{"id":222,"date":"2020-09-02T10:01:00","date_gmt":"2020-09-02T13:01:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost\/Clientes\/Contxt\/?p=222"},"modified":"2023-01-25T12:29:27","modified_gmt":"2023-01-25T15:29:27","slug":"a-retorica-do-arrependimento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/poslaplicada.letras.ufrj.br\/contxt\/a-retorica-do-arrependimento\/","title":{"rendered":"A ret\u00f3rica do arrependimento"},"content":{"rendered":"<p class=\"wp-block-paragraph\">O ano &#xE9; 2019. As primeiras not&#xED;cias acerca de um novo v&#xED;rus, popularmente chamado de Coronav&#xED;rus, ganham destaque na m&#xED;dia internacional. Com o aumento do n&#xFA;mero de casos em diferentes pa&#xED;ses, o alto &#xED;ndice de cont&#xE1;gio do Covid-19 o faz ser considerado pand&#xEA;mico pela Organiza&#xE7;&#xE3;o Mundial de Sa&#xFA;de. Tal institui&#xE7;&#xE3;o, apesar de n&#xE3;o regular diretamente as diretrizes de sa&#xFA;de de cada na&#xE7;&#xE3;o, sugere como medida profil&#xE1;tica o distanciamento social e a quarentena como formas de conter a transmiss&#xE3;o da enfermidade (Organiza&#xE7;&#xE3;o Mundial da Sa&#xFA;de, 2020). N&#xE3;o &#xE9;, no entanto, um consenso entre governantes (e cidad&#xE3;os) se tais medidas devem ser seguidas, flexibilizadas ou ignoradas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em mar&#xE7;o de 2020, em meio ao agravamento do cen&#xE1;rio internacional da sa&#xFA;de devido ao alastramento do Covid-19, governantes brasileiros come&#xE7;am a decretar quarentena, suspendendo, assim, atividades diversas: desde aulas em institui&#xE7;&#xF5;es de ensino a pr&#xE1;ticas de lazer e servi&#xE7;os em neg&#xF3;cios do terceiro setor. Tal decis&#xE3;o n&#xE3;o se deu de forma pac&#xED;fica, gerando movimentos tanto de apoio quanto de rep&#xFA;dio &#x2013; entre os pr&#xF3;prios governantes, entre o governo e a popula&#xE7;&#xE3;o e entre os membros da popula&#xE7;&#xE3;o, muitos realizados em contextos online e offline.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N&#xE3;o &#xE9; de hoje que as redes sociais se tornaram espa&#xE7;os frut&#xED;feros para a constru&#xE7;&#xE3;o e&#xA0; perpetua&#xE7;&#xE3;o de toda sorte de debate pol&#xED;tico. Se as elei&#xE7;&#xF5;es de 2018 nos ensinaram algo foi que tanto candidatos a cargos p&#xFA;blicos quanto (poss&#xED;veis) eleitores est&#xE3;o cientes da&#xA0; relev&#xE2;ncia que as m&#xED;dias sociais possuem em contextos de escolha de novos representantes nacionais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Hoje, quase dois anos ap&#xF3;s as elei&#xE7;&#xF5;es de 2018 e em um contexto de crise internacional, &#xE9; poss&#xED;vel perceber que os debates acalourados n&#xE3;o cessaram. Na verdade, eles continuam firmes e fortes, se abastecendo de uma multiplicidade de textos e discursos que circulam incessantemente.&#xA0;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tomemos, por exemplo, a rede social Facebook. Esta, amplamente utilizada no Brasil,&#xA0; possui diversos recursos (j&#xE1; conhecidos por seus usu&#xE1;rios): &#xE9; poss&#xED;vel fazer publica&#xE7;&#xF5;es com&#xA0; imagens e v&#xED;deos em anexo, comentar nas postagens de amigos e\/ou figuras p&#xFA;blicas ou ainda compartilhar publica&#xE7;&#xF5;es de outras pessoas em nossas pr&#xF3;prias p&#xE1;ginas. Al&#xE9;m disso, a rede frequentemente serve como terreno para a avalia&#xE7;&#xE3;o de pessoas, coisas e comportamentos com base em crit&#xE9;rios est&#xE9;ticos, morais e &#xE9;ticos, por exemplo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Considerando essas caracter&#xED;sticas, proponho um olhar sobre os embates discursivos&#xA0; que v&#xEA;m ocorrendo na p&#xE1;gina oficial de Jair Bolsonaro no Facebook. Explicitamente contra as medidas propostas pela OMS, o presidente brasileiro eleito se apresenta a favor do fim do distanciamento social e&#xA0;<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=oXq_-TO_Er8\">endossa o uso de certos medicamentos<\/a>&#xA0;como meio de conten&#xE7;&#xE3;o da doen&#xE7;a,&#xA0;<a href=\"https:\/\/oglobo.globo.com\/sociedade\/oms-suspende-testes-com-hidroxicloroquina-contra-covid-19-1-24484219\">apesar da falta de estudos com resultados conclusivos acerca da efic&#xE1;cia dos mesmos<\/a>.&#xA0;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando publicado no Facebook,&#xA0;<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=Vl_DYb-XaAE\">o primeiro pronunciamento do presidente acerca do Covid-19<\/a>&#xA0;gerou uma vasta gama de coment&#xE1;rios como resposta. Estes resgata(ra)m (inter)textos que j&#xE1; circulavam, (re-)contextualizando-os em novas intera&#xE7;&#xF5;es. Esses intertextos normalmente se caracterizam como mini-narrativas.&#xA0;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De forma geral, pode-se perceber um movimento duplo e ambivalente: de um lado, h&#xE1; eleitores que apoiam o presidente e suas ideias; do outro, cidad&#xE3;os que criticam Bolsonaro e suas propostas. Muitos deles trazem, inclusive, discursos de arrependimento da escolha deste candidato &#xE0; presid&#xEA;ncia.&#xA0;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Proponho que olhemos para alguns desses coment&#xE1;rios com o objetivo de entender como se d&#xE1; a constru&#xE7;&#xE3;o discursiva desse arrependimento. Quais pistas lingu&#xED;sticas os agentes&#xA0; envolvidos no evento discursivo mobilizam ao se posicionarem? Quais s&#xE3;o os efeitos de tal posicionamento?&#xA0;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Este contato com coment&#xE1;rios ser&#xE1; articulado a partir de alguns conceitos propostos por Wortham (2001). Tais conceitos ajudam na compreens&#xE3;o de que a realidade que nos cerca n&#xE3;o &#xE9; dada ou previamente estabelecida, mas discursivamente constru&#xED;da. Aqui, mobilizarei basicamente dois conceitos:&#xA0;<a href=\"https:\/\/poslaplicada.letras.ufrj.br\/contxt\/glossario\/?g=refer%C3%AAncia\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><a class=\"glossaryLink\"  aria-describedby=\"tt\"  data-cmtooltip=\"&lt;div class=glossaryItemTitle&gt;Refer&ecirc;ncia&lt;\/div&gt;&lt;div class=glossaryItemBody&gt;&amp;lt;!-- wp:paragraph --&amp;gt;Refer&ecirc;ncia &eacute; o mecanismo atrav&eacute;s do qual sujeitos indicam, no e pelo uso da linguagem, sinalizam, se referem a elementos do mundo social em suas narrativas.&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:paragraph --&amp;gt;&amp;lt;!-- wp:paragraph --&amp;gt;Confira o conceito em CONTXT(O) em &amp;lt;a href=&amp;quot;https:\/\/poslaplicada.letras.ufrj.br\/contxt\/novo\/a-retorica-do-arrependimento\/&amp;quot;&amp;gt;A ret&oacute;rica do arrependimento&amp;lt;\/a&amp;gt;.&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:paragraph --&amp;gt;&lt;\/div&gt;\"  href=\"https:\/\/poslaplicada.letras.ufrj.br\/contxt\/glossary\/referencia\/\"  data-gt-translate-attributes='[{\"attribute\":\"data-cmtooltip\", \"format\":\"html\"}]'  tabindex='0' role='link'>refer&ecirc;ncia<\/a><\/a>&#xA0;e&#xA0;<a href=\"https:\/\/poslaplicada.letras.ufrj.br\/contxt\/glossario\/?g=predica%C3%A7%C3%A3o\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><a class=\"glossaryLink\"  aria-describedby=\"tt\"  data-cmtooltip=\"&lt;div class=glossaryItemTitle&gt;Predica&ccedil;&atilde;o&lt;\/div&gt;&lt;div class=glossaryItemBody&gt;&amp;lt;!-- wp:paragraph --&amp;gt;Predica&ccedil;&atilde;o &eacute; o mecanismo atrav&eacute;s do qual sujeitos caracterizam, no e pelo uso da linguagem, e se posicionam quanto aos elementos referidos em suas narrativas.&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:paragraph --&amp;gt;&amp;lt;!-- wp:paragraph --&amp;gt;Confira o conceito em CONTXT(O) em &amp;lt;a href=&amp;quot;https:\/\/poslaplicada.letras.ufrj.br\/contxt\/novo\/a-retorica-do-arrependimento\/&amp;quot;&amp;gt;A ret&oacute;rica do arrependimento&amp;lt;\/a&amp;gt;.&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:paragraph --&amp;gt;&lt;\/div&gt;\"  href=\"https:\/\/poslaplicada.letras.ufrj.br\/contxt\/glossary\/predicacao\/\"  data-gt-translate-attributes='[{\"attribute\":\"data-cmtooltip\", \"format\":\"html\"}]'  tabindex='0' role='link'>predica&ccedil;&atilde;o<\/a><\/a>. Enquanto o primeiro indica os objetos do mundo material referidos (e reconstru&#xED;dos) no texto, o segundo caracteriza tais objetos (apontando para esta din&#xE2;mica de reconstru&#xE7;&#xE3;o incessante).&#xA0;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A forma como cada um desses conceitos sustenta esta pequena investiga&#xE7;&#xE3;o poder&#xE1; ser percebida ao longo das an&#xE1;lises propostas a partir de tr&#xEA;s coment&#xE1;rios selecionados a seguir. Apesar de os coment&#xE1;rios serem p&#xFA;blicos, os nomes dos participantes foram alterados e seus avatares, apagados, a fim de preservar identidades.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dito isso, direcionemos nosso foco para o coment&#xE1;rio de Maur&#xED;cio, uma resposta direta &#xE0; publica&#xE7;&#xE3;o do primeiro pronunciamento do presidente acerca do Covid-19:&#xA0;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Maur&#xED;cio disse&#x2026;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"500\" src=\"http:\/\/localhost\/Clientes\/Contxt\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/pasted-image-0-1024x500.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-223\" srcset=\"https:\/\/poslaplicada.letras.ufrj.br\/contxt\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/pasted-image-0-1024x500.png 1024w, https:\/\/poslaplicada.letras.ufrj.br\/contxt\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/pasted-image-0-300x146.png 300w, https:\/\/poslaplicada.letras.ufrj.br\/contxt\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/pasted-image-0-768x375.png 768w, https:\/\/poslaplicada.letras.ufrj.br\/contxt\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/pasted-image-0.png 1242w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por meio do <a class=\"glossaryLink\"  aria-describedby=\"tt\"  data-cmtooltip=\"&lt;div class=glossaryItemTitle&gt;Signo&lt;\/div&gt;&lt;div class=glossaryItemBody&gt;&amp;lt;!-- wp:paragraph --&amp;gt;A unidade fundamental da significa&ccedil;&atilde;o. O signo aponta, ao mesmo tempo, para uma &amp;quot;coisa&rdquo; e para o significado de tal &amp;quot;coisa&rdquo;. Qualquer coisa pode ser um signo (um elemento do mundo f&iacute;sico, um pensamento, uma palavra, um som, uma imagem etc.) desde que funcione como um signo, ou seja, desde que estabele&ccedil;a a rela&ccedil;&atilde;o entre pelo menos dois dom&iacute;nios: uma &amp;quot;coisa no mundo&rdquo; e um &amp;quot;significado&rdquo;. Desse modo, o significado para o qual aponta &eacute; predominantemente circunstancial (ou indicial), pois ele &eacute; constru&iacute;do na rela&ccedil;&atilde;o que as pessoas estabelecem entre &amp;quot;coisas&rdquo; existentes e as significa&ccedil;&otilde;es poss&iacute;veis. O signo nunca possui &amp;quot;o&rdquo; significado em si, mas ele estabelece as rela&ccedil;&otilde;es de sentido entre &amp;quot;as coisas no mundo&rdquo; e outros signos, que tamb&eacute;m existem em rela&ccedil;&otilde;es semi&oacute;ticas. Entretanto, h&aacute; signos que possuem rela&ccedil;&otilde;es com certos significados que s&atilde;o altamente estabilizadas. &Eacute; o caso dos signos simb&oacute;licos (a bandeira do Brasil simboliza o pa&iacute;s Brasil, pois assim foi institu&iacute;da para ser tal s&iacute;mbolo) e dos signos ic&ocirc;nicos (Mona Lisa &eacute; um &iacute;cone da arte renascentista, pois ela representa o que h&aacute; de mais peculiar nesse per&iacute;odo art&iacute;stico). Ainda assim, mesmo esses signos, a depender da rela&ccedil;&atilde;o circunstancial em que s&atilde;o utilizados, podem indicar novas significa&ccedil;&otilde;es.&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:paragraph --&amp;gt;&amp;lt;!-- wp:paragraph --&amp;gt;Confira o conceito em CONTXT(O) em &amp;lt;a href=&amp;quot;https:\/\/poslaplicada.letras.ufrj.br\/contxt\/novo\/teseu-19\/&amp;quot;&amp;gt;Teseu-19&amp;lt;\/a&amp;gt;.&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:paragraph --&amp;gt;&lt;\/div&gt;\"  href=\"https:\/\/poslaplicada.letras.ufrj.br\/contxt\/glossary\/signo\/\"  data-gt-translate-attributes='[{\"attribute\":\"data-cmtooltip\", \"format\":\"html\"}]'  tabindex='0' role='link'>signo<\/a> lingu&iacute;stico &ldquo;n&oacute;s&rdquo;, Maur&iacute;cio faz <a class=\"glossaryLink\"  aria-describedby=\"tt\"  data-cmtooltip=\"&lt;div class=glossaryItemTitle&gt;Refer&ecirc;ncia&lt;\/div&gt;&lt;div class=glossaryItemBody&gt;&amp;lt;!-- wp:paragraph --&amp;gt;Refer&ecirc;ncia &eacute; o mecanismo atrav&eacute;s do qual sujeitos indicam, no e pelo uso da linguagem, sinalizam, se referem a elementos do mundo social em suas narrativas.&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:paragraph --&amp;gt;&amp;lt;!-- wp:paragraph --&amp;gt;Confira o conceito em CONTXT(O) em &amp;lt;a href=&amp;quot;https:\/\/poslaplicada.letras.ufrj.br\/contxt\/novo\/a-retorica-do-arrependimento\/&amp;quot;&amp;gt;A ret&oacute;rica do arrependimento&amp;lt;\/a&amp;gt;.&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:paragraph --&amp;gt;&lt;\/div&gt;\"  href=\"https:\/\/poslaplicada.letras.ufrj.br\/contxt\/glossary\/referencia\/\"  data-gt-translate-attributes='[{\"attribute\":\"data-cmtooltip\", \"format\":\"html\"}]'  tabindex='0' role='link'>refer&ecirc;ncia<\/a> a &ndash; ao mesmo tempo em que cria &ndash; um grupo imaginado e constitu&iacute;do no e pelo <a class=\"glossaryLink\"  aria-describedby=\"tt\"  data-cmtooltip=\"&lt;div class=glossaryItemTitle&gt;Discurso&lt;\/div&gt;&lt;div class=glossaryItemBody&gt;&amp;lt;!-- wp:paragraph --&amp;gt;O conceito de discurso &eacute; empregado diferentemente, em variadas tradi&ccedil;&otilde;es, a depender da filia&ccedil;&atilde;o a &aacute;reas de estudo e correntes de pensamento. Este verbete reconstr&oacute;i duas conhecidas no&ccedil;&otilde;es de discurso, segundo Michel Foucault, no campo hist&oacute;rico-filos&oacute;fico, e James Paul Gee, nos Estudos da Linguagem.&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:paragraph --&amp;gt;&amp;lt;!-- wp:paragraph --&amp;gt;A no&ccedil;&atilde;o de discurso em Michel Foucault ocupa um lugar central em sua filosofia e est&aacute; diretamente ligada &agrave;s suas an&aacute;lises sobre saber e poder. Em vez de entender o discurso apenas como texto oral ou escrito, Foucault o concebe como um conjunto de pr&aacute;ticas que produzem os objetos de que falam &ndash; coisas, ideias, pessoas, eventos. Ou seja, o discurso n&atilde;o apenas descreve o chamado real: ele o constitui. O discurso &eacute;, assim, uma pr&aacute;tica produtiva que estrutura o campo das possibilidades de exist&ecirc;ncia, organizando e regulando o que pode ser dito, percebido, vivenciado, pensado e tomado como verdade em determinadas conjunturas hist&oacute;ricas. Desse modo, o discurso diz respeito a redes complexas de conhecimento que envolvem saberes e subjetividades atravessados por regimes de poder. Entretanto, o equil&iacute;brio entre esses eixos de for&ccedil;a &eacute; sempre inst&aacute;vel, pois, para Foucault, onde h&aacute; poder, h&aacute; resist&ecirc;ncia. Portanto, apesar da inseparabilidade entre discurso, sujeito, saber e poder, vazamentos, transgress&otilde;es e transforma&ccedil;&otilde;es podem sempre ocorrer.&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:paragraph --&amp;gt;&amp;lt;!-- wp:paragraph --&amp;gt;J&aacute; o linguista James Paul Gee diferencia discurso e Discurso, grafados com &amp;quot;d&rdquo; min&uacute;sculo e &amp;quot;D&rdquo; mai&uacute;sculo, respectivamente. O primeiro diz respeito &agrave; atividade discursiva, na qual empregamos signos lingu&iacute;sticos e n&atilde;o lingu&iacute;sticos em nossas intera&ccedil;&otilde;es di&aacute;rias. Trata-se de uma perspectiva sociolingu&iacute;stica e pragm&aacute;tica que focaliza a linguagem em uso nos diferentes contextos da vida social e os sentidos ali produzidos. As pr&aacute;ticas linguageiras, por&eacute;m, n&atilde;o ocorrem isoladamente. Elas resultam de m&uacute;ltiplas combina&ccedil;&otilde;es integradas de modos de comunicar, interagir, pensar, perceber, crer, valorar e sentir, que constituem um tipo espec&iacute;fico de identidade socialmente reconhec&iacute;vel. Gee nomeia esse fen&ocirc;meno &amp;quot;Discursos&rdquo; (com &amp;quot;D&rdquo; mai&uacute;sculo), isto &eacute;, sistemas de ideias e modos de pensamento que orientam a forma como performamos e utilizamos signos, palavras, imagens e outros recursos &mdash; o discurso (com &amp;quot;d&rdquo; min&uacute;sculo). Discurso e discurso s&atilde;o, por conseguinte, indissoci&aacute;veis, o que permite abordar o d\/Discurso como pr&aacute;tica social que define e orienta paradigmas socioculturais.&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:paragraph --&amp;gt;&amp;lt;!-- wp:paragraph --&amp;gt;Pode-se articular, ent&atilde;o, um ponto em comum entre James Paul Gee e Michel Foucault: o discurso n&atilde;o &eacute; apenas linguagem, mas configura-se como pr&aacute;tica social produtora de identidades, posi&ccedil;&otilde;es de sujeito e rela&ccedil;&otilde;es de poder.&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:paragraph --&amp;gt;&amp;lt;!-- wp:paragraph --&amp;gt;&amp;lt;strong&amp;gt;Para saber mais ...&amp;lt;\/strong&amp;gt;&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:paragraph --&amp;gt;&amp;lt;!-- wp:paragraph --&amp;gt;Foucault, Michel. &amp;lt;em&amp;gt;A ordem do discurso: Aula inaugural no Coll&egrave;ge de France, pronunciada em 2 de dezembro de 1970.&amp;lt;\/em&amp;gt; S&atilde;o Paulo: Edi&ccedil;&otilde;es Loyola, 1996. Tradu&ccedil;&atilde;o de Laura Fraga de Almeida Sampaio.&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:paragraph --&amp;gt;&amp;lt;!-- wp:paragraph --&amp;gt;Foucault, Michel. As forma&ccedil;&otilde;es discursivas. &amp;lt;em&amp;gt;A arqueologia do saber&amp;lt;\/em&amp;gt;. 7. ed. Rio de Janeiro: Forense Universit&aacute;ria, 2008.Gee, James Paul&amp;lt;strong&amp;gt;.&amp;lt;\/strong&amp;gt;&amp;lt;em&amp;gt;An Introduction to Discourse Analysis: Theory and Method.&amp;lt;\/em&amp;gt; 4&ordf; ed. London; New York: Routledge, 2014.&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:paragraph --&amp;gt;&amp;lt;!-- wp:paragraph --&amp;gt;Confira o conceito em CONTXT(O): &amp;lt;a href=&amp;quot;https:\/\/poslaplicada.letras.ufrj.br\/contxt\/o-terrorismo-no-discurso\/&amp;quot;&amp;gt;O terrorismo no discurso&amp;lt;\/a&amp;gt;.&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:paragraph --&amp;gt;&lt;\/div&gt;\"  href=\"https:\/\/poslaplicada.letras.ufrj.br\/contxt\/glossary\/discurso\/\"  data-gt-translate-attributes='[{\"attribute\":\"data-cmtooltip\", \"format\":\"html\"}]'  tabindex='0' role='link'>discurso<\/a>. Este grupo n&atilde;o &eacute; detalhadamente delimitado; podemos interpretar &ldquo;n&oacute;s&rdquo; como <a class=\"glossaryLink\"  aria-describedby=\"tt\"  data-cmtooltip=\"&lt;div class=glossaryItemTitle&gt;Refer&ecirc;ncia&lt;\/div&gt;&lt;div class=glossaryItemBody&gt;&amp;lt;!-- wp:paragraph --&amp;gt;Refer&ecirc;ncia &eacute; o mecanismo atrav&eacute;s do qual sujeitos indicam, no e pelo uso da linguagem, sinalizam, se referem a elementos do mundo social em suas narrativas.&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:paragraph --&amp;gt;&amp;lt;!-- wp:paragraph --&amp;gt;Confira o conceito em CONTXT(O) em &amp;lt;a href=&amp;quot;https:\/\/poslaplicada.letras.ufrj.br\/contxt\/novo\/a-retorica-do-arrependimento\/&amp;quot;&amp;gt;A ret&oacute;rica do arrependimento&amp;lt;\/a&amp;gt;.&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:paragraph --&amp;gt;&lt;\/div&gt;\"  href=\"https:\/\/poslaplicada.letras.ufrj.br\/contxt\/glossary\/referencia\/\"  data-gt-translate-attributes='[{\"attribute\":\"data-cmtooltip\", \"format\":\"html\"}]'  tabindex='0' role='link'>refer&ecirc;ncia<\/a> ao chamado povo brasileiro. Essa categoria &eacute; predicada como &ldquo;inteligentes&rdquo; e &ldquo;o oposto&rdquo;. Por um lado, ao predicar esse &ldquo;n&oacute;s&rdquo; imagin&aacute;rio como &ldquo;inteligentes&rdquo;, Maur&iacute;cio se inclui nesse grupo, produzindo uma justificativa para seu voto no presidente. Pode-se afirmar ent&atilde;o que Maur&iacute;cio predica a si mesmo como inteligente. Por outro lado, o mesmo <a class=\"glossaryLink\"  aria-describedby=\"tt\"  data-cmtooltip=\"&lt;div class=glossaryItemTitle&gt;Signo&lt;\/div&gt;&lt;div class=glossaryItemBody&gt;&amp;lt;!-- wp:paragraph --&amp;gt;A unidade fundamental da significa&ccedil;&atilde;o. O signo aponta, ao mesmo tempo, para uma &amp;quot;coisa&rdquo; e para o significado de tal &amp;quot;coisa&rdquo;. Qualquer coisa pode ser um signo (um elemento do mundo f&iacute;sico, um pensamento, uma palavra, um som, uma imagem etc.) desde que funcione como um signo, ou seja, desde que estabele&ccedil;a a rela&ccedil;&atilde;o entre pelo menos dois dom&iacute;nios: uma &amp;quot;coisa no mundo&rdquo; e um &amp;quot;significado&rdquo;. Desse modo, o significado para o qual aponta &eacute; predominantemente circunstancial (ou indicial), pois ele &eacute; constru&iacute;do na rela&ccedil;&atilde;o que as pessoas estabelecem entre &amp;quot;coisas&rdquo; existentes e as significa&ccedil;&otilde;es poss&iacute;veis. O signo nunca possui &amp;quot;o&rdquo; significado em si, mas ele estabelece as rela&ccedil;&otilde;es de sentido entre &amp;quot;as coisas no mundo&rdquo; e outros signos, que tamb&eacute;m existem em rela&ccedil;&otilde;es semi&oacute;ticas. Entretanto, h&aacute; signos que possuem rela&ccedil;&otilde;es com certos significados que s&atilde;o altamente estabilizadas. &Eacute; o caso dos signos simb&oacute;licos (a bandeira do Brasil simboliza o pa&iacute;s Brasil, pois assim foi institu&iacute;da para ser tal s&iacute;mbolo) e dos signos ic&ocirc;nicos (Mona Lisa &eacute; um &iacute;cone da arte renascentista, pois ela representa o que h&aacute; de mais peculiar nesse per&iacute;odo art&iacute;stico). Ainda assim, mesmo esses signos, a depender da rela&ccedil;&atilde;o circunstancial em que s&atilde;o utilizados, podem indicar novas significa&ccedil;&otilde;es.&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:paragraph --&amp;gt;&amp;lt;!-- wp:paragraph --&amp;gt;Confira o conceito em CONTXT(O) em &amp;lt;a href=&amp;quot;https:\/\/poslaplicada.letras.ufrj.br\/contxt\/novo\/teseu-19\/&amp;quot;&amp;gt;Teseu-19&amp;lt;\/a&amp;gt;.&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:paragraph --&amp;gt;&lt;\/div&gt;\"  href=\"https:\/\/poslaplicada.letras.ufrj.br\/contxt\/glossary\/signo\/\"  data-gt-translate-attributes='[{\"attribute\":\"data-cmtooltip\", \"format\":\"html\"}]'  tabindex='0' role='link'>signo<\/a> lingu&iacute;stico &ldquo;n&oacute;s&rdquo; &eacute; predicado como &ldquo;o oposto&rdquo;.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Cria-se assim uma divis&atilde;o dentro do grupo imaginado: os integrantes inteligentes e aqueles que s&atilde;o o oposto disso. Tal movimento &eacute; t&iacute;pico da ambiguidade da linguagem e mostra como o pronome pessoal usado para a primeira pessoa do plural ao mesmo tempo inclui e exclui o &ldquo;eu&rdquo; que o enuncia, estando cada <a class=\"glossaryLink\"  aria-describedby=\"tt\"  data-cmtooltip=\"&lt;div class=glossaryItemTitle&gt;Predica&ccedil;&atilde;o&lt;\/div&gt;&lt;div class=glossaryItemBody&gt;&amp;lt;!-- wp:paragraph --&amp;gt;Predica&ccedil;&atilde;o &eacute; o mecanismo atrav&eacute;s do qual sujeitos caracterizam, no e pelo uso da linguagem, e se posicionam quanto aos elementos referidos em suas narrativas.&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:paragraph --&amp;gt;&amp;lt;!-- wp:paragraph --&amp;gt;Confira o conceito em CONTXT(O) em &amp;lt;a href=&amp;quot;https:\/\/poslaplicada.letras.ufrj.br\/contxt\/novo\/a-retorica-do-arrependimento\/&amp;quot;&amp;gt;A ret&oacute;rica do arrependimento&amp;lt;\/a&amp;gt;.&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:paragraph --&amp;gt;&lt;\/div&gt;\"  href=\"https:\/\/poslaplicada.letras.ufrj.br\/contxt\/glossary\/predicacao\/\"  data-gt-translate-attributes='[{\"attribute\":\"data-cmtooltip\", \"format\":\"html\"}]'  tabindex='0' role='link'>predica&ccedil;&atilde;o<\/a> relacionada a atividades espec&iacute;ficas &ndash; &ldquo;aprendemos com os erros dos outros&rdquo; e &ldquo;cometemos o mesmo erro&rdquo;, respectivamente.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa din&acirc;mica de <a class=\"glossaryLink\"  aria-describedby=\"tt\"  data-cmtooltip=\"&lt;div class=glossaryItemTitle&gt;Refer&ecirc;ncia&lt;\/div&gt;&lt;div class=glossaryItemBody&gt;&amp;lt;!-- wp:paragraph --&amp;gt;Refer&ecirc;ncia &eacute; o mecanismo atrav&eacute;s do qual sujeitos indicam, no e pelo uso da linguagem, sinalizam, se referem a elementos do mundo social em suas narrativas.&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:paragraph --&amp;gt;&amp;lt;!-- wp:paragraph --&amp;gt;Confira o conceito em CONTXT(O) em &amp;lt;a href=&amp;quot;https:\/\/poslaplicada.letras.ufrj.br\/contxt\/novo\/a-retorica-do-arrependimento\/&amp;quot;&amp;gt;A ret&oacute;rica do arrependimento&amp;lt;\/a&amp;gt;.&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:paragraph --&amp;gt;&lt;\/div&gt;\"  href=\"https:\/\/poslaplicada.letras.ufrj.br\/contxt\/glossary\/referencia\/\"  data-gt-translate-attributes='[{\"attribute\":\"data-cmtooltip\", \"format\":\"html\"}]'  tabindex='0' role='link'>refer&ecirc;ncia<\/a> e <a class=\"glossaryLink\"  aria-describedby=\"tt\"  data-cmtooltip=\"&lt;div class=glossaryItemTitle&gt;Predica&ccedil;&atilde;o&lt;\/div&gt;&lt;div class=glossaryItemBody&gt;&amp;lt;!-- wp:paragraph --&amp;gt;Predica&ccedil;&atilde;o &eacute; o mecanismo atrav&eacute;s do qual sujeitos caracterizam, no e pelo uso da linguagem, e se posicionam quanto aos elementos referidos em suas narrativas.&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:paragraph --&amp;gt;&amp;lt;!-- wp:paragraph --&amp;gt;Confira o conceito em CONTXT(O) em &amp;lt;a href=&amp;quot;https:\/\/poslaplicada.letras.ufrj.br\/contxt\/novo\/a-retorica-do-arrependimento\/&amp;quot;&amp;gt;A ret&oacute;rica do arrependimento&amp;lt;\/a&amp;gt;.&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:paragraph --&amp;gt;&lt;\/div&gt;\"  href=\"https:\/\/poslaplicada.letras.ufrj.br\/contxt\/glossary\/predicacao\/\"  data-gt-translate-attributes='[{\"attribute\":\"data-cmtooltip\", \"format\":\"html\"}]'  tabindex='0' role='link'>predica&ccedil;&atilde;o<\/a> sinaliza o posicionamento constru&iacute;do por&nbsp; Maur&iacute;cio como contr&aacute;rio &agrave;s ideias apresentadas no pronunciamento de Jair Bolsonaro em 24 de mar&ccedil;o de 2020. A <a class=\"glossaryLink\"  aria-describedby=\"tt\"  data-cmtooltip=\"&lt;div class=glossaryItemTitle&gt;Refer&ecirc;ncia&lt;\/div&gt;&lt;div class=glossaryItemBody&gt;&amp;lt;!-- wp:paragraph --&amp;gt;Refer&ecirc;ncia &eacute; o mecanismo atrav&eacute;s do qual sujeitos indicam, no e pelo uso da linguagem, sinalizam, se referem a elementos do mundo social em suas narrativas.&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:paragraph --&amp;gt;&amp;lt;!-- wp:paragraph --&amp;gt;Confira o conceito em CONTXT(O) em &amp;lt;a href=&amp;quot;https:\/\/poslaplicada.letras.ufrj.br\/contxt\/novo\/a-retorica-do-arrependimento\/&amp;quot;&amp;gt;A ret&oacute;rica do arrependimento&amp;lt;\/a&amp;gt;.&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:paragraph --&amp;gt;&lt;\/div&gt;\"  href=\"https:\/\/poslaplicada.letras.ufrj.br\/contxt\/glossary\/referencia\/\"  data-gt-translate-attributes='[{\"attribute\":\"data-cmtooltip\", \"format\":\"html\"}]'  tabindex='0' role='link'>refer&ecirc;ncia<\/a> &ldquo;insatisfa&ccedil;&atilde;o&rdquo; predicada como &ldquo;pura&rdquo; aponta para a ret&oacute;rica de arrependimento constru&iacute;da no evento discursivo. Conforme as palavras precipitam no <a class=\"glossaryLink\"  aria-describedby=\"tt\"  data-cmtooltip=\"&lt;div class=glossaryItemTitle&gt;Discurso&lt;\/div&gt;&lt;div class=glossaryItemBody&gt;&amp;lt;!-- wp:paragraph --&amp;gt;O conceito de discurso &eacute; empregado diferentemente, em variadas tradi&ccedil;&otilde;es, a depender da filia&ccedil;&atilde;o a &aacute;reas de estudo e correntes de pensamento. Este verbete reconstr&oacute;i duas conhecidas no&ccedil;&otilde;es de discurso, segundo Michel Foucault, no campo hist&oacute;rico-filos&oacute;fico, e James Paul Gee, nos Estudos da Linguagem.&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:paragraph --&amp;gt;&amp;lt;!-- wp:paragraph --&amp;gt;A no&ccedil;&atilde;o de discurso em Michel Foucault ocupa um lugar central em sua filosofia e est&aacute; diretamente ligada &agrave;s suas an&aacute;lises sobre saber e poder. Em vez de entender o discurso apenas como texto oral ou escrito, Foucault o concebe como um conjunto de pr&aacute;ticas que produzem os objetos de que falam &ndash; coisas, ideias, pessoas, eventos. Ou seja, o discurso n&atilde;o apenas descreve o chamado real: ele o constitui. O discurso &eacute;, assim, uma pr&aacute;tica produtiva que estrutura o campo das possibilidades de exist&ecirc;ncia, organizando e regulando o que pode ser dito, percebido, vivenciado, pensado e tomado como verdade em determinadas conjunturas hist&oacute;ricas. Desse modo, o discurso diz respeito a redes complexas de conhecimento que envolvem saberes e subjetividades atravessados por regimes de poder. Entretanto, o equil&iacute;brio entre esses eixos de for&ccedil;a &eacute; sempre inst&aacute;vel, pois, para Foucault, onde h&aacute; poder, h&aacute; resist&ecirc;ncia. Portanto, apesar da inseparabilidade entre discurso, sujeito, saber e poder, vazamentos, transgress&otilde;es e transforma&ccedil;&otilde;es podem sempre ocorrer.&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:paragraph --&amp;gt;&amp;lt;!-- wp:paragraph --&amp;gt;J&aacute; o linguista James Paul Gee diferencia discurso e Discurso, grafados com &amp;quot;d&rdquo; min&uacute;sculo e &amp;quot;D&rdquo; mai&uacute;sculo, respectivamente. O primeiro diz respeito &agrave; atividade discursiva, na qual empregamos signos lingu&iacute;sticos e n&atilde;o lingu&iacute;sticos em nossas intera&ccedil;&otilde;es di&aacute;rias. Trata-se de uma perspectiva sociolingu&iacute;stica e pragm&aacute;tica que focaliza a linguagem em uso nos diferentes contextos da vida social e os sentidos ali produzidos. As pr&aacute;ticas linguageiras, por&eacute;m, n&atilde;o ocorrem isoladamente. Elas resultam de m&uacute;ltiplas combina&ccedil;&otilde;es integradas de modos de comunicar, interagir, pensar, perceber, crer, valorar e sentir, que constituem um tipo espec&iacute;fico de identidade socialmente reconhec&iacute;vel. Gee nomeia esse fen&ocirc;meno &amp;quot;Discursos&rdquo; (com &amp;quot;D&rdquo; mai&uacute;sculo), isto &eacute;, sistemas de ideias e modos de pensamento que orientam a forma como performamos e utilizamos signos, palavras, imagens e outros recursos &mdash; o discurso (com &amp;quot;d&rdquo; min&uacute;sculo). Discurso e discurso s&atilde;o, por conseguinte, indissoci&aacute;veis, o que permite abordar o d\/Discurso como pr&aacute;tica social que define e orienta paradigmas socioculturais.&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:paragraph --&amp;gt;&amp;lt;!-- wp:paragraph --&amp;gt;Pode-se articular, ent&atilde;o, um ponto em comum entre James Paul Gee e Michel Foucault: o discurso n&atilde;o &eacute; apenas linguagem, mas configura-se como pr&aacute;tica social produtora de identidades, posi&ccedil;&otilde;es de sujeito e rela&ccedil;&otilde;es de poder.&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:paragraph --&amp;gt;&amp;lt;!-- wp:paragraph --&amp;gt;&amp;lt;strong&amp;gt;Para saber mais ...&amp;lt;\/strong&amp;gt;&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:paragraph --&amp;gt;&amp;lt;!-- wp:paragraph --&amp;gt;Foucault, Michel. &amp;lt;em&amp;gt;A ordem do discurso: Aula inaugural no Coll&egrave;ge de France, pronunciada em 2 de dezembro de 1970.&amp;lt;\/em&amp;gt; S&atilde;o Paulo: Edi&ccedil;&otilde;es Loyola, 1996. Tradu&ccedil;&atilde;o de Laura Fraga de Almeida Sampaio.&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:paragraph --&amp;gt;&amp;lt;!-- wp:paragraph --&amp;gt;Foucault, Michel. As forma&ccedil;&otilde;es discursivas. &amp;lt;em&amp;gt;A arqueologia do saber&amp;lt;\/em&amp;gt;. 7. ed. Rio de Janeiro: Forense Universit&aacute;ria, 2008.Gee, James Paul&amp;lt;strong&amp;gt;.&amp;lt;\/strong&amp;gt;&amp;lt;em&amp;gt;An Introduction to Discourse Analysis: Theory and Method.&amp;lt;\/em&amp;gt; 4&ordf; ed. London; New York: Routledge, 2014.&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:paragraph --&amp;gt;&amp;lt;!-- wp:paragraph --&amp;gt;Confira o conceito em CONTXT(O): &amp;lt;a href=&amp;quot;https:\/\/poslaplicada.letras.ufrj.br\/contxt\/o-terrorismo-no-discurso\/&amp;quot;&amp;gt;O terrorismo no discurso&amp;lt;\/a&amp;gt;.&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:paragraph --&amp;gt;&lt;\/div&gt;\"  href=\"https:\/\/poslaplicada.letras.ufrj.br\/contxt\/glossary\/discurso\/\"  data-gt-translate-attributes='[{\"attribute\":\"data-cmtooltip\", \"format\":\"html\"}]'  tabindex='0' role='link'>discurso<\/a> de Maur&iacute;cio, torna-se poss&iacute;vel ver como sentidos de pertencimento v&atilde;o sendo negociados pelos eleitores do presidente.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outro coment&#xE1;rio ilustrativo dessa complexa dan&#xE7;a entre pertencimento e exclus&#xE3;o, do participante Theo, &#xE9; reconstru&#xED;do a seguir:&#xA0;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Theo disse&#x2026;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"585\" height=\"379\" src=\"http:\/\/localhost\/Clientes\/Contxt\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/pasted-image-0-1.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-224\" srcset=\"https:\/\/poslaplicada.letras.ufrj.br\/contxt\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/pasted-image-0-1.png 585w, https:\/\/poslaplicada.letras.ufrj.br\/contxt\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/pasted-image-0-1-300x194.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 585px) 100vw, 585px\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por um lado, Theo se constr&oacute;i como algu&eacute;m que defende e acredita no presidente; em contrapartida, tamb&eacute;m se posiciona contra o <a class=\"glossaryLink\"  aria-describedby=\"tt\"  data-cmtooltip=\"&lt;div class=glossaryItemTitle&gt;Discurso&lt;\/div&gt;&lt;div class=glossaryItemBody&gt;&amp;lt;!-- wp:paragraph --&amp;gt;O conceito de discurso &eacute; empregado diferentemente, em variadas tradi&ccedil;&otilde;es, a depender da filia&ccedil;&atilde;o a &aacute;reas de estudo e correntes de pensamento. Este verbete reconstr&oacute;i duas conhecidas no&ccedil;&otilde;es de discurso, segundo Michel Foucault, no campo hist&oacute;rico-filos&oacute;fico, e James Paul Gee, nos Estudos da Linguagem.&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:paragraph --&amp;gt;&amp;lt;!-- wp:paragraph --&amp;gt;A no&ccedil;&atilde;o de discurso em Michel Foucault ocupa um lugar central em sua filosofia e est&aacute; diretamente ligada &agrave;s suas an&aacute;lises sobre saber e poder. Em vez de entender o discurso apenas como texto oral ou escrito, Foucault o concebe como um conjunto de pr&aacute;ticas que produzem os objetos de que falam &ndash; coisas, ideias, pessoas, eventos. Ou seja, o discurso n&atilde;o apenas descreve o chamado real: ele o constitui. O discurso &eacute;, assim, uma pr&aacute;tica produtiva que estrutura o campo das possibilidades de exist&ecirc;ncia, organizando e regulando o que pode ser dito, percebido, vivenciado, pensado e tomado como verdade em determinadas conjunturas hist&oacute;ricas. Desse modo, o discurso diz respeito a redes complexas de conhecimento que envolvem saberes e subjetividades atravessados por regimes de poder. Entretanto, o equil&iacute;brio entre esses eixos de for&ccedil;a &eacute; sempre inst&aacute;vel, pois, para Foucault, onde h&aacute; poder, h&aacute; resist&ecirc;ncia. Portanto, apesar da inseparabilidade entre discurso, sujeito, saber e poder, vazamentos, transgress&otilde;es e transforma&ccedil;&otilde;es podem sempre ocorrer.&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:paragraph --&amp;gt;&amp;lt;!-- wp:paragraph --&amp;gt;J&aacute; o linguista James Paul Gee diferencia discurso e Discurso, grafados com &amp;quot;d&rdquo; min&uacute;sculo e &amp;quot;D&rdquo; mai&uacute;sculo, respectivamente. O primeiro diz respeito &agrave; atividade discursiva, na qual empregamos signos lingu&iacute;sticos e n&atilde;o lingu&iacute;sticos em nossas intera&ccedil;&otilde;es di&aacute;rias. Trata-se de uma perspectiva sociolingu&iacute;stica e pragm&aacute;tica que focaliza a linguagem em uso nos diferentes contextos da vida social e os sentidos ali produzidos. As pr&aacute;ticas linguageiras, por&eacute;m, n&atilde;o ocorrem isoladamente. Elas resultam de m&uacute;ltiplas combina&ccedil;&otilde;es integradas de modos de comunicar, interagir, pensar, perceber, crer, valorar e sentir, que constituem um tipo espec&iacute;fico de identidade socialmente reconhec&iacute;vel. Gee nomeia esse fen&ocirc;meno &amp;quot;Discursos&rdquo; (com &amp;quot;D&rdquo; mai&uacute;sculo), isto &eacute;, sistemas de ideias e modos de pensamento que orientam a forma como performamos e utilizamos signos, palavras, imagens e outros recursos &mdash; o discurso (com &amp;quot;d&rdquo; min&uacute;sculo). Discurso e discurso s&atilde;o, por conseguinte, indissoci&aacute;veis, o que permite abordar o d\/Discurso como pr&aacute;tica social que define e orienta paradigmas socioculturais.&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:paragraph --&amp;gt;&amp;lt;!-- wp:paragraph --&amp;gt;Pode-se articular, ent&atilde;o, um ponto em comum entre James Paul Gee e Michel Foucault: o discurso n&atilde;o &eacute; apenas linguagem, mas configura-se como pr&aacute;tica social produtora de identidades, posi&ccedil;&otilde;es de sujeito e rela&ccedil;&otilde;es de poder.&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:paragraph --&amp;gt;&amp;lt;!-- wp:paragraph --&amp;gt;&amp;lt;strong&amp;gt;Para saber mais ...&amp;lt;\/strong&amp;gt;&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:paragraph --&amp;gt;&amp;lt;!-- wp:paragraph --&amp;gt;Foucault, Michel. &amp;lt;em&amp;gt;A ordem do discurso: Aula inaugural no Coll&egrave;ge de France, pronunciada em 2 de dezembro de 1970.&amp;lt;\/em&amp;gt; S&atilde;o Paulo: Edi&ccedil;&otilde;es Loyola, 1996. Tradu&ccedil;&atilde;o de Laura Fraga de Almeida Sampaio.&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:paragraph --&amp;gt;&amp;lt;!-- wp:paragraph --&amp;gt;Foucault, Michel. As forma&ccedil;&otilde;es discursivas. &amp;lt;em&amp;gt;A arqueologia do saber&amp;lt;\/em&amp;gt;. 7. ed. Rio de Janeiro: Forense Universit&aacute;ria, 2008.Gee, James Paul&amp;lt;strong&amp;gt;.&amp;lt;\/strong&amp;gt;&amp;lt;em&amp;gt;An Introduction to Discourse Analysis: Theory and Method.&amp;lt;\/em&amp;gt; 4&ordf; ed. London; New York: Routledge, 2014.&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:paragraph --&amp;gt;&amp;lt;!-- wp:paragraph --&amp;gt;Confira o conceito em CONTXT(O): &amp;lt;a href=&amp;quot;https:\/\/poslaplicada.letras.ufrj.br\/contxt\/o-terrorismo-no-discurso\/&amp;quot;&amp;gt;O terrorismo no discurso&amp;lt;\/a&amp;gt;.&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:paragraph --&amp;gt;&lt;\/div&gt;\"  href=\"https:\/\/poslaplicada.letras.ufrj.br\/contxt\/glossary\/discurso\/\"  data-gt-translate-attributes='[{\"attribute\":\"data-cmtooltip\", \"format\":\"html\"}]'  tabindex='0' role='link'>discurso<\/a> publicado pelo presidente. A <a class=\"glossaryLink\"  aria-describedby=\"tt\"  data-cmtooltip=\"&lt;div class=glossaryItemTitle&gt;Predica&ccedil;&atilde;o&lt;\/div&gt;&lt;div class=glossaryItemBody&gt;&amp;lt;!-- wp:paragraph --&amp;gt;Predica&ccedil;&atilde;o &eacute; o mecanismo atrav&eacute;s do qual sujeitos caracterizam, no e pelo uso da linguagem, e se posicionam quanto aos elementos referidos em suas narrativas.&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:paragraph --&amp;gt;&amp;lt;!-- wp:paragraph --&amp;gt;Confira o conceito em CONTXT(O) em &amp;lt;a href=&amp;quot;https:\/\/poslaplicada.letras.ufrj.br\/contxt\/novo\/a-retorica-do-arrependimento\/&amp;quot;&amp;gt;A ret&oacute;rica do arrependimento&amp;lt;\/a&amp;gt;.&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:paragraph --&amp;gt;&lt;\/div&gt;\"  href=\"https:\/\/poslaplicada.letras.ufrj.br\/contxt\/glossary\/predicacao\/\"  data-gt-translate-attributes='[{\"attribute\":\"data-cmtooltip\", \"format\":\"html\"}]'  tabindex='0' role='link'>predica&ccedil;&atilde;o<\/a> do &ldquo;<a class=\"glossaryLink\"  aria-describedby=\"tt\"  data-cmtooltip=\"&lt;div class=glossaryItemTitle&gt;Discurso&lt;\/div&gt;&lt;div class=glossaryItemBody&gt;&amp;lt;!-- wp:paragraph --&amp;gt;O conceito de discurso &eacute; empregado diferentemente, em variadas tradi&ccedil;&otilde;es, a depender da filia&ccedil;&atilde;o a &aacute;reas de estudo e correntes de pensamento. Este verbete reconstr&oacute;i duas conhecidas no&ccedil;&otilde;es de discurso, segundo Michel Foucault, no campo hist&oacute;rico-filos&oacute;fico, e James Paul Gee, nos Estudos da Linguagem.&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:paragraph --&amp;gt;&amp;lt;!-- wp:paragraph --&amp;gt;A no&ccedil;&atilde;o de discurso em Michel Foucault ocupa um lugar central em sua filosofia e est&aacute; diretamente ligada &agrave;s suas an&aacute;lises sobre saber e poder. Em vez de entender o discurso apenas como texto oral ou escrito, Foucault o concebe como um conjunto de pr&aacute;ticas que produzem os objetos de que falam &ndash; coisas, ideias, pessoas, eventos. Ou seja, o discurso n&atilde;o apenas descreve o chamado real: ele o constitui. O discurso &eacute;, assim, uma pr&aacute;tica produtiva que estrutura o campo das possibilidades de exist&ecirc;ncia, organizando e regulando o que pode ser dito, percebido, vivenciado, pensado e tomado como verdade em determinadas conjunturas hist&oacute;ricas. Desse modo, o discurso diz respeito a redes complexas de conhecimento que envolvem saberes e subjetividades atravessados por regimes de poder. Entretanto, o equil&iacute;brio entre esses eixos de for&ccedil;a &eacute; sempre inst&aacute;vel, pois, para Foucault, onde h&aacute; poder, h&aacute; resist&ecirc;ncia. Portanto, apesar da inseparabilidade entre discurso, sujeito, saber e poder, vazamentos, transgress&otilde;es e transforma&ccedil;&otilde;es podem sempre ocorrer.&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:paragraph --&amp;gt;&amp;lt;!-- wp:paragraph --&amp;gt;J&aacute; o linguista James Paul Gee diferencia discurso e Discurso, grafados com &amp;quot;d&rdquo; min&uacute;sculo e &amp;quot;D&rdquo; mai&uacute;sculo, respectivamente. O primeiro diz respeito &agrave; atividade discursiva, na qual empregamos signos lingu&iacute;sticos e n&atilde;o lingu&iacute;sticos em nossas intera&ccedil;&otilde;es di&aacute;rias. Trata-se de uma perspectiva sociolingu&iacute;stica e pragm&aacute;tica que focaliza a linguagem em uso nos diferentes contextos da vida social e os sentidos ali produzidos. As pr&aacute;ticas linguageiras, por&eacute;m, n&atilde;o ocorrem isoladamente. Elas resultam de m&uacute;ltiplas combina&ccedil;&otilde;es integradas de modos de comunicar, interagir, pensar, perceber, crer, valorar e sentir, que constituem um tipo espec&iacute;fico de identidade socialmente reconhec&iacute;vel. Gee nomeia esse fen&ocirc;meno &amp;quot;Discursos&rdquo; (com &amp;quot;D&rdquo; mai&uacute;sculo), isto &eacute;, sistemas de ideias e modos de pensamento que orientam a forma como performamos e utilizamos signos, palavras, imagens e outros recursos &mdash; o discurso (com &amp;quot;d&rdquo; min&uacute;sculo). Discurso e discurso s&atilde;o, por conseguinte, indissoci&aacute;veis, o que permite abordar o d\/Discurso como pr&aacute;tica social que define e orienta paradigmas socioculturais.&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:paragraph --&amp;gt;&amp;lt;!-- wp:paragraph --&amp;gt;Pode-se articular, ent&atilde;o, um ponto em comum entre James Paul Gee e Michel Foucault: o discurso n&atilde;o &eacute; apenas linguagem, mas configura-se como pr&aacute;tica social produtora de identidades, posi&ccedil;&otilde;es de sujeito e rela&ccedil;&otilde;es de poder.&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:paragraph --&amp;gt;&amp;lt;!-- wp:paragraph --&amp;gt;&amp;lt;strong&amp;gt;Para saber mais ...&amp;lt;\/strong&amp;gt;&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:paragraph --&amp;gt;&amp;lt;!-- wp:paragraph --&amp;gt;Foucault, Michel. &amp;lt;em&amp;gt;A ordem do discurso: Aula inaugural no Coll&egrave;ge de France, pronunciada em 2 de dezembro de 1970.&amp;lt;\/em&amp;gt; S&atilde;o Paulo: Edi&ccedil;&otilde;es Loyola, 1996. Tradu&ccedil;&atilde;o de Laura Fraga de Almeida Sampaio.&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:paragraph --&amp;gt;&amp;lt;!-- wp:paragraph --&amp;gt;Foucault, Michel. As forma&ccedil;&otilde;es discursivas. &amp;lt;em&amp;gt;A arqueologia do saber&amp;lt;\/em&amp;gt;. 7. ed. Rio de Janeiro: Forense Universit&aacute;ria, 2008.Gee, James Paul&amp;lt;strong&amp;gt;.&amp;lt;\/strong&amp;gt;&amp;lt;em&amp;gt;An Introduction to Discourse Analysis: Theory and Method.&amp;lt;\/em&amp;gt; 4&ordf; ed. London; New York: Routledge, 2014.&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:paragraph --&amp;gt;&amp;lt;!-- wp:paragraph --&amp;gt;Confira o conceito em CONTXT(O): &amp;lt;a href=&amp;quot;https:\/\/poslaplicada.letras.ufrj.br\/contxt\/o-terrorismo-no-discurso\/&amp;quot;&amp;gt;O terrorismo no discurso&amp;lt;\/a&amp;gt;.&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:paragraph --&amp;gt;&lt;\/div&gt;\"  href=\"https:\/\/poslaplicada.letras.ufrj.br\/contxt\/glossary\/discurso\/\"  data-gt-translate-attributes='[{\"attribute\":\"data-cmtooltip\", \"format\":\"html\"}]'  tabindex='0' role='link'>discurso<\/a> [do presidente]&rdquo; como &ldquo;infeliz&rdquo;, ao lado do uso do tempo verbal presente em &ldquo;te defendo&rdquo; e &ldquo;acredito em ti&rdquo;, sinaliza um posicionamento amb&iacute;guo de Theo. H&aacute;, portanto, um movimento de constru&ccedil;&atilde;o de arrependimento. Em uma ret&oacute;rica semelhante &agrave;quela do participante Maur&iacute;cio, Theo primeiramente se alinha a Jair Bolsonaro, criando sustenta&ccedil;&atilde;o e credibilidade &agrave; sua fala para posteriormente criticar o <a class=\"glossaryLink\"  aria-describedby=\"tt\"  data-cmtooltip=\"&lt;div class=glossaryItemTitle&gt;Discurso&lt;\/div&gt;&lt;div class=glossaryItemBody&gt;&amp;lt;!-- wp:paragraph --&amp;gt;O conceito de discurso &eacute; empregado diferentemente, em variadas tradi&ccedil;&otilde;es, a depender da filia&ccedil;&atilde;o a &aacute;reas de estudo e correntes de pensamento. Este verbete reconstr&oacute;i duas conhecidas no&ccedil;&otilde;es de discurso, segundo Michel Foucault, no campo hist&oacute;rico-filos&oacute;fico, e James Paul Gee, nos Estudos da Linguagem.&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:paragraph --&amp;gt;&amp;lt;!-- wp:paragraph --&amp;gt;A no&ccedil;&atilde;o de discurso em Michel Foucault ocupa um lugar central em sua filosofia e est&aacute; diretamente ligada &agrave;s suas an&aacute;lises sobre saber e poder. Em vez de entender o discurso apenas como texto oral ou escrito, Foucault o concebe como um conjunto de pr&aacute;ticas que produzem os objetos de que falam &ndash; coisas, ideias, pessoas, eventos. Ou seja, o discurso n&atilde;o apenas descreve o chamado real: ele o constitui. O discurso &eacute;, assim, uma pr&aacute;tica produtiva que estrutura o campo das possibilidades de exist&ecirc;ncia, organizando e regulando o que pode ser dito, percebido, vivenciado, pensado e tomado como verdade em determinadas conjunturas hist&oacute;ricas. Desse modo, o discurso diz respeito a redes complexas de conhecimento que envolvem saberes e subjetividades atravessados por regimes de poder. Entretanto, o equil&iacute;brio entre esses eixos de for&ccedil;a &eacute; sempre inst&aacute;vel, pois, para Foucault, onde h&aacute; poder, h&aacute; resist&ecirc;ncia. Portanto, apesar da inseparabilidade entre discurso, sujeito, saber e poder, vazamentos, transgress&otilde;es e transforma&ccedil;&otilde;es podem sempre ocorrer.&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:paragraph --&amp;gt;&amp;lt;!-- wp:paragraph --&amp;gt;J&aacute; o linguista James Paul Gee diferencia discurso e Discurso, grafados com &amp;quot;d&rdquo; min&uacute;sculo e &amp;quot;D&rdquo; mai&uacute;sculo, respectivamente. O primeiro diz respeito &agrave; atividade discursiva, na qual empregamos signos lingu&iacute;sticos e n&atilde;o lingu&iacute;sticos em nossas intera&ccedil;&otilde;es di&aacute;rias. Trata-se de uma perspectiva sociolingu&iacute;stica e pragm&aacute;tica que focaliza a linguagem em uso nos diferentes contextos da vida social e os sentidos ali produzidos. As pr&aacute;ticas linguageiras, por&eacute;m, n&atilde;o ocorrem isoladamente. Elas resultam de m&uacute;ltiplas combina&ccedil;&otilde;es integradas de modos de comunicar, interagir, pensar, perceber, crer, valorar e sentir, que constituem um tipo espec&iacute;fico de identidade socialmente reconhec&iacute;vel. Gee nomeia esse fen&ocirc;meno &amp;quot;Discursos&rdquo; (com &amp;quot;D&rdquo; mai&uacute;sculo), isto &eacute;, sistemas de ideias e modos de pensamento que orientam a forma como performamos e utilizamos signos, palavras, imagens e outros recursos &mdash; o discurso (com &amp;quot;d&rdquo; min&uacute;sculo). Discurso e discurso s&atilde;o, por conseguinte, indissoci&aacute;veis, o que permite abordar o d\/Discurso como pr&aacute;tica social que define e orienta paradigmas socioculturais.&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:paragraph --&amp;gt;&amp;lt;!-- wp:paragraph --&amp;gt;Pode-se articular, ent&atilde;o, um ponto em comum entre James Paul Gee e Michel Foucault: o discurso n&atilde;o &eacute; apenas linguagem, mas configura-se como pr&aacute;tica social produtora de identidades, posi&ccedil;&otilde;es de sujeito e rela&ccedil;&otilde;es de poder.&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:paragraph --&amp;gt;&amp;lt;!-- wp:paragraph --&amp;gt;&amp;lt;strong&amp;gt;Para saber mais ...&amp;lt;\/strong&amp;gt;&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:paragraph --&amp;gt;&amp;lt;!-- wp:paragraph --&amp;gt;Foucault, Michel. &amp;lt;em&amp;gt;A ordem do discurso: Aula inaugural no Coll&egrave;ge de France, pronunciada em 2 de dezembro de 1970.&amp;lt;\/em&amp;gt; S&atilde;o Paulo: Edi&ccedil;&otilde;es Loyola, 1996. Tradu&ccedil;&atilde;o de Laura Fraga de Almeida Sampaio.&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:paragraph --&amp;gt;&amp;lt;!-- wp:paragraph --&amp;gt;Foucault, Michel. As forma&ccedil;&otilde;es discursivas. &amp;lt;em&amp;gt;A arqueologia do saber&amp;lt;\/em&amp;gt;. 7. ed. Rio de Janeiro: Forense Universit&aacute;ria, 2008.Gee, James Paul&amp;lt;strong&amp;gt;.&amp;lt;\/strong&amp;gt;&amp;lt;em&amp;gt;An Introduction to Discourse Analysis: Theory and Method.&amp;lt;\/em&amp;gt; 4&ordf; ed. London; New York: Routledge, 2014.&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:paragraph --&amp;gt;&amp;lt;!-- wp:paragraph --&amp;gt;Confira o conceito em CONTXT(O): &amp;lt;a href=&amp;quot;https:\/\/poslaplicada.letras.ufrj.br\/contxt\/o-terrorismo-no-discurso\/&amp;quot;&amp;gt;O terrorismo no discurso&amp;lt;\/a&amp;gt;.&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:paragraph --&amp;gt;&lt;\/div&gt;\"  href=\"https:\/\/poslaplicada.letras.ufrj.br\/contxt\/glossary\/discurso\/\"  data-gt-translate-attributes='[{\"attribute\":\"data-cmtooltip\", \"format\":\"html\"}]'  tabindex='0' role='link'>discurso<\/a>.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E este abalo, assim como ocorre no coment&aacute;rio de Maur&iacute;cio, surge ap&oacute;s o expl&iacute;cito apoio &agrave; figura do presidente. Vemos, assim, a repeti&ccedil;&atilde;o de uma ideia na escolha dos verbos &ldquo;defendo&rdquo; e &ldquo;acredito&rdquo; ao mesmo tempo em que uma diferen&ccedil;a a esta ideia se avizinha uma vez que o &ldquo;<a class=\"glossaryLink\"  aria-describedby=\"tt\"  data-cmtooltip=\"&lt;div class=glossaryItemTitle&gt;Discurso&lt;\/div&gt;&lt;div class=glossaryItemBody&gt;&amp;lt;!-- wp:paragraph --&amp;gt;O conceito de discurso &eacute; empregado diferentemente, em variadas tradi&ccedil;&otilde;es, a depender da filia&ccedil;&atilde;o a &aacute;reas de estudo e correntes de pensamento. Este verbete reconstr&oacute;i duas conhecidas no&ccedil;&otilde;es de discurso, segundo Michel Foucault, no campo hist&oacute;rico-filos&oacute;fico, e James Paul Gee, nos Estudos da Linguagem.&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:paragraph --&amp;gt;&amp;lt;!-- wp:paragraph --&amp;gt;A no&ccedil;&atilde;o de discurso em Michel Foucault ocupa um lugar central em sua filosofia e est&aacute; diretamente ligada &agrave;s suas an&aacute;lises sobre saber e poder. Em vez de entender o discurso apenas como texto oral ou escrito, Foucault o concebe como um conjunto de pr&aacute;ticas que produzem os objetos de que falam &ndash; coisas, ideias, pessoas, eventos. Ou seja, o discurso n&atilde;o apenas descreve o chamado real: ele o constitui. O discurso &eacute;, assim, uma pr&aacute;tica produtiva que estrutura o campo das possibilidades de exist&ecirc;ncia, organizando e regulando o que pode ser dito, percebido, vivenciado, pensado e tomado como verdade em determinadas conjunturas hist&oacute;ricas. Desse modo, o discurso diz respeito a redes complexas de conhecimento que envolvem saberes e subjetividades atravessados por regimes de poder. Entretanto, o equil&iacute;brio entre esses eixos de for&ccedil;a &eacute; sempre inst&aacute;vel, pois, para Foucault, onde h&aacute; poder, h&aacute; resist&ecirc;ncia. Portanto, apesar da inseparabilidade entre discurso, sujeito, saber e poder, vazamentos, transgress&otilde;es e transforma&ccedil;&otilde;es podem sempre ocorrer.&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:paragraph --&amp;gt;&amp;lt;!-- wp:paragraph --&amp;gt;J&aacute; o linguista James Paul Gee diferencia discurso e Discurso, grafados com &amp;quot;d&rdquo; min&uacute;sculo e &amp;quot;D&rdquo; mai&uacute;sculo, respectivamente. O primeiro diz respeito &agrave; atividade discursiva, na qual empregamos signos lingu&iacute;sticos e n&atilde;o lingu&iacute;sticos em nossas intera&ccedil;&otilde;es di&aacute;rias. Trata-se de uma perspectiva sociolingu&iacute;stica e pragm&aacute;tica que focaliza a linguagem em uso nos diferentes contextos da vida social e os sentidos ali produzidos. As pr&aacute;ticas linguageiras, por&eacute;m, n&atilde;o ocorrem isoladamente. Elas resultam de m&uacute;ltiplas combina&ccedil;&otilde;es integradas de modos de comunicar, interagir, pensar, perceber, crer, valorar e sentir, que constituem um tipo espec&iacute;fico de identidade socialmente reconhec&iacute;vel. Gee nomeia esse fen&ocirc;meno &amp;quot;Discursos&rdquo; (com &amp;quot;D&rdquo; mai&uacute;sculo), isto &eacute;, sistemas de ideias e modos de pensamento que orientam a forma como performamos e utilizamos signos, palavras, imagens e outros recursos &mdash; o discurso (com &amp;quot;d&rdquo; min&uacute;sculo). Discurso e discurso s&atilde;o, por conseguinte, indissoci&aacute;veis, o que permite abordar o d\/Discurso como pr&aacute;tica social que define e orienta paradigmas socioculturais.&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:paragraph --&amp;gt;&amp;lt;!-- wp:paragraph --&amp;gt;Pode-se articular, ent&atilde;o, um ponto em comum entre James Paul Gee e Michel Foucault: o discurso n&atilde;o &eacute; apenas linguagem, mas configura-se como pr&aacute;tica social produtora de identidades, posi&ccedil;&otilde;es de sujeito e rela&ccedil;&otilde;es de poder.&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:paragraph --&amp;gt;&amp;lt;!-- wp:paragraph --&amp;gt;&amp;lt;strong&amp;gt;Para saber mais ...&amp;lt;\/strong&amp;gt;&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:paragraph --&amp;gt;&amp;lt;!-- wp:paragraph --&amp;gt;Foucault, Michel. &amp;lt;em&amp;gt;A ordem do discurso: Aula inaugural no Coll&egrave;ge de France, pronunciada em 2 de dezembro de 1970.&amp;lt;\/em&amp;gt; S&atilde;o Paulo: Edi&ccedil;&otilde;es Loyola, 1996. Tradu&ccedil;&atilde;o de Laura Fraga de Almeida Sampaio.&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:paragraph --&amp;gt;&amp;lt;!-- wp:paragraph --&amp;gt;Foucault, Michel. As forma&ccedil;&otilde;es discursivas. &amp;lt;em&amp;gt;A arqueologia do saber&amp;lt;\/em&amp;gt;. 7. ed. Rio de Janeiro: Forense Universit&aacute;ria, 2008.Gee, James Paul&amp;lt;strong&amp;gt;.&amp;lt;\/strong&amp;gt;&amp;lt;em&amp;gt;An Introduction to Discourse Analysis: Theory and Method.&amp;lt;\/em&amp;gt; 4&ordf; ed. London; New York: Routledge, 2014.&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:paragraph --&amp;gt;&amp;lt;!-- wp:paragraph --&amp;gt;Confira o conceito em CONTXT(O): &amp;lt;a href=&amp;quot;https:\/\/poslaplicada.letras.ufrj.br\/contxt\/o-terrorismo-no-discurso\/&amp;quot;&amp;gt;O terrorismo no discurso&amp;lt;\/a&amp;gt;.&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:paragraph --&amp;gt;&lt;\/div&gt;\"  href=\"https:\/\/poslaplicada.letras.ufrj.br\/contxt\/glossary\/discurso\/\"  data-gt-translate-attributes='[{\"attribute\":\"data-cmtooltip\", \"format\":\"html\"}]'  tabindex='0' role='link'>discurso<\/a> [do presidente]&rdquo; &eacute; predicado como &ldquo;infeliz&rdquo;. Tal ambiguidade comparece tamb&eacute;m na postagem de Catarina, &uacute;ltimo coment&aacute;rio aqui reconstru&iacute;do.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Catarina disse&#x2026;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"529\" src=\"http:\/\/localhost\/Clientes\/Contxt\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/pasted-image-0-2-1024x529.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-225\" srcset=\"https:\/\/poslaplicada.letras.ufrj.br\/contxt\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/pasted-image-0-2-1024x529.png 1024w, https:\/\/poslaplicada.letras.ufrj.br\/contxt\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/pasted-image-0-2-300x155.png 300w, https:\/\/poslaplicada.letras.ufrj.br\/contxt\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/pasted-image-0-2-768x397.png 768w, https:\/\/poslaplicada.letras.ufrj.br\/contxt\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/pasted-image-0-2.png 1040w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A <a class=\"glossaryLink\"  aria-describedby=\"tt\"  data-cmtooltip=\"&lt;div class=glossaryItemTitle&gt;Refer&ecirc;ncia&lt;\/div&gt;&lt;div class=glossaryItemBody&gt;&amp;lt;!-- wp:paragraph --&amp;gt;Refer&ecirc;ncia &eacute; o mecanismo atrav&eacute;s do qual sujeitos indicam, no e pelo uso da linguagem, sinalizam, se referem a elementos do mundo social em suas narrativas.&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:paragraph --&amp;gt;&amp;lt;!-- wp:paragraph --&amp;gt;Confira o conceito em CONTXT(O) em &amp;lt;a href=&amp;quot;https:\/\/poslaplicada.letras.ufrj.br\/contxt\/novo\/a-retorica-do-arrependimento\/&amp;quot;&amp;gt;A ret&oacute;rica do arrependimento&amp;lt;\/a&amp;gt;.&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:paragraph --&amp;gt;&lt;\/div&gt;\"  href=\"https:\/\/poslaplicada.letras.ufrj.br\/contxt\/glossary\/referencia\/\"  data-gt-translate-attributes='[{\"attribute\":\"data-cmtooltip\", \"format\":\"html\"}]'  tabindex='0' role='link'>refer&ecirc;ncia<\/a> ao <a class=\"glossaryLink\"  aria-describedby=\"tt\"  data-cmtooltip=\"&lt;div class=glossaryItemTitle&gt;Signo&lt;\/div&gt;&lt;div class=glossaryItemBody&gt;&amp;lt;!-- wp:paragraph --&amp;gt;A unidade fundamental da significa&ccedil;&atilde;o. O signo aponta, ao mesmo tempo, para uma &amp;quot;coisa&rdquo; e para o significado de tal &amp;quot;coisa&rdquo;. Qualquer coisa pode ser um signo (um elemento do mundo f&iacute;sico, um pensamento, uma palavra, um som, uma imagem etc.) desde que funcione como um signo, ou seja, desde que estabele&ccedil;a a rela&ccedil;&atilde;o entre pelo menos dois dom&iacute;nios: uma &amp;quot;coisa no mundo&rdquo; e um &amp;quot;significado&rdquo;. Desse modo, o significado para o qual aponta &eacute; predominantemente circunstancial (ou indicial), pois ele &eacute; constru&iacute;do na rela&ccedil;&atilde;o que as pessoas estabelecem entre &amp;quot;coisas&rdquo; existentes e as significa&ccedil;&otilde;es poss&iacute;veis. O signo nunca possui &amp;quot;o&rdquo; significado em si, mas ele estabelece as rela&ccedil;&otilde;es de sentido entre &amp;quot;as coisas no mundo&rdquo; e outros signos, que tamb&eacute;m existem em rela&ccedil;&otilde;es semi&oacute;ticas. Entretanto, h&aacute; signos que possuem rela&ccedil;&otilde;es com certos significados que s&atilde;o altamente estabilizadas. &Eacute; o caso dos signos simb&oacute;licos (a bandeira do Brasil simboliza o pa&iacute;s Brasil, pois assim foi institu&iacute;da para ser tal s&iacute;mbolo) e dos signos ic&ocirc;nicos (Mona Lisa &eacute; um &iacute;cone da arte renascentista, pois ela representa o que h&aacute; de mais peculiar nesse per&iacute;odo art&iacute;stico). Ainda assim, mesmo esses signos, a depender da rela&ccedil;&atilde;o circunstancial em que s&atilde;o utilizados, podem indicar novas significa&ccedil;&otilde;es.&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:paragraph --&amp;gt;&amp;lt;!-- wp:paragraph --&amp;gt;Confira o conceito em CONTXT(O) em &amp;lt;a href=&amp;quot;https:\/\/poslaplicada.letras.ufrj.br\/contxt\/novo\/teseu-19\/&amp;quot;&amp;gt;Teseu-19&amp;lt;\/a&amp;gt;.&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:paragraph --&amp;gt;&lt;\/div&gt;\"  href=\"https:\/\/poslaplicada.letras.ufrj.br\/contxt\/glossary\/signo\/\"  data-gt-translate-attributes='[{\"attribute\":\"data-cmtooltip\", \"format\":\"html\"}]'  tabindex='0' role='link'>signo<\/a> &ldquo;brigas&rdquo; na express&atilde;o &ldquo;comprei brigas&rdquo; sinaliza o apoio concedido por Catarina ao candidato Jair Bolsonaro durante as elei&ccedil;&otilde;es de 2018. Tal suporte &eacute;, no entanto, abalado pela <a class=\"glossaryLink\"  aria-describedby=\"tt\"  data-cmtooltip=\"&lt;div class=glossaryItemTitle&gt;Predica&ccedil;&atilde;o&lt;\/div&gt;&lt;div class=glossaryItemBody&gt;&amp;lt;!-- wp:paragraph --&amp;gt;Predica&ccedil;&atilde;o &eacute; o mecanismo atrav&eacute;s do qual sujeitos caracterizam, no e pelo uso da linguagem, e se posicionam quanto aos elementos referidos em suas narrativas.&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:paragraph --&amp;gt;&amp;lt;!-- wp:paragraph --&amp;gt;Confira o conceito em CONTXT(O) em &amp;lt;a href=&amp;quot;https:\/\/poslaplicada.letras.ufrj.br\/contxt\/novo\/a-retorica-do-arrependimento\/&amp;quot;&amp;gt;A ret&oacute;rica do arrependimento&amp;lt;\/a&amp;gt;.&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:paragraph --&amp;gt;&lt;\/div&gt;\"  href=\"https:\/\/poslaplicada.letras.ufrj.br\/contxt\/glossary\/predicacao\/\"  data-gt-translate-attributes='[{\"attribute\":\"data-cmtooltip\", \"format\":\"html\"}]'  tabindex='0' role='link'>predica&ccedil;&atilde;o<\/a> &ldquo;arrependida&rdquo;, que aponta para uma mudan&ccedil;a de opini&atilde;o e quebra com sentidos antes constru&iacute;dos. A <a class=\"glossaryLink\"  aria-describedby=\"tt\"  data-cmtooltip=\"&lt;div class=glossaryItemTitle&gt;Predica&ccedil;&atilde;o&lt;\/div&gt;&lt;div class=glossaryItemBody&gt;&amp;lt;!-- wp:paragraph --&amp;gt;Predica&ccedil;&atilde;o &eacute; o mecanismo atrav&eacute;s do qual sujeitos caracterizam, no e pelo uso da linguagem, e se posicionam quanto aos elementos referidos em suas narrativas.&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:paragraph --&amp;gt;&amp;lt;!-- wp:paragraph --&amp;gt;Confira o conceito em CONTXT(O) em &amp;lt;a href=&amp;quot;https:\/\/poslaplicada.letras.ufrj.br\/contxt\/novo\/a-retorica-do-arrependimento\/&amp;quot;&amp;gt;A ret&oacute;rica do arrependimento&amp;lt;\/a&amp;gt;.&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:paragraph --&amp;gt;&lt;\/div&gt;\"  href=\"https:\/\/poslaplicada.letras.ufrj.br\/contxt\/glossary\/predicacao\/\"  data-gt-translate-attributes='[{\"attribute\":\"data-cmtooltip\", \"format\":\"html\"}]'  tabindex='0' role='link'>predica&ccedil;&atilde;o<\/a> &ldquo;dif&iacute;cil&rdquo;, no final do coment&aacute;rio, est&aacute; relacionada &agrave; conjuntura do cen&aacute;rio pol&iacute;tico-social atual &ndash; apesar de n&atilde;o haver nenhum processo expl&iacute;cito de <a class=\"glossaryLink\"  aria-describedby=\"tt\"  data-cmtooltip=\"&lt;div class=glossaryItemTitle&gt;Refer&ecirc;ncia&lt;\/div&gt;&lt;div class=glossaryItemBody&gt;&amp;lt;!-- wp:paragraph --&amp;gt;Refer&ecirc;ncia &eacute; o mecanismo atrav&eacute;s do qual sujeitos indicam, no e pelo uso da linguagem, sinalizam, se referem a elementos do mundo social em suas narrativas.&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:paragraph --&amp;gt;&amp;lt;!-- wp:paragraph --&amp;gt;Confira o conceito em CONTXT(O) em &amp;lt;a href=&amp;quot;https:\/\/poslaplicada.letras.ufrj.br\/contxt\/novo\/a-retorica-do-arrependimento\/&amp;quot;&amp;gt;A ret&oacute;rica do arrependimento&amp;lt;\/a&amp;gt;.&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:paragraph --&amp;gt;&lt;\/div&gt;\"  href=\"https:\/\/poslaplicada.letras.ufrj.br\/contxt\/glossary\/referencia\/\"  data-gt-translate-attributes='[{\"attribute\":\"data-cmtooltip\", \"format\":\"html\"}]'  tabindex='0' role='link'>refer&ecirc;ncia<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Percebe-se, ent&atilde;o, que nos tr&ecirc;s coment&aacute;rios, os participantes mobilizam diferentes refer&ecirc;ncias e predica&ccedil;&otilde;es no processo de posicionamento. Tr&ecirc;s coment&aacute;rios &eacute; um n&uacute;mero pequeno para que possamos tecer generaliza&ccedil;&otilde;es &ndash; e este nem foi o objetivo deste texto. Pode-se, no entanto, argumentar que h&aacute; uma ret&oacute;rica amb&iacute;gua recorrente no <a class=\"glossaryLink\"  aria-describedby=\"tt\"  data-cmtooltip=\"&lt;div class=glossaryItemTitle&gt;Discurso&lt;\/div&gt;&lt;div class=glossaryItemBody&gt;&amp;lt;!-- wp:paragraph --&amp;gt;O conceito de discurso &eacute; empregado diferentemente, em variadas tradi&ccedil;&otilde;es, a depender da filia&ccedil;&atilde;o a &aacute;reas de estudo e correntes de pensamento. Este verbete reconstr&oacute;i duas conhecidas no&ccedil;&otilde;es de discurso, segundo Michel Foucault, no campo hist&oacute;rico-filos&oacute;fico, e James Paul Gee, nos Estudos da Linguagem.&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:paragraph --&amp;gt;&amp;lt;!-- wp:paragraph --&amp;gt;A no&ccedil;&atilde;o de discurso em Michel Foucault ocupa um lugar central em sua filosofia e est&aacute; diretamente ligada &agrave;s suas an&aacute;lises sobre saber e poder. Em vez de entender o discurso apenas como texto oral ou escrito, Foucault o concebe como um conjunto de pr&aacute;ticas que produzem os objetos de que falam &ndash; coisas, ideias, pessoas, eventos. Ou seja, o discurso n&atilde;o apenas descreve o chamado real: ele o constitui. O discurso &eacute;, assim, uma pr&aacute;tica produtiva que estrutura o campo das possibilidades de exist&ecirc;ncia, organizando e regulando o que pode ser dito, percebido, vivenciado, pensado e tomado como verdade em determinadas conjunturas hist&oacute;ricas. Desse modo, o discurso diz respeito a redes complexas de conhecimento que envolvem saberes e subjetividades atravessados por regimes de poder. Entretanto, o equil&iacute;brio entre esses eixos de for&ccedil;a &eacute; sempre inst&aacute;vel, pois, para Foucault, onde h&aacute; poder, h&aacute; resist&ecirc;ncia. Portanto, apesar da inseparabilidade entre discurso, sujeito, saber e poder, vazamentos, transgress&otilde;es e transforma&ccedil;&otilde;es podem sempre ocorrer.&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:paragraph --&amp;gt;&amp;lt;!-- wp:paragraph --&amp;gt;J&aacute; o linguista James Paul Gee diferencia discurso e Discurso, grafados com &amp;quot;d&rdquo; min&uacute;sculo e &amp;quot;D&rdquo; mai&uacute;sculo, respectivamente. O primeiro diz respeito &agrave; atividade discursiva, na qual empregamos signos lingu&iacute;sticos e n&atilde;o lingu&iacute;sticos em nossas intera&ccedil;&otilde;es di&aacute;rias. Trata-se de uma perspectiva sociolingu&iacute;stica e pragm&aacute;tica que focaliza a linguagem em uso nos diferentes contextos da vida social e os sentidos ali produzidos. As pr&aacute;ticas linguageiras, por&eacute;m, n&atilde;o ocorrem isoladamente. Elas resultam de m&uacute;ltiplas combina&ccedil;&otilde;es integradas de modos de comunicar, interagir, pensar, perceber, crer, valorar e sentir, que constituem um tipo espec&iacute;fico de identidade socialmente reconhec&iacute;vel. Gee nomeia esse fen&ocirc;meno &amp;quot;Discursos&rdquo; (com &amp;quot;D&rdquo; mai&uacute;sculo), isto &eacute;, sistemas de ideias e modos de pensamento que orientam a forma como performamos e utilizamos signos, palavras, imagens e outros recursos &mdash; o discurso (com &amp;quot;d&rdquo; min&uacute;sculo). Discurso e discurso s&atilde;o, por conseguinte, indissoci&aacute;veis, o que permite abordar o d\/Discurso como pr&aacute;tica social que define e orienta paradigmas socioculturais.&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:paragraph --&amp;gt;&amp;lt;!-- wp:paragraph --&amp;gt;Pode-se articular, ent&atilde;o, um ponto em comum entre James Paul Gee e Michel Foucault: o discurso n&atilde;o &eacute; apenas linguagem, mas configura-se como pr&aacute;tica social produtora de identidades, posi&ccedil;&otilde;es de sujeito e rela&ccedil;&otilde;es de poder.&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:paragraph --&amp;gt;&amp;lt;!-- wp:paragraph --&amp;gt;&amp;lt;strong&amp;gt;Para saber mais ...&amp;lt;\/strong&amp;gt;&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:paragraph --&amp;gt;&amp;lt;!-- wp:paragraph --&amp;gt;Foucault, Michel. &amp;lt;em&amp;gt;A ordem do discurso: Aula inaugural no Coll&egrave;ge de France, pronunciada em 2 de dezembro de 1970.&amp;lt;\/em&amp;gt; S&atilde;o Paulo: Edi&ccedil;&otilde;es Loyola, 1996. Tradu&ccedil;&atilde;o de Laura Fraga de Almeida Sampaio.&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:paragraph --&amp;gt;&amp;lt;!-- wp:paragraph --&amp;gt;Foucault, Michel. As forma&ccedil;&otilde;es discursivas. &amp;lt;em&amp;gt;A arqueologia do saber&amp;lt;\/em&amp;gt;. 7. ed. Rio de Janeiro: Forense Universit&aacute;ria, 2008.Gee, James Paul&amp;lt;strong&amp;gt;.&amp;lt;\/strong&amp;gt;&amp;lt;em&amp;gt;An Introduction to Discourse Analysis: Theory and Method.&amp;lt;\/em&amp;gt; 4&ordf; ed. 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Nos coment&aacute;rios de Maur&iacute;cio, Theo e Catarina, &agrave; (re)afirma&ccedil;&atilde;o de apoio ao atual presidente da rep&uacute;blica, segue uma fala de cr&iacute;tica, ou seja, um desalinhamento em rela&ccedil;&atilde;o ao posicionamento do presidente.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Diante disto, &#xE9; poss&#xED;vel sustentar o argumento de que as redes sociais s&#xE3;o espa&#xE7;os prop&#xED;cios a embates discursivos. Diferentes verdades convergem nesses contextos e entram em atrito. Um mesmo interlocutor pode reconstruir seus posicionamentos ao circular por diferentes eventos discursivos no ambiente digital. S&#xE3;o tempos fluidos e a reconstru&#xE7;&#xE3;o de si e das cren&#xE7;as que usamos para produzir sentido sobre n&#xF3;s mesmos &#xE9; sempre poss&#xED;vel e se articula de forma complexa.&#xA0;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No caso da pandemia do Covid-19, faz-se necess&#xE1;rio enfrentar discuss&#xF5;es pol&#xED;ticas e repensar posicionamentos. A crise (inter)nacional causada por esta enfermidade vai al&#xE9;m de problemas de sa&#xFA;de p&#xFA;blica; ela se desdobra em efeitos discursivos nos &#xE2;mbitos pol&#xED;tico, econ&#xF4;mico e social, trazendo &#xE0; tona uma multiplicidade de preconceitos, engessamentos e sentidos cristalizados, bem como resist&#xEA;ncias aos mesmos. Hoje, as redes sociais se apresentam como um convite &#xE0; ressignifica&#xE7;&#xE3;o e se torna um imperativo aceit&#xE1;-lo.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"http:\/\/creativecommons.org\/licenses\/by-nc-nd\/4.0\/\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.creativecommons.org\/l\/by-nc-nd\/4.0\/88x31.png\" alt=\"Creative Commons License\"\/><\/a><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">This work is licensed under a <a href=\"http:\/\/creativecommons.org\/licenses\/by-nc-nd\/4.0\/\">Creative Commons Attribution-NonCommercial-NoDerivatives 4.0 International License<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O ano &#xE9; 2019. As primeiras not&#xED;cias acerca de um novo v&#xED;rus, popularmente chamado de Coronav&#xED;rus, ganham destaque na m&#xED;dia internacional. 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