{"id":2266,"date":"2024-11-13T17:04:27","date_gmt":"2024-11-13T20:04:27","guid":{"rendered":"https:\/\/poslaplicada.letras.ufrj.br\/contxt\/?post_type=glossary&#038;p=2266"},"modified":"2024-11-13T17:04:28","modified_gmt":"2024-11-13T20:04:28","slug":"securitizacao","status":"publish","type":"glossary","link":"https:\/\/poslaplicada.letras.ufrj.br\/contxt\/glossary\/securitizacao\/","title":{"rendered":"Securitiza\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p class=\"wp-block-paragraph\"><a class=\"glossaryLink\" aria-describedby=\"tt\" data-cmtooltip=\"&lt;div class=glossaryItemTitle&gt;Securitiza&#xE7;&#xE3;o&lt;\/div&gt;&lt;div class=glossaryItemBody&gt;&amp;lt;!-- wp:paragraph --&amp;gt;Securitiza&#xE7;&#xE3;o &#xE9; um conceito desenvolvido na &#xE1;rea de Rela&#xE7;&#xF5;es Internacionais, mas que vem sendo foco de pesquisa sociolingu&#xED;stica, como por exemplo nos trabalhos de Rampton, Charalambous e Charalambous (2017) e Rampton, Silva e Charalambous (2022). O termo se refere ao processo em que &amp;quot;um grupo ou problema espec&#xED;fico supostamente apresenta um risco t&#xE3;o grande - uma &#x2018;amea&#xE7;a existencial&#x2019; tal - que ele precisa ser movido da arena da pol&#xED;tica ordin&#xE1;ria para a arena das medidas excepcionais&#x201D; (Rampton; Charalambous; Charalambous, 2017). Na Europa e nos Estados Unidos, principalmente, vimos crescerem as precau&#xE7;&#xF5;es com seguran&#xE7;a que se seguiram ao atentando ao World Trade Center, em 2001, como c&#xE2;meras instaladas pelas ruas de diferentes cidades, e a vilaniza&#xE7;&#xE3;o da popula&#xE7;&#xE3;o isl&#xE2;mica, no bojo da chamada Guerra ao Terror.&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:paragraph --&amp;gt;&amp;lt;!-- wp:paragraph --&amp;gt;O conceito de securitiza&#xE7;&#xE3;o em geral se refere a processos de grande escala. Uma figura estatal relevante decide por medidas de securitiza&#xE7;&#xE3;o, que ser&#xE3;o ent&#xE3;o levadas a cabo pelos aparelhos estatais, como a pol&#xED;cia e o judici&#xE1;rio, o que ali&#xE1;s aproxima a teoriza&#xE7;&#xE3;o sobre Securitiza&#xE7;&#xE3;o da Teoria dos Atos de Fala. No entanto, o trabalho de Rampton, Charalambous e Charalambous (2017), por exemplo, menciona que a estrat&#xE9;gia &amp;quot;contraterrorista&#x201D; Prevenir do governo brit&#xE2;nico encoraja as crian&#xE7;as na escola a vigiar seus colegas mu&#xE7;ulmanos. Esse caso ilustra bem os dois pontos: a vida das pessoas (escala micro da intera&#xE7;&#xE3;o social) &#xE9; afetada por processos amplos (de escala mais macro); as pr&#xF3;prias crian&#xE7;as (e suas fam&#xED;lias) adotam medidas de securitiza&#xE7;&#xE3;o para al&#xE9;m daquelas determinadas pelo governo. Da&#xED; o foco de pesquisas contempor&#xE2;neas em sociolingu&#xED;stica e lingu&#xED;stica aplicada nas formas como as pessoas vivem a Securitiza&#xE7;&#xE3;o na pr&#xE1;tica, j&#xE1; que &amp;quot;a vida cotidiana est&#xE1; crescentemente permeada por micropr&#xE1;ticas de securitiza&#xE7;&#xE3;o&#x201D; (RAMPTON; CHARALAMBOUS, 2019).&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:paragraph --&amp;gt;&lt;\/div&gt;\" href=\"https:\/\/poslaplicada.letras.ufrj.br\/contxt\/glossary\/securitizacao\/\" data-gt-translate-attributes='[{\"attribute\":\"data-cmtooltip\", \"format\":\"html\"}]' tabindex=\"0\" role=\"link\">Securitiza&#xE7;&#xE3;o<\/a> &#xE9; um conceito desenvolvido na &#xE1;rea de Rela&#xE7;&#xF5;es Internacionais, mas que vem sendo foco de pesquisa sociolingu&#xED;stica, como por exemplo nos trabalhos de Rampton, Charalambous e Charalambous (2017) e Rampton, Silva e Charalambous (2022). O termo se refere ao processo em que &#x201C;um grupo ou problema espec&#xED;fico supostamente apresenta um risco t&#xE3;o grande &#x2013; uma &#x2018;amea&#xE7;a existencial&#x2019; tal &#x2013; que ele precisa ser movido da arena da pol&#xED;tica ordin&#xE1;ria para a arena das medidas excepcionais&#x201D; (Rampton; Charalambous; Charalambous, 2017). Na Europa e nos Estados Unidos, principalmente, vimos crescerem as precau&#xE7;&#xF5;es com seguran&#xE7;a que se seguiram ao atentando ao World Trade Center, em 2001, como c&#xE2;meras instaladas pelas ruas de diferentes cidades, e a vilaniza&#xE7;&#xE3;o da popula&#xE7;&#xE3;o isl&#xE2;mica, no bojo da chamada Guerra ao Terror.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O conceito de <a class=\"glossaryLink\" aria-describedby=\"tt\" data-cmtooltip=\"&lt;div class=glossaryItemTitle&gt;Securitiza&#xE7;&#xE3;o&lt;\/div&gt;&lt;div class=glossaryItemBody&gt;&amp;lt;!-- wp:paragraph --&amp;gt;Securitiza&#xE7;&#xE3;o &#xE9; um conceito desenvolvido na &#xE1;rea de Rela&#xE7;&#xF5;es Internacionais, mas que vem sendo foco de pesquisa sociolingu&#xED;stica, como por exemplo nos trabalhos de Rampton, Charalambous e Charalambous (2017) e Rampton, Silva e Charalambous (2022). O termo se refere ao processo em que &amp;quot;um grupo ou problema espec&#xED;fico supostamente apresenta um risco t&#xE3;o grande - uma &#x2018;amea&#xE7;a existencial&#x2019; tal - que ele precisa ser movido da arena da pol&#xED;tica ordin&#xE1;ria para a arena das medidas excepcionais&#x201D; (Rampton; Charalambous; Charalambous, 2017). Na Europa e nos Estados Unidos, principalmente, vimos crescerem as precau&#xE7;&#xF5;es com seguran&#xE7;a que se seguiram ao atentando ao World Trade Center, em 2001, como c&#xE2;meras instaladas pelas ruas de diferentes cidades, e a vilaniza&#xE7;&#xE3;o da popula&#xE7;&#xE3;o isl&#xE2;mica, no bojo da chamada Guerra ao Terror.&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:paragraph --&amp;gt;&amp;lt;!-- wp:paragraph --&amp;gt;O conceito de securitiza&#xE7;&#xE3;o em geral se refere a processos de grande escala. Uma figura estatal relevante decide por medidas de securitiza&#xE7;&#xE3;o, que ser&#xE3;o ent&#xE3;o levadas a cabo pelos aparelhos estatais, como a pol&#xED;cia e o judici&#xE1;rio, o que ali&#xE1;s aproxima a teoriza&#xE7;&#xE3;o sobre Securitiza&#xE7;&#xE3;o da Teoria dos Atos de Fala. No entanto, o trabalho de Rampton, Charalambous e Charalambous (2017), por exemplo, menciona que a estrat&#xE9;gia &amp;quot;contraterrorista&#x201D; Prevenir do governo brit&#xE2;nico encoraja as crian&#xE7;as na escola a vigiar seus colegas mu&#xE7;ulmanos. Esse caso ilustra bem os dois pontos: a vida das pessoas (escala micro da intera&#xE7;&#xE3;o social) &#xE9; afetada por processos amplos (de escala mais macro); as pr&#xF3;prias crian&#xE7;as (e suas fam&#xED;lias) adotam medidas de securitiza&#xE7;&#xE3;o para al&#xE9;m daquelas determinadas pelo governo. 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Na Europa e nos Estados Unidos, principalmente, vimos crescerem as precau&#xE7;&#xF5;es com seguran&#xE7;a que se seguiram ao atentando ao World Trade Center, em 2001, como c&#xE2;meras instaladas pelas ruas de diferentes cidades, e a vilaniza&#xE7;&#xE3;o da popula&#xE7;&#xE3;o isl&#xE2;mica, no bojo da chamada Guerra ao Terror.&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:paragraph --&amp;gt;&amp;lt;!-- wp:paragraph --&amp;gt;O conceito de securitiza&#xE7;&#xE3;o em geral se refere a processos de grande escala. Uma figura estatal relevante decide por medidas de securitiza&#xE7;&#xE3;o, que ser&#xE3;o ent&#xE3;o levadas a cabo pelos aparelhos estatais, como a pol&#xED;cia e o judici&#xE1;rio, o que ali&#xE1;s aproxima a teoriza&#xE7;&#xE3;o sobre Securitiza&#xE7;&#xE3;o da Teoria dos Atos de Fala. No entanto, o trabalho de Rampton, Charalambous e Charalambous (2017), por exemplo, menciona que a estrat&#xE9;gia &amp;quot;contraterrorista&#x201D; Prevenir do governo brit&#xE2;nico encoraja as crian&#xE7;as na escola a vigiar seus colegas mu&#xE7;ulmanos. Esse caso ilustra bem os dois pontos: a vida das pessoas (escala micro da intera&#xE7;&#xE3;o social) &#xE9; afetada por processos amplos (de escala mais macro); as pr&#xF3;prias crian&#xE7;as (e suas fam&#xED;lias) adotam medidas de securitiza&#xE7;&#xE3;o para al&#xE9;m daquelas determinadas pelo governo. Da&#xED; o foco de pesquisas contempor&#xE2;neas em sociolingu&#xED;stica e lingu&#xED;stica aplicada nas formas como as pessoas vivem a Securitiza&#xE7;&#xE3;o na pr&#xE1;tica, j&#xE1; que &amp;quot;a vida cotidiana est&#xE1; crescentemente permeada por micropr&#xE1;ticas de securitiza&#xE7;&#xE3;o&#x201D; (RAMPTON; CHARALAMBOUS, 2019).&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:paragraph --&amp;gt;&lt;\/div&gt;\" href=\"https:\/\/poslaplicada.letras.ufrj.br\/contxt\/glossary\/securitizacao\/\" data-gt-translate-attributes='[{\"attribute\":\"data-cmtooltip\", \"format\":\"html\"}]' tabindex=\"0\" role=\"link\">securitiza&#xE7;&#xE3;o<\/a>, que ser&#xE3;o ent&#xE3;o levadas a cabo pelos aparelhos estatais, como a pol&#xED;cia e o judici&#xE1;rio, o que ali&#xE1;s aproxima a teoriza&#xE7;&#xE3;o sobre <a class=\"glossaryLink\" aria-describedby=\"tt\" data-cmtooltip=\"&lt;div class=glossaryItemTitle&gt;Securitiza&#xE7;&#xE3;o&lt;\/div&gt;&lt;div class=glossaryItemBody&gt;&amp;lt;!-- wp:paragraph --&amp;gt;Securitiza&#xE7;&#xE3;o &#xE9; um conceito desenvolvido na &#xE1;rea de Rela&#xE7;&#xF5;es Internacionais, mas que vem sendo foco de pesquisa sociolingu&#xED;stica, como por exemplo nos trabalhos de Rampton, Charalambous e Charalambous (2017) e Rampton, Silva e Charalambous (2022). O termo se refere ao processo em que &amp;quot;um grupo ou problema espec&#xED;fico supostamente apresenta um risco t&#xE3;o grande - uma &#x2018;amea&#xE7;a existencial&#x2019; tal - que ele precisa ser movido da arena da pol&#xED;tica ordin&#xE1;ria para a arena das medidas excepcionais&#x201D; (Rampton; Charalambous; Charalambous, 2017). Na Europa e nos Estados Unidos, principalmente, vimos crescerem as precau&#xE7;&#xF5;es com seguran&#xE7;a que se seguiram ao atentando ao World Trade Center, em 2001, como c&#xE2;meras instaladas pelas ruas de diferentes cidades, e a vilaniza&#xE7;&#xE3;o da popula&#xE7;&#xE3;o isl&#xE2;mica, no bojo da chamada Guerra ao Terror.&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:paragraph --&amp;gt;&amp;lt;!-- wp:paragraph --&amp;gt;O conceito de securitiza&#xE7;&#xE3;o em geral se refere a processos de grande escala. 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Da&#xED; o foco de pesquisas contempor&#xE2;neas em sociolingu&#xED;stica e lingu&#xED;stica aplicada nas formas como as pessoas vivem a Securitiza&#xE7;&#xE3;o na pr&#xE1;tica, j&#xE1; que &amp;quot;a vida cotidiana est&#xE1; crescentemente permeada por micropr&#xE1;ticas de securitiza&#xE7;&#xE3;o&#x201D; (RAMPTON; CHARALAMBOUS, 2019).&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:paragraph --&amp;gt;&lt;\/div&gt;\" href=\"https:\/\/poslaplicada.letras.ufrj.br\/contxt\/glossary\/securitizacao\/\" data-gt-translate-attributes='[{\"attribute\":\"data-cmtooltip\", \"format\":\"html\"}]' tabindex=\"0\" role=\"link\">Securitiza&#xE7;&#xE3;o<\/a> da Teoria dos <a class=\"glossaryLink\"  aria-describedby=\"tt\"  data-cmtooltip=\"&lt;div class=glossaryItemTitle&gt;Atos de fala&lt;\/div&gt;&lt;div class=glossaryItemBody&gt;A abordagem mais cl&aacute;ssica dos atos de fala pode ser encontrada na Teoria dos Atos de Fala proposta pelo fil&oacute;sofo da linguagem John Langshaw Austin, durante suas palestras ministradas na Universidade de Oxford, em 1950, e postumamente compiladas e publicadas em How to do things with words (1962). Nessa ocasi&atilde;o, Austin prop&otilde;e um modo de conceber a linguagem que rompe com vis&otilde;es essencialistas e logicistas predominantes na Filosofia Anal&iacute;tica da &eacute;poca. Assim, ele constr&oacute;i uma argumenta&ccedil;&atilde;o que paulatinamente refuta a ideia de que os usos da linguagem s&atilde;o elementos constatativos, os quais apenas constatariam realidades aut&ocirc;nomas ou refletiriam a ess&ecirc;ncia de coisas j&aacute; dadas no mundo. Nessa vis&atilde;o, a linguagem deveria ser analisada segundo suas condi&ccedil;&otilde;es de verdade, ou seja, sua fidelidade ao representar de forma l&oacute;gica aquilo a que buscava descrever. Afastando-se dessa posi&ccedil;&atilde;o hegem&ocirc;nica, Austin passa a afirmar que os proferimentos, ou usos da linguagem, s&atilde;o performativos, isto &eacute;, fazem coisas no mundo social, s&atilde;o atos de fala, mesmo quando possuem uma apar&ecirc;ncia meramente declarativa, ao que ele chamou de fal&aacute;cia descritiva. Segundo sua vis&atilde;o, o ato de fala possui tr&ecirc;s dimens&otilde;es acionais imbricadas e que ocorrem simultaneamente: o ato locucion&aacute;rio, aquele que corresponde ao ato de dizer algo, ou seja, de empregar certos sons os sinais gr&aacute;ficos com sentido e refer&ecirc;ncia minimamente definidos; o ato ilocucion&aacute;rio, realizado &amp;quot;ao dizer algo&rdquo;, ou seja, as a&ccedil;&otilde;es realizadas pelo que dizemos, tais como &amp;quot;perguntar&rdquo;, &amp;quot;informar&rdquo;, &amp;quot;ofender&rdquo; etc; e o ato perlocucion&aacute;rio, realizado &amp;quot;por dizer algo&rdquo;, aquele relativo aos efeitos que determinados proferimentos podem chegar a produzir. Austin (1962) destaca ainda o fato de que nem todo ato de fala chega a ser feliz em seu intento, ou seja, chega a produzir os efeitos a que se destina. Isso porque esses possuem um car&aacute;ter ritual ou cerimonial, isto &eacute;, s&atilde;o governados por conven&ccedil;&otilde;es lingu&iacute;sticas e sociais, negociadas entre os interlocutores, naquilo que Austin chama de &amp;lt;em&amp;gt;uptake.&amp;lt;\/em&amp;gt; Tais conven&ccedil;&otilde;es se configuram como condi&ccedil;&otilde;es de felicidade que devem ser atendidas para que um ato de fala venha a produzir efeitos. Essa teoriza&ccedil;&atilde;o sobre a linguagem teve impactos decisivos em diferentes &aacute;reas para al&eacute;m da Filosofia, tais como a Sociologia, a Antropologia, os Feminismos, sendo alvo de releituras produtivas nos trabalhos intelectuais de importantes nomes do contempor&acirc;neo, a exemplo de Jacques Derrida e Judith Butler. Na Lingu&iacute;stica, a perspectiva austiniana sobre os atos de fala teve uma repercuss&atilde;o tardia, em grande parte devido a obstina&ccedil;&atilde;o da &aacute;rea com as estruturas internas dos sistemas lingu&iacute;sticos e seu culto &agrave; pureza disciplinar, dentre outros totens do positivismo cient&iacute;fico. No entanto, abordagens mais contempor&acirc;neas da Pragm&aacute;tica Lingu&iacute;stica, da Antropologia Lingu&iacute;stica e da Lingu&iacute;stica Aplicada t&ecirc;m levado a s&eacute;rio a perspectiva dos atos de fala e seus desdobramentos para a an&aacute;lise situada das rela&ccedil;&otilde;es entre linguagem e vida social. Em uma perspectiva pragm&aacute;tica contempor&acirc;nea, a linguagem &eacute; encarada como um modo de ag&ecirc;ncia semi&oacute;tica, cultural, social e pol&iacute;tica capaz de produzir efeitos materiais v&aacute;rios. Dentre eles est&atilde;o aqueles entes que comumente nomeamos como &amp;quot;corpo&rdquo;, &amp;quot;identidade&rdquo;, &amp;quot;g&ecirc;nero&rdquo;, &amp;quot;ra&ccedil;a&rdquo;, &amp;quot;sexualidade&rdquo; e, em &uacute;ltima an&aacute;lise, a pr&oacute;pria &amp;quot;realidade&rdquo; &eacute;, assim, um efeito de linguagem.&amp;nbsp; Desse horizonte, empregar quaisquer tipos de linguagem em quaisquer situa&ccedil;&otilde;es sociais &eacute; mais do que usar voluntariamente unidades formais de uma gram&aacute;tica universal ou itens lingu&iacute;sticos desconectados de dimens&otilde;es ideol&oacute;gicas e macrossociais. Desde uma visada pragm&aacute;tica sobre a linguagem, recursos semi&oacute;ticos empregados em contextos situados de intera&ccedil;&atilde;o social s&atilde;o modos espec&iacute;ficos de agir. Em outras palavras, s&atilde;o atos de fala, cujo acesso &eacute; regulado por conven&ccedil;&otilde;es sociais culturalmente compartilhadas, segundo repert&oacute;rios que delineiam as possibilidades de ag&ecirc;ncia semi&oacute;tica dos sujeitos, uma vez que s&atilde;o assim&eacute;tricamente distribu&iacute;dos entre os diferentes grupos sociais. Assim, pragmaticamente falando, os significados dos atos de fala n&atilde;o s&atilde;o propriedades internas &agrave;s formas lingu&iacute;sticas ou &agrave;s mentes dos falantes, nem mesmo fruto da inten&ccedil;&atilde;o individual ou da racionalidade de quem usa a linguagem. Ao inv&eacute;s disso, s&atilde;o efeitos de sentido culturalmente mediados, que emergem localmente gra&ccedil;as ao emprego de itens semi&oacute;ticos espec&iacute;ficos, ou seja, que se estabelecem mediante o nexo &amp;lt;a href=&amp;quot;https:\/\/www.scielo.br\/j\/rbla\/a\/MFm4pMfPbG9ZfKrHy48nrpC\/?format=pdf&amp;amp;lang=pt&amp;quot;&amp;gt;indexical&amp;lt;\/a&amp;gt; entre sua dimens&atilde;o pragm&aacute;tica, o emprego local de recursos semi&oacute;ticos em contexto, e sua &amp;lt;a href=&amp;quot;http:\/\/poslaplicada.letras.ufrj.br\/contxt\/glossario\/29:metapragm%C3%A1tica.html&amp;quot;&amp;gt;dimens&atilde;o metapragm&aacute;tica&amp;lt;\/a&amp;gt;, aquela relativa aos valores sociais e ideol&oacute;gicos culturalmente compartilhados em torno dos itens empregados. Assim sendo, atos de fala se configuram como parte do repert&oacute;rio epistemol&oacute;gico, metodol&oacute;gico e anal&iacute;tico de linguistas engajados na compreens&atilde;o pragm&aacute;tica das rela&ccedil;&otilde;es entre linguagem e vida social, isto &eacute;, desde perspectivas antiessencialistas e desontologizantes sobre a linguagem, a sociedade e os sujeitos.&amp;lt;br\/&amp;gt;Para saber mais sobre &amp;quot;atos de fala&rdquo;:&amp;nbsp;&amp;lt;br\/&amp;gt;Uma tradu&ccedil;&atilde;o da obra seminal de J. L. Austin para o portugu&ecirc;s, feita por Danilo Marcondes de Souza Filho, foi publicada no Brasil, em 1991, sob o t&iacute;tulo de &amp;quot;Quando dizer &eacute; fazer&rdquo;;&amp;lt;br\/&amp;gt;Uma discuss&atilde;o mais detida sobre esse fato pode ser encontrada no artigo &amp;quot;&amp;lt;a href=&amp;quot;https:\/\/periodicos.sbu.unicamp.br\/ojs\/index.php\/cel\/article\/view\/8637045&amp;quot;&amp;gt;O Austin do qual a Lingu&iacute;stica n&atilde;o tomou conhecimento e a Lingu&iacute;stica com a qual Austin sonhou&amp;lt;\/a&amp;gt;&rdquo; de Kanavillil Rajagopalan;&amp;lt;br\/&amp;gt;Trabalhos como os discutidos&amp;lt;a href=&amp;quot;https:\/\/www.scielo.br\/j\/delta\/i\/2016.v32n3\/&amp;quot;&amp;gt; neste dossi&ecirc; da revista DELTA&amp;lt;\/a&amp;gt; apresentam um balan&ccedil;o abrangente dos impactos da perspectiva austiniana dos atos de fala sobre a Lingu&iacute;stica brasileira.&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;br\/&amp;gt;Confira o conceito em CONTXT(O) em:&amp;nbsp;&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;a href=&amp;quot;https:\/\/poslaplicada.letras.ufrj.br\/contxt\/a-linguagem-da-violencia-de-genero-como-combustivel-para-a-politica\/&amp;quot;&amp;gt;A linguagem da viol&ecirc;ncia de g&ecirc;nero como combust&iacute;vel para a pol&iacute;tica&amp;lt;\/a&amp;gt;;&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;a href=&amp;quot;https:\/\/poslaplicada.letras.ufrj.br\/contxt\/nas-trincheiras-discursivas-do-8-de-marco-acoes-e-efeitos\/&amp;quot;&amp;gt;Nas trincheiras discursivas do 8 de mar&ccedil;o: a&ccedil;&otilde;es e efeitos&amp;lt;\/a&amp;gt;.&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;br\/&amp;gt;&lt;\/div&gt;\"  href=\"https:\/\/poslaplicada.letras.ufrj.br\/contxt\/glossary\/atos-de-fala\/\"  data-gt-translate-attributes='[{\"attribute\":\"data-cmtooltip\", \"format\":\"html\"}]'  tabindex='0' role='link'>Atos de Fala<\/a>. No entanto, o trabalho de Rampton, Charalambous e Charalambous (2017), por exemplo, menciona que a estrat&eacute;gia &ldquo;contraterrorista&rdquo; Prevenir do governo brit&acirc;nico encoraja as crian&ccedil;as na escola a vigiar seus colegas mu&ccedil;ulmanos. Esse caso ilustra bem os dois pontos: a vida das pessoas (escala micro da intera&ccedil;&atilde;o social) &eacute; afetada por processos amplos (de escala mais macro); as pr&oacute;prias crian&ccedil;as (e suas fam&iacute;lias) adotam medidas de <a class=\"glossaryLink\" aria-describedby=\"tt\" data-cmtooltip=\"&lt;div class=glossaryItemTitle&gt;Securitiza&#xE7;&#xE3;o&lt;\/div&gt;&lt;div class=glossaryItemBody&gt;&amp;lt;!-- wp:paragraph --&amp;gt;Securitiza&#xE7;&#xE3;o &#xE9; um conceito desenvolvido na &#xE1;rea de Rela&#xE7;&#xF5;es Internacionais, mas que vem sendo foco de pesquisa sociolingu&#xED;stica, como por exemplo nos trabalhos de Rampton, Charalambous e Charalambous (2017) e Rampton, Silva e Charalambous (2022). O termo se refere ao processo em que &amp;quot;um grupo ou problema espec&#xED;fico supostamente apresenta um risco t&#xE3;o grande - uma &#x2018;amea&#xE7;a existencial&#x2019; tal - que ele precisa ser movido da arena da pol&#xED;tica ordin&#xE1;ria para a arena das medidas excepcionais&#x201D; (Rampton; Charalambous; Charalambous, 2017). Na Europa e nos Estados Unidos, principalmente, vimos crescerem as precau&#xE7;&#xF5;es com seguran&#xE7;a que se seguiram ao atentando ao World Trade Center, em 2001, como c&#xE2;meras instaladas pelas ruas de diferentes cidades, e a vilaniza&#xE7;&#xE3;o da popula&#xE7;&#xE3;o isl&#xE2;mica, no bojo da chamada Guerra ao Terror.&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:paragraph --&amp;gt;&amp;lt;!-- wp:paragraph --&amp;gt;O conceito de securitiza&#xE7;&#xE3;o em geral se refere a processos de grande escala. Uma figura estatal relevante decide por medidas de securitiza&#xE7;&#xE3;o, que ser&#xE3;o ent&#xE3;o levadas a cabo pelos aparelhos estatais, como a pol&#xED;cia e o judici&#xE1;rio, o que ali&#xE1;s aproxima a teoriza&#xE7;&#xE3;o sobre Securitiza&#xE7;&#xE3;o da Teoria dos Atos de Fala. No entanto, o trabalho de Rampton, Charalambous e Charalambous (2017), por exemplo, menciona que a estrat&#xE9;gia &amp;quot;contraterrorista&#x201D; Prevenir do governo brit&#xE2;nico encoraja as crian&#xE7;as na escola a vigiar seus colegas mu&#xE7;ulmanos. Esse caso ilustra bem os dois pontos: a vida das pessoas (escala micro da intera&#xE7;&#xE3;o social) &#xE9; afetada por processos amplos (de escala mais macro); as pr&#xF3;prias crian&#xE7;as (e suas fam&#xED;lias) adotam medidas de securitiza&#xE7;&#xE3;o para al&#xE9;m daquelas determinadas pelo governo. 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