{"id":2553,"date":"2026-08-09T16:13:08","date_gmt":"2026-08-09T19:13:08","guid":{"rendered":"https:\/\/poslaplicada.letras.ufrj.br\/contxt\/?p=2553"},"modified":"2026-08-11T08:45:47","modified_gmt":"2026-08-11T11:45:47","slug":"a-intimidade-da-escrita","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/poslaplicada.letras.ufrj.br\/contxt\/a-intimidade-da-escrita\/","title":{"rendered":"A intimidade da escrita"},"content":{"rendered":"<p>[et_pb_section fb_built=&#x201D;1&#x2033; _builder_version=&#x201D;4.16&#x2033; global_colors_info=&#x201D;{}&#x201D; theme_builder_area=&#x201D;post_content&#x201D;][et_pb_row _builder_version=&#x201D;4.16&#x2033; background_size=&#x201D;initial&#x201D; background_position=&#x201D;top_left&#x201D; background_repeat=&#x201D;repeat&#x201D; global_colors_info=&#x201D;{}&#x201D; theme_builder_area=&#x201D;post_content&#x201D;][et_pb_column type=&#x201D;4_4&#x2033; _builder_version=&#x201D;4.16&#x2033; custom_padding=&#x201D;|||&#x201D; global_colors_info=&#x201D;{}&#x201D; custom_padding__hover=&#x201D;|||&#x201D; theme_builder_area=&#x201D;post_content&#x201D;][et_pb_text _builder_version=&#x201D;4.16&#x2033; background_size=&#x201D;initial&#x201D; background_position=&#x201D;top_left&#x201D; background_repeat=&#x201D;repeat&#x201D; global_colors_info=&#x201D;{}&#x201D; theme_builder_area=&#x201D;post_content&#x201D;]<!-- divi:paragraph -->\n<\/p><p><span style=\"font-size: small; color: #666655;\">Por Clara Cristina Ribeiro Nogueira (Extens&#xE3;o\/UFRJ)<\/span><\/p>\n<!-- \/divi:paragraph --><!-- divi:paragraph -->\n<p style=\"text-align: justify;\">N&atilde;o &eacute; novidade o fato de que a escrita de di&aacute;rios pessoais acompanha a humanidade h&aacute; s&eacute;culos, assumindo diferentes formas e significados conforme as transforma&ccedil;&otilde;es sociais e hist&oacute;ricas de cada &eacute;poca. Em sua vers&atilde;o mais tradicional, os adeptos dessa pr&aacute;tica se debru&ccedil;am sobre uma folha de papel e despejam os conte&uacute;dos &iacute;ntimos de suas subjetividades, estabelecendo uma rela&ccedil;&atilde;o pessoal e clandestina com o registro desenvolvido. Essa paix&atilde;o est&aacute; refletida em in&uacute;meras obras liter&aacute;rias que discorrem sobre o processo de produ&ccedil;&atilde;o. Entregando uma esp&eacute;cie de metalinguagem, elas comentam o pr&oacute;prio texto. Esse &eacute; o caso da escritora Sylvia Plath. Nascida em 1932, Plath publicou um romance consagrado, dedicou-se a uma produ&ccedil;&atilde;o po&eacute;tica intensa e foi, claro, uma mulher apaixonada pelos seus di&aacute;rios. Em uma edi&ccedil;&atilde;o publicada pela editora Biblioteca Azul, &eacute; poss&iacute;vel ler os seus cadernos de cr&ocirc;nicas pessoais de 1950 at&eacute; 1962. Para ela, a fun&ccedil;&atilde;o de uma documenta&ccedil;&atilde;o &iacute;ntima constante era a de retomar, de alguma forma, o controle sobre a sua pr&oacute;pria <a class=\"glossaryLink\"  aria-describedby=\"tt\"  data-cmtooltip=\"&lt;div class=glossaryItemTitle&gt;Narrativa&lt;\/div&gt;&lt;div class=glossaryItemBody&gt;&amp;lt;!-- wp:paragraph --&amp;gt;Narrativa &eacute; um tipo de discurso que, por sua estrutura e circunst&acirc;ncias de produ&ccedil;&atilde;o, tradicionalmente, est&aacute; associado &agrave; capacidade desenvolvida pelos seres humanos de recapitular o passado atrav&eacute;s da oralidade ou da escrita. Estudos contempor&acirc;neos apontam, no entanto, que se trata, tamb&eacute;m, de um discurso performativo que implica avalia&ccedil;&otilde;es e agenciamentos a serem empreendidos no presente da narrativa, bem como no futuro. A produ&ccedil;&atilde;o narrativa envolve um complexo processo em que entram em jogo m&uacute;ltiplos elementos tais como a constru&ccedil;&atilde;o de perspectivas ideol&oacute;gicas e s&oacute;cio-hist&oacute;ricas das pessoas que narram e das que est&atilde;o envolvidas na pr&aacute;tica narrativa.Confira o conceito em CONTXT(O) em &amp;lt;a href=&amp;quot;https:\/\/poslaplicada.letras.ufrj.br\/contxt\/novo\/o-tempo-narrativo-o-general-e-as-memorias-de-nossos-tristes-futuros\/&amp;quot;&amp;gt;O tempo narrativo, o general e as mem&oacute;rias de nossos tristes futuros&amp;lt;\/a&amp;gt;.&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:paragraph --&amp;gt;&lt;\/div&gt;\"  href=\"https:\/\/poslaplicada.letras.ufrj.br\/contxt\/glossary\/narrativa\/\"  data-gt-translate-attributes='[{\"attribute\":\"data-cmtooltip\", \"format\":\"html\"}]'  tabindex='0' role='link'>narrativa<\/a>. Os di&aacute;rios pareciam ser um espa&ccedil;o de elabora&ccedil;&atilde;o emocional e de experimenta&ccedil;&atilde;o, influenciando, inclusive, a sua pr&oacute;pria escrita liter&aacute;ria. Ela &eacute;, assim, um exemplo claro de algu&eacute;m que fez bom uso da observa&ccedil;&atilde;o minuciosa de si.<\/p>\n<!-- \/divi:paragraph --><!-- divi:paragraph -->\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao analisar as ressignifica&#xE7;&#xF5;es dessa pr&#xE1;tica, percebi que h&#xE1; uma forma contempor&#xE2;nea de realiz&#xE1;-la, marcada pelos avan&#xE7;os tecnol&#xF3;gicos que imperam na atualidade. Falo aqui sobre o surgimento de pr&#xE1;ticas habituais de compartilhamento de personalidades midi&#xE1;ticas, que, ao n&#xE3;o se comprometerem com a preserva&#xE7;&#xE3;o de sua intimidade, registram suas vidas no espa&#xE7;o das redes sociais. Essa maneira de documentar e expor, nitidamente distanciada dos di&#xE1;rios de outros tempos, reflete um excesso de visibilidade que transforma experi&#xEA;ncias privadas em conte&#xFA;do de consumo p&#xFA;blico.<\/p>\n<!-- \/divi:paragraph --><!-- divi:paragraph -->\n<p style=\"text-align: justify;\">Um exemplo expressivo desse fen&#xF4;meno pode ser observado na trajet&#xF3;ria de Virg&#xED;nia Fonseca, influenciadora digital com mais de 50 milh&#xF5;es de seguidores no <em>Instagram, <\/em>que construiu grande parte de sua presen&#xE7;a midi&#xE1;tica por meio da exposi&#xE7;&#xE3;o di&#xE1;ria de sua rotina. Em seus perfis nas redes sociais, momentos familiares, viagens, compromissos profissionais, celebra&#xE7;&#xF5;es e at&#xE9; acontecimentos banais do cotidiano s&#xE3;o compartilhados com milh&#xF5;es de seguidores em tempo real. Isso &#xE9; muito diferente do di&#xE1;rio tradicional, que se destinava &#xE0; prote&#xE7;&#xE3;o de mem&#xF3;rias e reflex&#xF5;es pessoais. As anota&#xE7;&#xF5;es de bordo atuais parecem orientar-se pela l&#xF3;gica da audi&#xEA;ncia, do engajamento e dos excessos, &#xE0; medida que operam no ac&#xFA;mulo de distribui&#xE7;&#xF5;es de intimidade ao longo de todo o dia. A privacidade transformada em produto se entrela&#xE7;a &#xE0;s in&#xFA;meras publicidades embutidas nessa partilha di&#xE1;ria. Apesar de ser um modelo representativo desse movimento, Virg&#xED;nia n&#xE3;o &#xE9; a &#xFA;nica. Basta pensar em como pessoas comuns, que n&#xE3;o s&#xE3;o necessariamente figuras midi&#xE1;ticas, tamb&#xE9;m compartilham suas atividades em v&#xE1;rios momentos do dia em seus perfis no <em>TikTok<\/em>, <em>Instagram <\/em>ou <em>X<\/em>, produzindo verdadeiros peri&#xF3;dicos ao mesmo tempo pessoais, virtuais e p&#xFA;blicos. Neles n&#xE3;o h&#xE1; compromisso com a confidencialidade, pois quanto maior o n&#xFA;mero de visualiza&#xE7;&#xF5;es, melhor. Isso nos leva a questionar: qual seria o prop&#xF3;sito de estimular que pessoas bisbilhotem nossas vidas? Como bem disse Sylvia Plath, &#xE9; imposs&#xED;vel &#x201C;capturar a vida&#x201D; se a gente n&#xE3;o mant&#xE9;m di&#xE1;rios. Sim, mas onde fica a clandestinidade nesse cen&#xE1;rio? Essa parece n&#xE3;o ser uma quest&#xE3;o para os atuais sujeitos da escrita digital.<\/p>\n<!-- \/divi:paragraph --><!-- divi:paragraph -->\n<p style=\"text-align: justify;\">Com isso em mente, comecei a questionar: O que acontece com os di&#xE1;rios f&#xED;sicos hoje, numa realidade cada vez mais tecnol&#xF3;gica? Como leitora de Sylvia Plath e adepta dos di&#xE1;rios, me preocupa que essa pr&#xE1;tica seja ultrapassada por outras formas de registro. H&#xE1; algo de singular no ato de dedicar um momento espec&#xED;fico para refletir, por meio da escrita &#xE0; m&#xE3;o, a respeito de algum movimento interno. Nos &#xFA;ltimos tempos, passei a notar o surgimento de uma onda de conte&#xFA;dos no YouTube feitos por jovens, como eu, incentivando a produ&#xE7;&#xE3;o de di&#xE1;rios tradicionais, materiais e manuais como uma alternativa ao uso desenfreado das redes sociais. Considerei o fen&#xF4;meno interessante e passei a pensar na escrita de di&#xE1;rios reinventada como uma oposi&#xE7;&#xE3;o aos excessos da web. Estes s&#xE3;o bem exemplificados pela figura de criadores de conte&#xFA;do que baseiam a sua produ&#xE7;&#xE3;o em uma exposi&#xE7;&#xE3;o extrema de si, al&#xE9;m de usu&#xE1;rios comuns que desenvolveram o h&#xE1;bito de registrar a vida publicamente. Dessa forma, percebo que a retomada da<strong> <\/strong><strong><a class=\"glossaryLink\" aria-describedby=\"tt\" data-cmtooltip=\"&lt;div class=glossaryItemTitle&gt;Escrita diar&#xED;stica&lt;\/div&gt;&lt;div class=glossaryItemBody&gt;&amp;lt;!-- wp:paragraph --&amp;gt;A escrita diar&#xED;stica constitui uma modalidade de escrita autobiogr&#xE1;fica que se caracteriza pelo registro peri&#xF3;dico de experi&#xEA;ncias do sujeito que escreve. Inserida no campo das escritas de si (1992), &#xE9; classificada por um dos principais te&#xF3;ricos do assunto, Philippe Lejeune, como &amp;quot;uma escrita cotidiana: uma s&#xE9;rie de vest&#xED;gios datados.&#x201D; (2014, p. 299).&amp;amp;nbsp;&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:paragraph --&amp;gt;&amp;lt;!-- wp:paragraph --&amp;gt;Constitu&#xED;da por entradas regularmente datadas e organizadas em sequ&#xEA;ncia temporal, essa pr&#xE1;tica discursiva estabelece um v&#xED;nculo entre o tempo da experi&#xEA;ncia cotidiana e o tempo de seu registro escrito, pois, segundo Lejeune (2014, p. 300), &amp;quot;a base do di&#xE1;rio &#xE9; a data.&#x201D;. Nesse sentido, a escrita diar&#xED;stica diferencia-se das narrativas autobiogr&#xE1;ficas de car&#xE1;ter memorial&#xED;stico, uma vez que n&#xE3;o se orienta prioritariamente pela rememora&#xE7;&#xE3;o do passado distante, mas pela inscri&#xE7;&#xE3;o textual do presente e de experi&#xEA;ncias temporalmente pr&#xF3;ximas ao ato da escrita.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:paragraph --&amp;gt;&amp;lt;!-- wp:paragraph --&amp;gt;Sob uma perspectiva discursiva, a escrita diar&#xED;stica apresenta como tra&#xE7;os constitutivos a subjetividade, a autorreferencialidade e a maleabilidade formal, o que possibilita ao diarista moldar o g&#xEA;nero conforme seus prop&#xF3;sitos particulares. Nesse sentido, a pr&#xE1;tica diar&#xED;stica configura-se como um instrumento de registro da mem&#xF3;ria, favorecendo um processo infinito de reflex&#xE3;o e acompanhamento do funcionamento dos pr&#xF3;prios pensamentos, permitindo ao sujeito construir a si mesmo por meio da observa&#xE7;&#xE3;o e narra&#xE7;&#xE3;o da pr&#xF3;pria viv&#xEA;ncia.&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:paragraph --&amp;gt;&amp;lt;!-- wp:paragraph --&amp;gt;Para saber mais ...&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:paragraph --&amp;gt;&amp;lt;!-- wp:list --&amp;gt;&amp;lt;!-- wp:list-item --&amp;gt;FOUCAULT, Michel. A escrita de si. In: &amp;lt;em&amp;gt;O que &#xE9; um autor?&amp;lt;\/em&amp;gt; Lisboa: Passagens. 1992. pp. 129-160.&#xA0;&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:list-item --&amp;gt;&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:list --&amp;gt;&amp;lt;!-- wp:list --&amp;gt;&amp;lt;!-- wp:list-item --&amp;gt;LEJEUNE, Philippe. &amp;lt;em&amp;gt;O pacto autobiogr&#xE1;fico: de Rousseau &#xE0; Internet&amp;lt;\/em&amp;gt;. Belo Horizonte: UFMG, 2014.&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:list-item --&amp;gt;&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:list --&amp;gt;&lt;\/div&gt;\" href=\"https:\/\/poslaplicada.letras.ufrj.br\/contxt\/glossary\/escrita-diaristica\/\" data-gt-translate-attributes='[{\"attribute\":\"data-cmtooltip\", \"format\":\"html\"}]' tabindex=\"0\" role=\"link\">escrita diar&#xED;stica<\/a><\/strong> funciona como um movimento recente de recria&#xE7;&#xE3;o de um espa&#xE7;o de intimidade resistente ao tempo e &#xE0;s novas tecnologias digitais.<\/p>\n<!-- \/divi:paragraph --><!-- divi:paragraph -->\n<p style=\"text-align: justify;\">Um dos canais do YouTube que me chamou a aten&#xE7;&#xE3;o foi o da criadora de conte&#xFA;do Annie Manora, jovem estadunidense com pouco mais de 19 mil seguidores na plataforma. Em seus v&#xED;deos, ela se dedica a criar uma s&#xE9;rie de mensagens de voz introspectivas e pessoais, com linguagem &#xED;ntima e bastante conversacional. A criadora produz, assim, um di&#xE1;rio virtual que vai na contram&#xE3;o dos di&#xE1;rios digitais mais populares, como o da Virg&#xED;nia, por compartilhar informa&#xE7;&#xF5;es em menor quantidade, com mais profundidade e para um p&#xFA;blico reduzido. Al&#xE9;m disso, Annie produz v&#xED;deos sobre a pr&#xF3;pria pr&#xE1;tica de escrever di&#xE1;rios f&#xED;sicos, para evitar o uso excessivo das redes sociais. No material destacado logo abaixo, um dos mais vistos do seu canal, ela dedica pouco mais de meia hora para elaborar o seu amor por di&#xE1;rios, que funcionam em sua rotina como uma maneira de &#x201C;manter a sanidade&#x201D;, tratando o h&#xE1;bito da escrita como uma verdadeira desintoxica&#xE7;&#xE3;o digital possibilitada pelo contato com a materialidade do papel e o cuidado com a partilha de sua subjetividade.<\/p>\n<!-- \/divi:paragraph --><!-- divi:image {\"id\":2556,\"sizeSlug\":\"large\",\"linkDestination\":\"none\"} -->\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"664\" src=\"https:\/\/poslaplicada.letras.ufrj.br\/contxt\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/image-1-1024x664.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2556\" srcset=\"https:\/\/poslaplicada.letras.ufrj.br\/contxt\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/image-1-980x635.png 980w, https:\/\/poslaplicada.letras.ufrj.br\/contxt\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/image-1-480x311.png 480w\" sizes=\"auto, (min-width: 0px) and (max-width: 480px) 480px, (min-width: 481px) and (max-width: 980px) 980px, (min-width: 981px) 1024px, 100vw\"\/><\/figure>\n<p style=\"text-align: center;\">Figura 1 &#x2013; Annie Manora sobre a pr&#xE1;tica de <span style=\"color: #666655; font-size: small;\">escrita <\/span>de di&#xE1;rios (YouTube &#x2013; Canal Annie Manora).<\/p>\n<!-- \/divi:image --><!-- divi:paragraph -->\n<p style=\"text-align: justify;\">Da mesma forma, a produtora de conte&#xFA;do estadunidense Ana&#xEF;s Laure utiliza o seu canal no YouTube, com mais de 70 mil seguidores, para documentar a sua vida criativa, falando sobre h&#xE1;bitos de leitura, escrita e cotidiano. No v&#xED;deo em destaque logo a seguir, a jovem encoraja a produ&#xE7;&#xE3;o de di&#xE1;rios &#xED;ntimos como uma maneira de documentar a vida, em uma temporalidade da reflex&#xE3;o, necessariamente mais lenta. Sua posi&#xE7;&#xE3;o dialoga diretamente com Sylvia Plath, uma vez que ambas usam a <a class=\"glossaryLink\" aria-describedby=\"tt\" data-cmtooltip=\"&lt;div class=glossaryItemTitle&gt;Escrita de si&lt;\/div&gt;&lt;div class=glossaryItemBody&gt;&amp;lt;!-- wp:paragraph --&amp;gt;&amp;quot;A escrita de si&#x201D; trata-se de um artigo escrito por Michel Foucault publicado em 1983, cinco meses antes de sua morte. Para flexionar o ato de escrever sobre si como uma transforma&#xE7;&#xE3;o particular do indiv&#xED;duo, o autor disserta sobre diferentes perspectivas acerca do ato de escrever. A primeira &#xE9; sob a &#xF3;tica da obra &amp;lt;em&amp;gt;Vita Atonii&amp;lt;\/em&amp;gt;, de Atan&#xE1;sio de Alexandria. A proposta de Atan&#xE1;sio era escrever sobre si seguindo a famigerada &amp;quot;vida asc&#xE9;tica&#x201D;, que intenciona a ascens&#xE3;o da vida espiritual conforme o indiv&#xED;duo abst&#xEA;m-se dos prazeres do mundo. Contudo, o autor aponta a pr&#xE1;tica como uma esp&#xE9;cie de &amp;quot;camaradagem&#x201D; devido o ato&amp;amp;nbsp; trazer &#xE0; luz somente os bons feitos do indiv&#xED;duo. Al&#xE9;m disso, Foucault flexiona o termo grego &amp;lt;em&amp;gt;ask&#xE9;sis&amp;lt;\/em&amp;gt; (self-discipline) para refletir, tamb&#xE9;m, como uma conduta cultural greco-romana reverberou, s&#xE9;culos depois, o cristianismo.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:paragraph --&amp;gt;&amp;lt;!-- wp:paragraph --&amp;gt;Ao discorrer sobre o ato de meditar, n&#xE3;o como um ato de silenciar a mente e sim, como uma assimila&#xE7;&#xE3;o, reflex&#xE3;o e &amp;quot;empoderamento&#x201D; de si mesmo, o autor cita outros dois termos correlacionados ao tema principal: a &amp;lt;em&amp;gt;hypomnemata&amp;lt;\/em&amp;gt; e a correspond&#xEA;ncia. O primeiro trata-se de discursos feitos em uma esp&#xE9;cie de di&#xE1;rio que originaria um &amp;quot;manual de consulta&#x201D;, a fim de direcionar quem quer que fosse na posteridade; j&#xE1; o segundo, &#xE9; uma forma mais pessoal de expor o que se &#xE9;, sob seus pr&#xF3;prios olhos, para o outro. A correspond&#xEA;ncia permite um olhar sobre si mesmo, por exemplo, atrav&#xE9;s da vida cotidiana, das experi&#xEA;ncias vividas, da sa&#xFA;de f&#xED;sica e mental. Aqui, a rela&#xE7;&#xE3;o entre o autor e o destinat&#xE1;rio &#xE9; simbi&#xF3;tica, al&#xE9;m de poder educar o leitor por meio dos relatos propostos pelo escritor, pode reeducar o pr&#xF3;prio autor ao revisitar suas mem&#xF3;rias.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:paragraph --&amp;gt;&amp;lt;!-- wp:paragraph --&amp;gt;Por fim, &amp;quot;A escrita de si&#x201D; proposta por Foucault, flexiona o ato com o passar dos s&#xE9;culos, expondo que esta simples a&#xE7;&#xE3;o possa ser caracterizada como um &amp;quot;adestramento de si&#x201D; ao colocar a subjetividade humana em evid&#xEA;ncia.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:paragraph --&amp;gt;&lt;\/div&gt;\" href=\"https:\/\/poslaplicada.letras.ufrj.br\/contxt\/glossary\/escrita-de-si\/\" data-gt-translate-attributes='[{\"attribute\":\"data-cmtooltip\", \"format\":\"html\"}]' tabindex=\"0\" role=\"link\">escrita de si<\/a> como um modo de compreens&#xE3;o da exist&#xEA;ncia.<\/p>\n<!-- \/divi:paragraph --><!-- divi:image {\"id\":2555,\"sizeSlug\":\"large\",\"linkDestination\":\"none\"} -->\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"685\" src=\"https:\/\/poslaplicada.letras.ufrj.br\/contxt\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/image-1024x685.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2555\" srcset=\"https:\/\/poslaplicada.letras.ufrj.br\/contxt\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/image-980x656.png 980w, https:\/\/poslaplicada.letras.ufrj.br\/contxt\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/image-480x321.png 480w\" sizes=\"auto, (min-width: 0px) and (max-width: 480px) 480px, (min-width: 481px) and (max-width: 980px) 980px, (min-width: 981px) 1024px, 100vw\"\/><\/figure>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-size: small; color: #666655;\"> Figura 2 &#x2013; Ana&#xEF;s Laure sobre a escrita de di&#xE1;rios. (YouTube &#x2013; Canal Ana&#xEF;s Laure).<\/span><\/p>\n<!-- \/divi:image --><!-- divi:paragraph -->\n<p style=\"text-align: justify;\">Al&#xE9;m desses v&#xED;deos, muitos outros semelhantes me chamaram a aten&#xE7;&#xE3;o, pois percebi que em todos eles a <a class=\"glossaryLink\" aria-describedby=\"tt\" data-cmtooltip=\"&lt;div class=glossaryItemTitle&gt;Escrita diar&#xED;stica&lt;\/div&gt;&lt;div class=glossaryItemBody&gt;&amp;lt;!-- wp:paragraph --&amp;gt;A escrita diar&#xED;stica constitui uma modalidade de escrita autobiogr&#xE1;fica que se caracteriza pelo registro peri&#xF3;dico de experi&#xEA;ncias do sujeito que escreve. Inserida no campo das escritas de si (1992), &#xE9; classificada por um dos principais te&#xF3;ricos do assunto, Philippe Lejeune, como &amp;quot;uma escrita cotidiana: uma s&#xE9;rie de vest&#xED;gios datados.&#x201D; (2014, p. 299).&amp;amp;nbsp;&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:paragraph --&amp;gt;&amp;lt;!-- wp:paragraph --&amp;gt;Constitu&#xED;da por entradas regularmente datadas e organizadas em sequ&#xEA;ncia temporal, essa pr&#xE1;tica discursiva estabelece um v&#xED;nculo entre o tempo da experi&#xEA;ncia cotidiana e o tempo de seu registro escrito, pois, segundo Lejeune (2014, p. 300), &amp;quot;a base do di&#xE1;rio &#xE9; a data.&#x201D;. Nesse sentido, a escrita diar&#xED;stica diferencia-se das narrativas autobiogr&#xE1;ficas de car&#xE1;ter memorial&#xED;stico, uma vez que n&#xE3;o se orienta prioritariamente pela rememora&#xE7;&#xE3;o do passado distante, mas pela inscri&#xE7;&#xE3;o textual do presente e de experi&#xEA;ncias temporalmente pr&#xF3;ximas ao ato da escrita.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:paragraph --&amp;gt;&amp;lt;!-- wp:paragraph --&amp;gt;Sob uma perspectiva discursiva, a escrita diar&#xED;stica apresenta como tra&#xE7;os constitutivos a subjetividade, a autorreferencialidade e a maleabilidade formal, o que possibilita ao diarista moldar o g&#xEA;nero conforme seus prop&#xF3;sitos particulares. Nesse sentido, a pr&#xE1;tica diar&#xED;stica configura-se como um instrumento de registro da mem&#xF3;ria, favorecendo um processo infinito de reflex&#xE3;o e acompanhamento do funcionamento dos pr&#xF3;prios pensamentos, permitindo ao sujeito construir a si mesmo por meio da observa&#xE7;&#xE3;o e narra&#xE7;&#xE3;o da pr&#xF3;pria viv&#xEA;ncia.&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:paragraph --&amp;gt;&amp;lt;!-- wp:paragraph --&amp;gt;Para saber mais ...&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:paragraph --&amp;gt;&amp;lt;!-- wp:list --&amp;gt;&amp;lt;!-- wp:list-item --&amp;gt;FOUCAULT, Michel. A escrita de si. In: &amp;lt;em&amp;gt;O que &#xE9; um autor?&amp;lt;\/em&amp;gt; Lisboa: Passagens. 1992. pp. 129-160.&#xA0;&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:list-item --&amp;gt;&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:list --&amp;gt;&amp;lt;!-- wp:list --&amp;gt;&amp;lt;!-- wp:list-item --&amp;gt;LEJEUNE, Philippe. &amp;lt;em&amp;gt;O pacto autobiogr&#xE1;fico: de Rousseau &#xE0; Internet&amp;lt;\/em&amp;gt;. Belo Horizonte: UFMG, 2014.&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:list-item --&amp;gt;&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:list --&amp;gt;&lt;\/div&gt;\" href=\"https:\/\/poslaplicada.letras.ufrj.br\/contxt\/glossary\/escrita-diaristica\/\" data-gt-translate-attributes='[{\"attribute\":\"data-cmtooltip\", \"format\":\"html\"}]' tabindex=\"0\" role=\"link\">escrita diar&#xED;stica<\/a> prop&#xF5;e algo diferente: ao inv&#xE9;s de executar uma <em>performance <\/em>p&#xFA;blica, requisito para a sobreviv&#xEA;ncia online, pode-se utilizar o di&#xE1;rio para a constru&#xE7;&#xE3;o de um espa&#xE7;o sem plateias. O excesso de informa&#xE7;&#xF5;es compartilhadas freneticamente, os muitos est&#xED;mulos de cores, sons e o forte apelo comercial das redes sociais parecem ser os motivos pelos quais alguns jovens venham se aproximando de h&#xE1;bitos mais anal&#xF3;gicos, numa tentativa de zelar pela pr&#xF3;pria exist&#xEA;ncia e, quem sabe, &#x201C;capturar a vida&#x201D;, como sugeria Plath. Assim, esse movimento de incentivo &#xE0; escrita seria o reflexo da necessidade de uma nova-velha rela&#xE7;&#xE3;o com as experi&#xEA;ncias &#xED;ntimas, buscando na pr&#xE1;tica diar&#xED;stica, hist&#xF3;rica e resistente ao tempo o caminho para a (re)constru&#xE7;&#xE3;o de mem&#xF3;rias significativas. V&#xED;deos de <em>journaling <\/em>(termo referente ao ato de escrever regularmente em um caderno f&#xED;sico a respeito de temas diversos), <em>detox <\/em>digitais (afastamento das redes sociais para diminuir seu uso excessivo) e rotinas anal&#xF3;gicas s&#xE3;o exemplos de pr&#xE1;ticas que parecem s&#xF3; crescer em plataformas como o YouTube, que privilegia v&#xED;deos mais longos, dando espa&#xE7;o para discuss&#xF5;es mais aprofundadas. Nesse cen&#xE1;rio, a materialidade do papel parece ter muito valor, uma vez que funciona como uma estrat&#xE9;gia de recusa aos est&#xED;mulos unicamente digitais. Em uma realidade cada vez mais acelerada, escrever &#xE0; m&#xE3;o promete recuperar aspectos que a l&#xF3;gica t&#xE9;cnica controla de forma abusiva: o tempo, o sil&#xEA;ncio e a autonomia.<\/p>\n<!-- \/divi:paragraph --><!-- divi:paragraph -->\n<p style=\"text-align: justify;\">Diante desse quadro, o retorno da <a class=\"glossaryLink\" aria-describedby=\"tt\" data-cmtooltip=\"&lt;div class=glossaryItemTitle&gt;Escrita diar&#xED;stica&lt;\/div&gt;&lt;div class=glossaryItemBody&gt;&amp;lt;!-- wp:paragraph --&amp;gt;A escrita diar&#xED;stica constitui uma modalidade de escrita autobiogr&#xE1;fica que se caracteriza pelo registro peri&#xF3;dico de experi&#xEA;ncias do sujeito que escreve. Inserida no campo das escritas de si (1992), &#xE9; classificada por um dos principais te&#xF3;ricos do assunto, Philippe Lejeune, como &amp;quot;uma escrita cotidiana: uma s&#xE9;rie de vest&#xED;gios datados.&#x201D; (2014, p. 299).&amp;amp;nbsp;&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:paragraph --&amp;gt;&amp;lt;!-- wp:paragraph --&amp;gt;Constitu&#xED;da por entradas regularmente datadas e organizadas em sequ&#xEA;ncia temporal, essa pr&#xE1;tica discursiva estabelece um v&#xED;nculo entre o tempo da experi&#xEA;ncia cotidiana e o tempo de seu registro escrito, pois, segundo Lejeune (2014, p. 300), &amp;quot;a base do di&#xE1;rio &#xE9; a data.&#x201D;. Nesse sentido, a escrita diar&#xED;stica diferencia-se das narrativas autobiogr&#xE1;ficas de car&#xE1;ter memorial&#xED;stico, uma vez que n&#xE3;o se orienta prioritariamente pela rememora&#xE7;&#xE3;o do passado distante, mas pela inscri&#xE7;&#xE3;o textual do presente e de experi&#xEA;ncias temporalmente pr&#xF3;ximas ao ato da escrita.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:paragraph --&amp;gt;&amp;lt;!-- wp:paragraph --&amp;gt;Sob uma perspectiva discursiva, a escrita diar&#xED;stica apresenta como tra&#xE7;os constitutivos a subjetividade, a autorreferencialidade e a maleabilidade formal, o que possibilita ao diarista moldar o g&#xEA;nero conforme seus prop&#xF3;sitos particulares. Nesse sentido, a pr&#xE1;tica diar&#xED;stica configura-se como um instrumento de registro da mem&#xF3;ria, favorecendo um processo infinito de reflex&#xE3;o e acompanhamento do funcionamento dos pr&#xF3;prios pensamentos, permitindo ao sujeito construir a si mesmo por meio da observa&#xE7;&#xE3;o e narra&#xE7;&#xE3;o da pr&#xF3;pria viv&#xEA;ncia.&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:paragraph --&amp;gt;&amp;lt;!-- wp:paragraph --&amp;gt;Para saber mais ...&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:paragraph --&amp;gt;&amp;lt;!-- wp:list --&amp;gt;&amp;lt;!-- wp:list-item --&amp;gt;FOUCAULT, Michel. A escrita de si. In: &amp;lt;em&amp;gt;O que &#xE9; um autor?&amp;lt;\/em&amp;gt; Lisboa: Passagens. 1992. pp. 129-160.&#xA0;&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:list-item --&amp;gt;&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:list --&amp;gt;&amp;lt;!-- wp:list --&amp;gt;&amp;lt;!-- wp:list-item --&amp;gt;LEJEUNE, Philippe. &amp;lt;em&amp;gt;O pacto autobiogr&#xE1;fico: de Rousseau &#xE0; Internet&amp;lt;\/em&amp;gt;. Belo Horizonte: UFMG, 2014.&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:list-item --&amp;gt;&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:list --&amp;gt;&lt;\/div&gt;\" href=\"https:\/\/poslaplicada.letras.ufrj.br\/contxt\/glossary\/escrita-diaristica\/\" data-gt-translate-attributes='[{\"attribute\":\"data-cmtooltip\", \"format\":\"html\"}]' tabindex=\"0\" role=\"link\">escrita diar&#xED;stica<\/a> revela-se n&#xE3;o apenas como uma tend&#xEA;ncia passageira, mas como uma resposta significativa &#xE0;s formas contempor&#xE2;neas de documentar. No entanto, &#xE9; bom n&#xE3;o se esquecer dos desafios pela frente, pois manter um di&#xE1;rio exige tempo, disciplina, sil&#xEA;ncio e disposi&#xE7;&#xE3;o para enfrentar aspectos da pr&#xF3;pria subjetividade que nem sempre s&#xE3;o confort&#xE1;veis. Nas redes sociais, podemos mascarar afetos negativos e nos apresentar sempre sob uma luz favor&#xE1;vel. Na <a class=\"glossaryLink\" aria-describedby=\"tt\" data-cmtooltip=\"&lt;div class=glossaryItemTitle&gt;Escrita diar&#xED;stica&lt;\/div&gt;&lt;div class=glossaryItemBody&gt;&amp;lt;!-- wp:paragraph --&amp;gt;A escrita diar&#xED;stica constitui uma modalidade de escrita autobiogr&#xE1;fica que se caracteriza pelo registro peri&#xF3;dico de experi&#xEA;ncias do sujeito que escreve. Inserida no campo das escritas de si (1992), &#xE9; classificada por um dos principais te&#xF3;ricos do assunto, Philippe Lejeune, como &amp;quot;uma escrita cotidiana: uma s&#xE9;rie de vest&#xED;gios datados.&#x201D; (2014, p. 299).&amp;amp;nbsp;&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:paragraph --&amp;gt;&amp;lt;!-- wp:paragraph --&amp;gt;Constitu&#xED;da por entradas regularmente datadas e organizadas em sequ&#xEA;ncia temporal, essa pr&#xE1;tica discursiva estabelece um v&#xED;nculo entre o tempo da experi&#xEA;ncia cotidiana e o tempo de seu registro escrito, pois, segundo Lejeune (2014, p. 300), &amp;quot;a base do di&#xE1;rio &#xE9; a data.&#x201D;. Nesse sentido, a escrita diar&#xED;stica diferencia-se das narrativas autobiogr&#xE1;ficas de car&#xE1;ter memorial&#xED;stico, uma vez que n&#xE3;o se orienta prioritariamente pela rememora&#xE7;&#xE3;o do passado distante, mas pela inscri&#xE7;&#xE3;o textual do presente e de experi&#xEA;ncias temporalmente pr&#xF3;ximas ao ato da escrita.&amp;amp;nbsp;&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:paragraph --&amp;gt;&amp;lt;!-- wp:paragraph --&amp;gt;Sob uma perspectiva discursiva, a escrita diar&#xED;stica apresenta como tra&#xE7;os constitutivos a subjetividade, a autorreferencialidade e a maleabilidade formal, o que possibilita ao diarista moldar o g&#xEA;nero conforme seus prop&#xF3;sitos particulares. Nesse sentido, a pr&#xE1;tica diar&#xED;stica configura-se como um instrumento de registro da mem&#xF3;ria, favorecendo um processo infinito de reflex&#xE3;o e acompanhamento do funcionamento dos pr&#xF3;prios pensamentos, permitindo ao sujeito construir a si mesmo por meio da observa&#xE7;&#xE3;o e narra&#xE7;&#xE3;o da pr&#xF3;pria viv&#xEA;ncia.&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:paragraph --&amp;gt;&amp;lt;!-- wp:paragraph --&amp;gt;Para saber mais ...&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:paragraph --&amp;gt;&amp;lt;!-- wp:list --&amp;gt;&amp;lt;!-- wp:list-item --&amp;gt;FOUCAULT, Michel. A escrita de si. 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Em uma realidade estruturada para capturar nossa aten&#xE7;&#xE3;o a todo instante, criar um espa&#xE7;o clandestino torna-se um ato cada vez mais dif&#xED;cil. Talvez seja justamente por isso que o retorno aos di&#xE1;rios tenha tanta import&#xE2;ncia. Ao reivindicarem momentos de reflex&#xE3;o sem audi&#xEA;ncia, eles reafirmam a necessidade de cultivar uma rela&#xE7;&#xE3;o mais aut&#xF4;noma com a pr&#xF3;pria vida. Entre os est&#xED;mulos das telas e os excessos de informa&#xE7;&#xE3;o sobre o cotidiano alheio, o velho caderno pessoal parece devolver ao sujeito a oportunidade, cada vez mais rara, de, na intimidade da escrita, preservar sua pr&#xF3;pria experi&#xEA;ncia.<\/p>\n<!-- \/divi:paragraph --><!-- divi:paragraph -->\n<p style=\"text-align: justify;\">Para saber mais&#x2026;&#xA0;<\/p>\n<!-- \/divi:paragraph --><!-- divi:paragraph -->\n<p style=\"text-align: justify;\">SIBILIA, Paula. <em>A intimidade escancarada na rede: blogs e webcams subvertem a oposi&#xE7;&#xE3;o p&#xFA;blico\/privado<\/em>. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE CI&#xCA;NCIAS DA COMUNICA&#xC7;&#xC3;O, 26., 2003, Belo Horizonte. S&#xE3;o Paulo: Intercom, 2003.<\/p>\n<!-- \/divi:paragraph -->[\/et_pb_text][\/et_pb_column][\/et_pb_row][\/et_pb_section]\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Clara Cristina Ribeiro Nogueira (Extens&#xE3;o\/UFRJ) N&#xE3;o &#xE9; novidade o fato de que a escrita de di&#xE1;rios pessoais acompanha a humanidade h&#xE1; s&#xE9;culos, assumindo diferentes formas e significados conforme as transforma&#xE7;&#xF5;es sociais e hist&#xF3;ricas de cada &#xE9;poca. 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Em sua vers\u00e3o mais tradicional, os adeptos dessa pr\u00e1tica se debru\u00e7am sobre uma folha de papel e despejam os conte\u00fados \u00edntimos de suas subjetividades, estabelecendo uma rela\u00e7\u00e3o pessoal e clandestina com o registro desenvolvido. Essa paix\u00e3o est\u00e1 refletida em in\u00fameras obras liter\u00e1rias que discorrem sobre o processo de produ\u00e7\u00e3o. Entregando uma esp\u00e9cie de metalinguagem, elas comentam o pr\u00f3prio texto. Esse \u00e9 o caso da escritora Sylvia Plath. Nascida em 1932, Plath publicou um romance consagrado, dedicou-se a uma produ\u00e7\u00e3o po\u00e9tica intensa e foi, claro, uma mulher apaixonada pelos seus di\u00e1rios. Em uma edi\u00e7\u00e3o publicada pela editora Biblioteca Azul, \u00e9 poss\u00edvel ler os seus cadernos de cr\u00f4nicas pessoais de 1950 at\u00e9 1962. Para ela, a fun\u00e7\u00e3o de uma documenta\u00e7\u00e3o \u00edntima constante era a de retomar, de alguma forma, o controle sobre a sua pr\u00f3pria narrativa. Os di\u00e1rios pareciam ser um espa\u00e7o de elabora\u00e7\u00e3o emocional e de experimenta\u00e7\u00e3o, influenciando, inclusive, a sua pr\u00f3pria escrita liter\u00e1ria. Ela \u00e9, assim, um exemplo claro de algu\u00e9m que fez bom uso da observa\u00e7\u00e3o minuciosa de si.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>Ao analisar as ressignifica\u00e7\u00f5es dessa pr\u00e1tica, percebi que h\u00e1 uma forma contempor\u00e2nea de realiz\u00e1-la, marcada pelos avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos que imperam na atualidade. Falo aqui sobre o surgimento de pr\u00e1ticas habituais de compartilhamento de personalidades midi\u00e1ticas, que, ao n\u00e3o se comprometerem com a preserva\u00e7\u00e3o de sua intimidade, registram suas vidas no espa\u00e7o das redes sociais. Essa maneira de documentar e expor, nitidamente distanciada dos di\u00e1rios de outros tempos, reflete um excesso de visibilidade que transforma experi\u00eancias privadas em conte\u00fado de consumo p\u00fablico.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>Um exemplo expressivo desse fen\u00f4meno pode ser observado na trajet\u00f3ria de Virg\u00ednia Fonseca, influenciadora digital com mais de 50 milh\u00f5es de seguidores no <em>Instagram, <\/em>que construiu grande parte de sua presen\u00e7a midi\u00e1tica por meio da exposi\u00e7\u00e3o di\u00e1ria de sua rotina. Em seus perfis nas redes sociais, momentos familiares, viagens, compromissos profissionais, celebra\u00e7\u00f5es e at\u00e9 acontecimentos banais do cotidiano s\u00e3o compartilhados com milh\u00f5es de seguidores em tempo real. Isso \u00e9 muito diferente do di\u00e1rio tradicional, que se destinava \u00e0 prote\u00e7\u00e3o de mem\u00f3rias e reflex\u00f5es pessoais. As anota\u00e7\u00f5es de bordo atuais parecem orientar-se pela l\u00f3gica da audi\u00eancia, do engajamento e dos excessos, \u00e0 medida que operam no ac\u00famulo de distribui\u00e7\u00f5es de intimidade ao longo de todo o dia. A privacidade transformada em produto se entrela\u00e7a \u00e0s in\u00fameras publicidades embutidas nessa partilha di\u00e1ria. Apesar de ser um modelo representativo desse movimento, Virg\u00ednia n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica. Basta pensar em como pessoas comuns, que n\u00e3o s\u00e3o necessariamente figuras midi\u00e1ticas, tamb\u00e9m compartilham suas atividades em v\u00e1rios momentos do dia em seus perfis no <em>TikTok<\/em>, <em>Instagram <\/em>ou <em>X<\/em>, produzindo verdadeiros peri\u00f3dicos ao mesmo tempo pessoais, virtuais e p\u00fablicos. Neles n\u00e3o h\u00e1 compromisso com a confidencialidade, pois quanto maior o n\u00famero de visualiza\u00e7\u00f5es, melhor. Isso nos leva a questionar: qual seria o prop\u00f3sito de estimular que pessoas bisbilhotem nossas vidas? Como bem disse Sylvia Plath, \u00e9 imposs\u00edvel \u201ccapturar a vida\u201d se a gente n\u00e3o mant\u00e9m di\u00e1rios. Sim, mas onde fica a clandestinidade nesse cen\u00e1rio? Essa parece n\u00e3o ser uma quest\u00e3o para os atuais sujeitos da escrita digital.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>Com isso em mente, comecei a questionar: O que acontece com os di\u00e1rios f\u00edsicos hoje, numa realidade cada vez mais tecnol\u00f3gica? Como leitora de Sylvia Plath e adepta dos di\u00e1rios, me preocupa que essa pr\u00e1tica seja ultrapassada por outras formas de registro. H\u00e1 algo de singular no ato de dedicar um momento espec\u00edfico para refletir, por meio da escrita \u00e0 m\u00e3o, a respeito de algum movimento interno. Nos \u00faltimos tempos, passei a notar o surgimento de uma onda de conte\u00fados no YouTube feitos por jovens, como eu, incentivando a produ\u00e7\u00e3o de di\u00e1rios tradicionais, materiais e manuais como uma alternativa ao uso desenfreado das redes sociais. Considerei o fen\u00f4meno interessante e passei a pensar na escrita de di\u00e1rios reinventada como uma oposi\u00e7\u00e3o aos excessos da web. Estes s\u00e3o bem exemplificados pela figura de criadores de conte\u00fado que baseiam a sua produ\u00e7\u00e3o em uma exposi\u00e7\u00e3o extrema de si, al\u00e9m de usu\u00e1rios comuns que desenvolveram o h\u00e1bito de registrar a vida publicamente. Dessa forma, percebo que a retomada da<strong> <\/strong><strong>escrita diar\u00edstica<\/strong> funciona como um movimento recente de recria\u00e7\u00e3o de um espa\u00e7o de intimidade resistente ao tempo e \u00e0s novas tecnologias digitais.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>Um dos canais do YouTube que me chamou a aten\u00e7\u00e3o foi o da criadora de conte\u00fado Annie Manora, jovem estadunidense com pouco mais de 19 mil seguidores na plataforma. Em seus v\u00eddeos, ela se dedica a criar uma s\u00e9rie de mensagens de voz introspectivas e pessoais, com linguagem \u00edntima e bastante conversacional. A criadora produz, assim, um di\u00e1rio virtual que vai na contram\u00e3o dos di\u00e1rios digitais mais populares, como o da Virg\u00ednia, por compartilhar informa\u00e7\u00f5es em menor quantidade, com mais profundidade e para um p\u00fablico reduzido. Al\u00e9m disso, Annie produz v\u00eddeos sobre a pr\u00f3pria pr\u00e1tica de escrever di\u00e1rios f\u00edsicos, para evitar o uso excessivo das redes sociais. No material destacado logo abaixo, um dos mais vistos do seu canal, ela dedica pouco mais de meia hora para elaborar o seu amor por di\u00e1rios, que funcionam em sua rotina como uma maneira de \u201cmanter a sanidade\u201d, tratando o h\u00e1bito da escrita como uma verdadeira desintoxica\u00e7\u00e3o digital possibilitada pelo contato com a materialidade do papel e o cuidado com a partilha de sua subjetividade.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:image {\"id\":2556,\"sizeSlug\":\"large\",\"linkDestination\":\"none\"} -->\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img src=\"https:\/\/poslaplicada.letras.ufrj.br\/contxt\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/image-1-1024x664.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2556\"\/><\/figure>\n<!-- \/wp:image -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>Da mesma forma, a produtora de conte\u00fado estadunidense Ana\u00efs Laure utiliza o seu canal no YouTube, com mais de 70 mil seguidores, para documentar a sua vida criativa, falando sobre h\u00e1bitos de leitura, escrita e cotidiano. No v\u00eddeo em destaque logo a seguir, a jovem encoraja a produ\u00e7\u00e3o de di\u00e1rios \u00edntimos como uma maneira de documentar a vida, em uma temporalidade da reflex\u00e3o, necessariamente mais lenta. Sua posi\u00e7\u00e3o dialoga diretamente com Sylvia Plath, uma vez que ambas usam a escrita de si como um modo de compreens\u00e3o da exist\u00eancia.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:image {\"id\":2555,\"sizeSlug\":\"large\",\"linkDestination\":\"none\"} -->\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img src=\"https:\/\/poslaplicada.letras.ufrj.br\/contxt\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/image-1024x685.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2555\"\/><\/figure>\n<!-- \/wp:image -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>Al\u00e9m desses v\u00eddeos, muitos outros semelhantes me chamaram a aten\u00e7\u00e3o, pois percebi que em todos eles a escrita diar\u00edstica prop\u00f5e algo diferente: ao inv\u00e9s de executar uma <em>performance <\/em>p\u00fablica, requisito para a sobreviv\u00eancia online, pode-se utilizar o di\u00e1rio para a constru\u00e7\u00e3o de um espa\u00e7o sem plateias. O excesso de informa\u00e7\u00f5es compartilhadas freneticamente, os muitos est\u00edmulos de cores, sons e o forte apelo comercial das redes sociais parecem ser os motivos pelos quais alguns jovens venham se aproximando de h\u00e1bitos mais anal\u00f3gicos, numa tentativa de zelar pela pr\u00f3pria exist\u00eancia e, quem sabe, \u201ccapturar a vida\u201d, como sugeria Plath. Assim, esse movimento de incentivo \u00e0 escrita seria o reflexo da necessidade de uma nova-velha rela\u00e7\u00e3o com as experi\u00eancias \u00edntimas, buscando na pr\u00e1tica diar\u00edstica, hist\u00f3rica e resistente ao tempo o caminho para a (re)constru\u00e7\u00e3o de mem\u00f3rias significativas. V\u00eddeos de <em>journaling <\/em>(termo referente ao ato de escrever regularmente em um caderno f\u00edsico a respeito de temas diversos), <em>detox <\/em>digitais (afastamento das redes sociais para diminuir seu uso excessivo) e rotinas anal\u00f3gicas s\u00e3o exemplos de pr\u00e1ticas que parecem s\u00f3 crescer em plataformas como o YouTube, que privilegia v\u00eddeos mais longos, dando espa\u00e7o para discuss\u00f5es mais aprofundadas. Nesse cen\u00e1rio, a materialidade do papel parece ter muito valor, uma vez que funciona como uma estrat\u00e9gia de recusa aos est\u00edmulos unicamente digitais. Em uma realidade cada vez mais acelerada, escrever \u00e0 m\u00e3o promete recuperar aspectos que a l\u00f3gica t\u00e9cnica controla de forma abusiva: o tempo, o sil\u00eancio e a autonomia.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>Diante desse quadro, o retorno da escrita diar\u00edstica revela-se n\u00e3o apenas como uma tend\u00eancia passageira, mas como uma resposta significativa \u00e0s formas contempor\u00e2neas de documentar. No entanto, \u00e9 bom n\u00e3o se esquecer dos desafios pela frente, pois manter um di\u00e1rio exige tempo, disciplina, sil\u00eancio e disposi\u00e7\u00e3o para enfrentar aspectos da pr\u00f3pria subjetividade que nem sempre s\u00e3o confort\u00e1veis. Nas redes sociais, podemos mascarar afetos negativos e nos apresentar sempre sob uma luz favor\u00e1vel. Na escrita diar\u00edstica, ao contr\u00e1rio, nos comprometemos com a sinceridade de nossas disposi\u00e7\u00f5es. Em uma realidade estruturada para capturar nossa aten\u00e7\u00e3o a todo instante, criar um espa\u00e7o clandestino torna-se um ato cada vez mais dif\u00edcil. Talvez seja justamente por isso que o retorno aos di\u00e1rios tenha tanta import\u00e2ncia. Ao reivindicarem momentos de reflex\u00e3o sem audi\u00eancia, eles reafirmam a necessidade de cultivar uma rela\u00e7\u00e3o mais aut\u00f4noma com a pr\u00f3pria vida. Entre os est\u00edmulos das telas e os excessos de informa\u00e7\u00e3o sobre o cotidiano alheio, o velho caderno pessoal parece devolver ao sujeito a oportunidade, cada vez mais rara, de, na intimidade da escrita, preservar sua pr\u00f3pria experi\u00eancia.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>Para saber mais...&nbsp;<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>SIBILIA, Paula. <em>A intimidade escancarada na rede: blogs e webcams subvertem a oposi\u00e7\u00e3o p\u00fablico\/privado<\/em>. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE CI\u00caNCIAS DA COMUNICA\u00c7\u00c3O, 26., 2003, Belo Horizonte. S\u00e3o Paulo: Intercom, 2003.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->","_et_gb_content_width":"","footnotes":""},"categories":[7,8],"tags":[360,357,358,91,359],"class_list":["post-2553","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cultura","category-tecnologias","tag-detox-digital","tag-diario","tag-escrita-diaristica","tag-letramentos-digitais","tag-praticas-de-confissao"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.7 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>A intimidade da escrita - Contxt<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/poslaplicada.letras.ufrj.br\/contxt\/a-intimidade-da-escrita\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"A intimidade da escrita - Contxt\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Por Clara Cristina Ribeiro Nogueira (Extens&#xE3;o\/UFRJ) N&#xE3;o &#xE9; novidade o fato de que a escrita de di&#xE1;rios pessoais acompanha a humanidade h&#xE1; s&#xE9;culos, assumindo diferentes formas e significados conforme as transforma&#xE7;&#xF5;es sociais e hist&#xF3;ricas de cada &#xE9;poca. 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