias. Ent&atilde;o, podemos perguntar: para que tempos e espa&ccedil;os a picha&ccedil;&atilde;o aponta?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#xA0;A s&#xE9;rie Chaves dramatiza situa&#xE7;&#xF5;es comuns das pessoas da periferia do M&#xE9;xico. Apresenta um cotidiano, at&#xE9; ent&#xE3;o, pouco explorado em ambiente televisivo, mesmo em pa&#xED;ses em que a maioria dos telespectadores est&#xE3;o localizados nas classes sociais mais empobrecidas. Ela retrata um cotidiano poss&#xED;vel que rompe com a forma homogeneizadora como s&#xE3;o apresentadas as classes sociais. Por um lado, o contraste entre classes &#xE9; evidenciado de forma ampliada nos figurinos, no cen&#xE1;rio e nos embates entre os mais favorecidos e os desfavorecidos economicamente. Por outro lado, essas diferen&#xE7;as s&#xE3;o dilu&#xED;das pela ast&#xFA;cia de seus personagens. Dessa forma, mostra-se a sintonia da produ&#xE7;&#xE3;o com o seu tempo hist&#xF3;rico, apresentando os problemas de crescimento demogr&#xE1;fico e da urbaniza&#xE7;&#xE3;o r&#xE1;pida, que produziram a exclus&#xE3;o, a pobreza e o desemprego, a submoradia nas favelas e periferias. Isso nos sugere que a s&#xE9;rie fornece subs&#xED;dios importantes para a an&#xE1;lise da realidade de seu tempo e lugar, tanto do ponto de vista social e econ&#xF4;mico quanto do pol&#xED;tico, j&#xE1; que o humor de conte&#xFA;do social &#xE9;, por si s&#xF3;, profundamente politizado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Considerando isso, a picha&#xE7;&#xE3;o apresenta uma resposta, em forma de exalta&#xE7;&#xE3;o de uma produ&#xE7;&#xE3;o art&#xED;stica, que n&#xE3;o s&#xF3; evidencia conflitos de classe, como tamb&#xE9;m denuncia uma configura&#xE7;&#xE3;o social de valoriza&#xE7;&#xE3;o ao universo cultural norte-americano, exibido em Friends, revelando diverg&#xEA;ncias de olhares relacionados a uma suposta supremacia. Evidenciam-se, assim, rela&#xE7;&#xF5;es e compara&#xE7;&#xF5;es que operam a partir da diferencia&#xE7;&#xE3;o de textos e contextos. A picha&#xE7;&#xE3;o mostra como vozes silenciadas e diminu&#xED;das em determinados contextos aprendem formas de esperan&#xE7;ar, agindo e reivindicando um lugar de fala. Assim, a picha&#xE7;&#xE3;o aponta para discursos relacionados &#xE0; domina&#xE7;&#xE3;o hist&#xF3;rica e cultural exercida pelo colonialismo\/capitalismo.&#xA0;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa movimenta&#xE7;&#xE3;o textual &#xE9; din&#xE2;mica, percorrendo diferentes espa&#xE7;os-tempos. A trajet&#xF3;ria desses textos se realiza tamb&#xE9;m nas m&#xED;dias sociais, como &#xE9; o caso da conversa no Whatsapp reconstru&#xED;da acima. A an&#xE1;lise da fala da participante Cl&#xE1;udia, ao dizer que &#x201C;manifesta&#xE7;&#xE3;o discursiva n&#xE3;o precisa de depreciar o patrim&#xF4;nio p&#xFA;blico. Enfim, ensino ao meu filho a se manifestar sempre&#x2026; existem muitas maneiras para isso! Mas respeito a sua opini&#xE3;o&#x201D;, mostra como sistemas de valora&#xE7;&#xE3;o ideol&#xF3;gica informam modos de perspectivar a experi&#xEA;ncia, construindo classifica&#xE7;&#xF5;es e qualifica&#xE7;&#xF5;es. Quando Cl&#xE1;udia diz &#x201C;ensino ao meu filho a se manifestar sempre&#x2026; existem muitas maneiras para isso!&#x201D;, evidencia que acredita na exist&#xEA;ncia de formas v&#xE1;lidas para a manifesta&#xE7;&#xE3;o de uma opini&#xE3;o, enquanto outras, como a picha&#xE7;&#xE3;o, constituem-se t&#xE3;o somente de uma deprecia&#xE7;&#xE3;o de patrim&#xF4;nio p&#xFA;blico. Assim, demostra que quaisquer sentidos no texto da picha&#xE7;&#xE3;o passam antes pelo seu crit&#xE9;rio de desvalida&#xE7;&#xE3;o, em um processo de constru&#xE7;&#xE3;o de significados que envolve formas de dimensionar o seu entorno e revela uma pr&#xE1;tica de mem&#xF3;ria insepar&#xE1;vel da pr&#xE1;tica identit&#xE1;ria que &#xE9; destacada em &#x201C;ensino ao meu filho&#x201D;. Aqui, emerge a identidade de uma m&#xE3;e informada por ideias do que seria uma &#x201C;boa m&#xE3;e&#x201D;.&#xA0;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A afirmativa de que ela ensina ao filho formas de manifesta&#xE7;&#xE3;o que n&#xE3;o encontram validade em picha&#xE7;&#xF5;es est&#xE1; imbricada em significados produzidos em n&#xED;vel macrossocial, vinculados a ideais de ordem, pureza e boa educa&#xE7;&#xE3;o.&#xA0; Sendo assim, h&#xE1; fric&#xE7;&#xE3;o dos n&#xED;veis micro e macro, que estabelecem o processo de constru&#xE7;&#xE3;o do significado, ou seja, vemos como processos de padroniza&#xE7;&#xE3;o e normatividade s&#xE3;o reanimados em intera&#xE7;&#xF5;es locais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O apego a certas ideologias impede Cl&#xE1;udia de perceber a possibilidade de significados mais amplos acerca da picha&#xE7;&#xE3;o, como fez Laura com o questionamento &#x201C;ser&#xE1; que est&#xE1; falando apenas sobre s&#xE9;ries de TV? Me parece mais uma cr&#xED;tica cultural&#x2026;&#x201D;. Por sua vez, Carla refuta ainda o conceito de &#x201C;deprecia&#xE7;&#xE3;o&#x201D; quando diz: &#x201C;n&#xE3;o concordo que seja deprecia&#xE7;&#xE3;o. : Acho que foi uma manifesta&#xE7;&#xE3;o art&#xED;stica, sou super a favor. At&#xE9; porque o muro ficou um charme!&#x201D;. A interpreta&#xE7;&#xE3;o de Carla projeta uma postura cr&#xED;tica em rela&#xE7;&#xE3;o &#xE0; caracteriza&#xE7;&#xE3;o da picha&#xE7;&#xE3;o como deprecia&#xE7;&#xE3;o o que mostra como os signos podem mobilizar diferentes significados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Adiante, em sua fala, Carla faz a afirma&#xE7;&#xE3;o que encerra o assunto e silencia os&#xA0;demais participantes da conversa: &#x201C;As vozes da rua n&#xE3;o podem se calar: ainda mais nestes tempos&#x201D;. Nesse momento, observamos a proje&#xE7;&#xE3;o de um grupo social definido como &#x201C;as vozes da rua&#x201D; que&#xA0;<a href=\"https:\/\/poslaplicada.letras.ufrj.br\/contxt\/glossario\/?g=indexicalidade\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">indexicaliza<\/a>&nbsp;uma posi&ccedil;&atilde;o na sociedade e projeta uma pr&aacute;tica de <a class=\"glossaryLink\"  aria-describedby=\"tt\"  data-cmtooltip=\"&lt;div class=glossaryItemTitle&gt;Esperan&ccedil;a&lt;\/div&gt;&lt;div class=glossaryItemBody&gt;Para Paulo Freire, a esperan&ccedil;a &eacute; uma necessidade ontol&oacute;gica, ancorada na pr&aacute;tica. Segundo o autor, &eacute; preciso ter esperan&ccedil;a, mas ter esperan&ccedil;a do verbo esperan&ccedil;ar; porque tem gente que tem esperan&ccedil;a do verbo esperar. E esperan&ccedil;a do verbo esperar n&atilde;o &eacute; esperan&ccedil;a, &eacute; espera. Esperan&ccedil;ar &eacute; se levantar, esperan&ccedil;ar &eacute; ir atr&aacute;s, esperan&ccedil;ar &eacute; construir, esperan&ccedil;ar &eacute; n&atilde;o desistir! Esperan&ccedil;ar &eacute; levar adiante, esperan&ccedil;ar &eacute; juntar-se com outros para fazer de outro modo.Confira o conceito em CONTXT(O): &amp;lt;a href=&amp;quot;https:\/\/poslaplicada.letras.ufrj.br\/contxt\/novo\/conversa-entre-amigos-sobre-morte-esperanca-e-um-outro-lugar\/&amp;quot;&amp;gt;Conversa entre amigos sobre morte, esperan&ccedil;a e um outro-lugar&amp;lt;\/a&amp;gt;.&amp;lt;br\/&amp;gt;&lt;\/div&gt;\"  href=\"https:\/\/poslaplicada.letras.ufrj.br\/contxt\/glossary\/esperanca\/\"  data-gt-translate-attributes='[{\"attribute\":\"data-cmtooltip\", \"format\":\"html\"}]'  tabindex='0' role='link'>esperan&ccedil;a<\/a> ao n&atilde;o se calar. Em &ldquo;as vozes da rua&rdquo;, a locu&ccedil;&atilde;o adjetiva caracteriza e define um embate social apontando para a exist&ecirc;ncia de outras vozes que n&atilde;o s&atilde;o da rua, na qual os da rua se posicionam frente &agrave;s desigualdades impostas. Al&eacute;m disso, o encerramento da fala de Carla &ldquo;ainda mais nestes tempos&rdquo; apresenta uma constru&ccedil;&atilde;o que reconhece as camadas de historicidade que a sustenta, e indexicaliza o momento hist&oacute;rico do governo pol&iacute;tico conservador vigente no Brasil, sugerindo, ent&atilde;o, atitude de resist&ecirc;ncia em uma pr&aacute;tica de <a class=\"glossaryLink\"  aria-describedby=\"tt\"  data-cmtooltip=\"&lt;div class=glossaryItemTitle&gt;Esperan&ccedil;a&lt;\/div&gt;&lt;div class=glossaryItemBody&gt;Para Paulo Freire, a esperan&ccedil;a &eacute; uma necessidade ontol&oacute;gica, ancorada na pr&aacute;tica. Segundo o autor, &eacute; preciso ter esperan&ccedil;a, mas ter esperan&ccedil;a do verbo esperan&ccedil;ar; porque tem gente que tem esperan&ccedil;a do verbo esperar. E esperan&ccedil;a do verbo esperar n&atilde;o &eacute; esperan&ccedil;a, &eacute; espera. Esperan&ccedil;ar &eacute; se levantar, esperan&ccedil;ar &eacute; ir atr&aacute;s, esperan&ccedil;ar &eacute; construir, esperan&ccedil;ar &eacute; n&atilde;o desistir! Esperan&ccedil;ar &eacute; levar adiante, esperan&ccedil;ar &eacute; juntar-se com outros para fazer de outro modo.Confira o conceito em CONTXT(O): &amp;lt;a href=&amp;quot;https:\/\/poslaplicada.letras.ufrj.br\/contxt\/novo\/conversa-entre-amigos-sobre-morte-esperanca-e-um-outro-lugar\/&amp;quot;&amp;gt;Conversa entre amigos sobre morte, esperan&ccedil;a e um outro-lugar&amp;lt;\/a&amp;gt;.&amp;lt;br\/&amp;gt;&lt;\/div&gt;\"  href=\"https:\/\/poslaplicada.letras.ufrj.br\/contxt\/glossary\/esperanca\/\"  data-gt-translate-attributes='[{\"attribute\":\"data-cmtooltip\", \"format\":\"html\"}]'  tabindex='0' role='link'>esperan&ccedil;a<\/a> para o futuro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dessa forma, observamos como o <a class=\"glossaryLink\"  aria-describedby=\"tt\"  data-cmtooltip=\"&lt;div class=glossaryItemTitle&gt;Discurso&lt;\/div&gt;&lt;div class=glossaryItemBody&gt;&amp;lt;!-- wp:paragraph --&amp;gt;O conceito de discurso &eacute; empregado diferentemente, em variadas tradi&ccedil;&otilde;es, a depender da filia&ccedil;&atilde;o a &aacute;reas de estudo e correntes de pensamento. Este verbete reconstr&oacute;i duas conhecidas no&ccedil;&otilde;es de discurso, segundo Michel Foucault, no campo hist&oacute;rico-filos&oacute;fico, e James Paul Gee, nos Estudos da Linguagem.&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:paragraph --&amp;gt;&amp;lt;!-- wp:paragraph --&amp;gt;A no&ccedil;&atilde;o de discurso em Michel Foucault ocupa um lugar central em sua filosofia e est&aacute; diretamente ligada &agrave;s suas an&aacute;lises sobre saber e poder. Em vez de entender o discurso apenas como texto oral ou escrito, Foucault o concebe como um conjunto de pr&aacute;ticas que produzem os objetos de que falam &ndash; coisas, ideias, pessoas, eventos. Ou seja, o discurso n&atilde;o apenas descreve o chamado real: ele o constitui. O discurso &eacute;, assim, uma pr&aacute;tica produtiva que estrutura o campo das possibilidades de exist&ecirc;ncia, organizando e regulando o que pode ser dito, percebido, vivenciado, pensado e tomado como verdade em determinadas conjunturas hist&oacute;ricas. Desse modo, o discurso diz respeito a redes complexas de conhecimento que envolvem saberes e subjetividades atravessados por regimes de poder. Entretanto, o equil&iacute;brio entre esses eixos de for&ccedil;a &eacute; sempre inst&aacute;vel, pois, para Foucault, onde h&aacute; poder, h&aacute; resist&ecirc;ncia. Portanto, apesar da inseparabilidade entre discurso, sujeito, saber e poder, vazamentos, transgress&otilde;es e transforma&ccedil;&otilde;es podem sempre ocorrer.&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:paragraph --&amp;gt;&amp;lt;!-- wp:paragraph --&amp;gt;J&aacute; o linguista James Paul Gee diferencia discurso e Discurso, grafados com &amp;quot;d&rdquo; min&uacute;sculo e &amp;quot;D&rdquo; mai&uacute;sculo, respectivamente. O primeiro diz respeito &agrave; atividade discursiva, na qual empregamos signos lingu&iacute;sticos e n&atilde;o lingu&iacute;sticos em nossas intera&ccedil;&otilde;es di&aacute;rias. Trata-se de uma perspectiva sociolingu&iacute;stica e pragm&aacute;tica que focaliza a linguagem em uso nos diferentes contextos da vida social e os sentidos ali produzidos. As pr&aacute;ticas linguageiras, por&eacute;m, n&atilde;o ocorrem isoladamente. Elas resultam de m&uacute;ltiplas combina&ccedil;&otilde;es integradas de modos de comunicar, interagir, pensar, perceber, crer, valorar e sentir, que constituem um tipo espec&iacute;fico de identidade socialmente reconhec&iacute;vel. Gee nomeia esse fen&ocirc;meno &amp;quot;Discursos&rdquo; (com &amp;quot;D&rdquo; mai&uacute;sculo), isto &eacute;, sistemas de ideias e modos de pensamento que orientam a forma como performamos e utilizamos signos, palavras, imagens e outros recursos &mdash; o discurso (com &amp;quot;d&rdquo; min&uacute;sculo). Discurso e discurso s&atilde;o, por conseguinte, indissoci&aacute;veis, o que permite abordar o d\/Discurso como pr&aacute;tica social que define e orienta paradigmas socioculturais.&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:paragraph --&amp;gt;&amp;lt;!-- wp:paragraph --&amp;gt;Pode-se articular, ent&atilde;o, um ponto em comum entre James Paul Gee e Michel Foucault: o discurso n&atilde;o &eacute; apenas linguagem, mas configura-se como pr&aacute;tica social produtora de identidades, posi&ccedil;&otilde;es de sujeito e rela&ccedil;&otilde;es de poder.&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:paragraph --&amp;gt;&amp;lt;!-- wp:paragraph --&amp;gt;&amp;lt;strong&amp;gt;Para saber mais ...&amp;lt;\/strong&amp;gt;&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:paragraph --&amp;gt;&amp;lt;!-- wp:paragraph --&amp;gt;Foucault, Michel. &amp;lt;em&amp;gt;A ordem do discurso: Aula inaugural no Coll&egrave;ge de France, pronunciada em 2 de dezembro de 1970.&amp;lt;\/em&amp;gt; S&atilde;o Paulo: Edi&ccedil;&otilde;es Loyola, 1996. Tradu&ccedil;&atilde;o de Laura Fraga de Almeida Sampaio.&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:paragraph --&amp;gt;&amp;lt;!-- wp:paragraph --&amp;gt;Foucault, Michel. As forma&ccedil;&otilde;es discursivas. &amp;lt;em&amp;gt;A arqueologia do saber&amp;lt;\/em&amp;gt;. 7. ed. Rio de Janeiro: Forense Universit&aacute;ria, 2008.Gee, James Paul&amp;lt;strong&amp;gt;.&amp;lt;\/strong&amp;gt;&amp;lt;em&amp;gt;An Introduction to Discourse Analysis: Theory and Method.&amp;lt;\/em&amp;gt; 4&ordf; ed. London; New York: Routledge, 2014.&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:paragraph --&amp;gt;&amp;lt;!-- wp:paragraph --&amp;gt;Confira o conceito em CONTXT(O): &amp;lt;a href=&amp;quot;https:\/\/poslaplicada.letras.ufrj.br\/contxt\/o-terrorismo-no-discurso\/&amp;quot;&amp;gt;O terrorismo no discurso&amp;lt;\/a&amp;gt;.&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:paragraph --&amp;gt;&lt;\/div&gt;\"  href=\"https:\/\/poslaplicada.letras.ufrj.br\/contxt\/glossary\/discurso\/\"  data-gt-translate-attributes='[{\"attribute\":\"data-cmtooltip\", \"format\":\"html\"}]'  tabindex='0' role='link'>discurso<\/a> &eacute; atravessado pela hist&oacute;ria e, assim, um amplo repert&oacute;rio cultural vai sendo constru&iacute;do e transportado para outras atividades, influenciando a&ccedil;&otilde;es. Assim como o n&atilde;o se calar perante hierarquiza&ccedil;&otilde;es e movimentos hegem&ocirc;nicos de silenciamento &eacute; significado dentro do <a class=\"glossaryLink\"  aria-describedby=\"tt\"  data-cmtooltip=\"&lt;div class=glossaryItemTitle&gt;Discurso&lt;\/div&gt;&lt;div class=glossaryItemBody&gt;&amp;lt;!-- wp:paragraph --&amp;gt;O conceito de discurso &eacute; empregado diferentemente, em variadas tradi&ccedil;&otilde;es, a depender da filia&ccedil;&atilde;o a &aacute;reas de estudo e correntes de pensamento. Este verbete reconstr&oacute;i duas conhecidas no&ccedil;&otilde;es de discurso, segundo Michel Foucault, no campo hist&oacute;rico-filos&oacute;fico, e James Paul Gee, nos Estudos da Linguagem.&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:paragraph --&amp;gt;&amp;lt;!-- wp:paragraph --&amp;gt;A no&ccedil;&atilde;o de discurso em Michel Foucault ocupa um lugar central em sua filosofia e est&aacute; diretamente ligada &agrave;s suas an&aacute;lises sobre saber e poder. Em vez de entender o discurso apenas como texto oral ou escrito, Foucault o concebe como um conjunto de pr&aacute;ticas que produzem os objetos de que falam &ndash; coisas, ideias, pessoas, eventos. Ou seja, o discurso n&atilde;o apenas descreve o chamado real: ele o constitui. O discurso &eacute;, assim, uma pr&aacute;tica produtiva que estrutura o campo das possibilidades de exist&ecirc;ncia, organizando e regulando o que pode ser dito, percebido, vivenciado, pensado e tomado como verdade em determinadas conjunturas hist&oacute;ricas. Desse modo, o discurso diz respeito a redes complexas de conhecimento que envolvem saberes e subjetividades atravessados por regimes de poder. Entretanto, o equil&iacute;brio entre esses eixos de for&ccedil;a &eacute; sempre inst&aacute;vel, pois, para Foucault, onde h&aacute; poder, h&aacute; resist&ecirc;ncia. Portanto, apesar da inseparabilidade entre discurso, sujeito, saber e poder, vazamentos, transgress&otilde;es e transforma&ccedil;&otilde;es podem sempre ocorrer.&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:paragraph --&amp;gt;&amp;lt;!-- wp:paragraph --&amp;gt;J&aacute; o linguista James Paul Gee diferencia discurso e Discurso, grafados com &amp;quot;d&rdquo; min&uacute;sculo e &amp;quot;D&rdquo; mai&uacute;sculo, respectivamente. O primeiro diz respeito &agrave; atividade discursiva, na qual empregamos signos lingu&iacute;sticos e n&atilde;o lingu&iacute;sticos em nossas intera&ccedil;&otilde;es di&aacute;rias. Trata-se de uma perspectiva sociolingu&iacute;stica e pragm&aacute;tica que focaliza a linguagem em uso nos diferentes contextos da vida social e os sentidos ali produzidos. As pr&aacute;ticas linguageiras, por&eacute;m, n&atilde;o ocorrem isoladamente. Elas resultam de m&uacute;ltiplas combina&ccedil;&otilde;es integradas de modos de comunicar, interagir, pensar, perceber, crer, valorar e sentir, que constituem um tipo espec&iacute;fico de identidade socialmente reconhec&iacute;vel. Gee nomeia esse fen&ocirc;meno &amp;quot;Discursos&rdquo; (com &amp;quot;D&rdquo; mai&uacute;sculo), isto &eacute;, sistemas de ideias e modos de pensamento que orientam a forma como performamos e utilizamos signos, palavras, imagens e outros recursos &mdash; o discurso (com &amp;quot;d&rdquo; min&uacute;sculo). Discurso e discurso s&atilde;o, por conseguinte, indissoci&aacute;veis, o que permite abordar o d\/Discurso como pr&aacute;tica social que define e orienta paradigmas socioculturais.&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:paragraph --&amp;gt;&amp;lt;!-- wp:paragraph --&amp;gt;Pode-se articular, ent&atilde;o, um ponto em comum entre James Paul Gee e Michel Foucault: o discurso n&atilde;o &eacute; apenas linguagem, mas configura-se como pr&aacute;tica social produtora de identidades, posi&ccedil;&otilde;es de sujeito e rela&ccedil;&otilde;es de poder.&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:paragraph --&amp;gt;&amp;lt;!-- wp:paragraph --&amp;gt;&amp;lt;strong&amp;gt;Para saber mais ...&amp;lt;\/strong&amp;gt;&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:paragraph --&amp;gt;&amp;lt;!-- wp:paragraph --&amp;gt;Foucault, Michel. &amp;lt;em&amp;gt;A ordem do discurso: Aula inaugural no Coll&egrave;ge de France, pronunciada em 2 de dezembro de 1970.&amp;lt;\/em&amp;gt; S&atilde;o Paulo: Edi&ccedil;&otilde;es Loyola, 1996. Tradu&ccedil;&atilde;o de Laura Fraga de Almeida Sampaio.&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:paragraph --&amp;gt;&amp;lt;!-- wp:paragraph --&amp;gt;Foucault, Michel. As forma&ccedil;&otilde;es discursivas. &amp;lt;em&amp;gt;A arqueologia do saber&amp;lt;\/em&amp;gt;. 7. ed. Rio de Janeiro: Forense Universit&aacute;ria, 2008.Gee, James Paul&amp;lt;strong&amp;gt;.&amp;lt;\/strong&amp;gt;&amp;lt;em&amp;gt;An Introduction to Discourse Analysis: Theory and Method.&amp;lt;\/em&amp;gt; 4&ordf; ed. London; New York: Routledge, 2014.&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:paragraph --&amp;gt;&amp;lt;!-- wp:paragraph --&amp;gt;Confira o conceito em CONTXT(O): &amp;lt;a href=&amp;quot;https:\/\/poslaplicada.letras.ufrj.br\/contxt\/o-terrorismo-no-discurso\/&amp;quot;&amp;gt;O terrorismo no discurso&amp;lt;\/a&amp;gt;.&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:paragraph --&amp;gt;&lt;\/div&gt;\"  href=\"https:\/\/poslaplicada.letras.ufrj.br\/contxt\/glossary\/discurso\/\"  data-gt-translate-attributes='[{\"attribute\":\"data-cmtooltip\", \"format\":\"html\"}]'  tabindex='0' role='link'>discurso<\/a>&nbsp;<a href=\"https:\/\/poslaplicada.letras.ufrj.br\/contxt\/glossario\/?g=entextualiza%C3%A7%C3%A3o\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">entextualizado<\/a>&nbsp;na picha&ccedil;&atilde;o, a sua reentextualiza&ccedil;&atilde;o, na conversa pelo WhatsApp, mostra que pr&aacute;ticas de <a class=\"glossaryLink\"  aria-describedby=\"tt\"  data-cmtooltip=\"&lt;div class=glossaryItemTitle&gt;Esperan&ccedil;a&lt;\/div&gt;&lt;div class=glossaryItemBody&gt;Para Paulo Freire, a esperan&ccedil;a &eacute; uma necessidade ontol&oacute;gica, ancorada na pr&aacute;tica. Segundo o autor, &eacute; preciso ter esperan&ccedil;a, mas ter esperan&ccedil;a do verbo esperan&ccedil;ar; porque tem gente que tem esperan&ccedil;a do verbo esperar. E esperan&ccedil;a do verbo esperar n&atilde;o &eacute; esperan&ccedil;a, &eacute; espera. Esperan&ccedil;ar &eacute; se levantar, esperan&ccedil;ar &eacute; ir atr&aacute;s, esperan&ccedil;ar &eacute; construir, esperan&ccedil;ar &eacute; n&atilde;o desistir! Esperan&ccedil;ar &eacute; levar adiante, esperan&ccedil;ar &eacute; juntar-se com outros para fazer de outro modo.Confira o conceito em CONTXT(O): &amp;lt;a href=&amp;quot;https:\/\/poslaplicada.letras.ufrj.br\/contxt\/novo\/conversa-entre-amigos-sobre-morte-esperanca-e-um-outro-lugar\/&amp;quot;&amp;gt;Conversa entre amigos sobre morte, esperan&ccedil;a e um outro-lugar&amp;lt;\/a&amp;gt;.&amp;lt;br\/&amp;gt;&lt;\/div&gt;\"  href=\"https:\/\/poslaplicada.letras.ufrj.br\/contxt\/glossary\/esperanca\/\"  data-gt-translate-attributes='[{\"attribute\":\"data-cmtooltip\", \"format\":\"html\"}]'  tabindex='0' role='link'>esperan&ccedil;a<\/a> foram registradas em diferentes momentos de comunica&ccedil;&atilde;o, em um exerc&iacute;cio de questionamento da naturaliza&ccedil;&atilde;o de conceitos e de estere&oacute;tipos culturais h&aacute; muito repetidos. Nessa an&aacute;lise, aquilo que foi considerado uma forma de deprecia&ccedil;&atilde;o para Cl&aacute;udia produziu significado diverso na opini&atilde;o de outros participantes. N&atilde;o h&aacute; assim, significados universais. Eles se transformam nas&nbsp;<a href=\"https:\/\/poslaplicada.letras.ufrj.br\/contxt\/glossario\/?g=trajet%C3%B3rias+textuais\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><\/a><a class=\"glossaryLink\" aria-describedby=\"tt\" data-cmtooltip=\"&lt;div class=glossaryItemTitle&gt;Trajet&#xF3;rias textuais&lt;\/div&gt;&lt;div class=glossaryItemBody&gt;&amp;lt;!-- wp:paragraph --&amp;gt;Textos viajam, seguindo roteiros imprevis&#xED;veis. O mesmo pode ser dito dos significados produzidos por eles ao longo dos caminhos que percorrem. A conting&#xEA;ncia dos itiner&#xE1;rios trilhados por textos opera deslocamentos espa&#xE7;o-temporais que mobilizam sentidos emergentes e sentidos socio-hist&#xF3;ricos. O resultado do di&#xE1;logo entre diferentes espacialidades e temporalidades &#xE9; sempre incerto. O conceito de trajet&#xF3;rias textuais (Blommaert, 2005; 2010) captura simultaneamente essas ideias de textos-em-tr&#xE2;nsito e instabilidade sem&#xE2;ntica. Tais ideias s&#xE3;o percept&#xED;veis quando seguimos trajet&#xF3;rias textuais e acompanhamos os rastros de transforma&#xE7;&#xF5;es que eles deixam, pois, ao serem inseridos em novos ambientes interacionais, textos encontram outros textos, pessoas e interpreta&#xE7;&#xF5;es que os modificam. Esses encontros sucessivos formam intrincadas cadeias textuais que constituem uma dimens&#xE3;o importante do contexto.&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:paragraph --&amp;gt;&amp;lt;!-- wp:paragraph --&amp;gt;Confira o conceito em CONTXT(O) em:&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:paragraph --&amp;gt;&amp;lt;!-- wp:list --&amp;gt;&amp;lt;!-- wp:list-item --&amp;gt;&amp;lt;a href=&amp;quot;https:\/\/poslaplicada.letras.ufrj.br\/contxt\/novo\/a-trajetoria-textual-de-uma-fake-news-em-meio-a-pandemia-de-coronavirus-no-brasil\/&amp;quot;&amp;gt;A trajet&#xF3;ria textual de uma fake news em meio &#xE0; pandemia de coronav&#xED;rus no Brasil&amp;lt;\/a&amp;gt;;&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:list-item --&amp;gt;&amp;lt;!-- wp:list-item --&amp;gt;&amp;lt;a href=&amp;quot;https:\/\/poslaplicada.letras.ufrj.br\/contxt\/novo\/chaves-e-melhor-do-que-friends\/&amp;quot;&amp;gt;Chaves &#xE9; melhor que Friends&amp;lt;\/a&amp;gt;.&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:list-item --&amp;gt;&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:list --&amp;gt;&lt;\/div&gt;\" href=\"https:\/\/poslaplicada.letras.ufrj.br\/contxt\/glossary\/trajetorias-textuais\/\" data-gt-translate-attributes='[{\"attribute\":\"data-cmtooltip\", \"format\":\"html\"}]' tabindex=\"0\" role=\"link\">trajet&#xF3;rias textuais<\/a>&#xA0;que percorrem.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A picha&#xE7;&#xE3;o possui registros hist&#xF3;ricos. 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