{"id":1766,"date":"2024-03-12T14:41:01","date_gmt":"2024-03-12T17:41:01","guid":{"rendered":"https:\/\/poslaplicada.letras.ufrj.br\/contxt\/?post_type=glossary&#038;p=1766"},"modified":"2024-03-12T14:41:02","modified_gmt":"2024-03-12T17:41:02","slug":"iterabilidade","status":"publish","type":"glossary","link":"https:\/\/poslaplicada.letras.ufrj.br\/contxt\/glossary\/iterabilidade\/","title":{"rendered":"Iterabilidade"},"content":{"rendered":"<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma vis&atilde;o performativa de linguagem (isto &eacute;, uma perspectiva da linguagem como a&ccedil;&atilde;o com efeitos) implica o uso repetido de repert&oacute;rios lingu&iacute;sticos e de recursos semi&oacute;ticos, que sendo constantemente diferentes e complexos, variam de acordo com os contextos socioculturais dos falantes e de acordo com os repert&oacute;rios dispon&iacute;veis, por eles acessados. Em outras palavras, os processos constantes de (re)negocia&ccedil;&otilde;es semi&oacute;ticas envolvem o jogo da repeti&ccedil;&atilde;o e da diferen&ccedil;a. Esse jogo <a class=\"glossaryLink\"  aria-describedby=\"tt\"  data-cmtooltip=\"&lt;div class=glossaryItemTitle&gt;Performativo&lt;\/div&gt;&lt;div class=glossaryItemBody&gt;&amp;lt;!-- wp:paragraph --&amp;gt;O termo performativo alude &agrave; capacidade que a linguagem tem de performar\/desempenhar a&ccedil;&otilde;es. Este car&aacute;ter ativo do ato de fala, al&eacute;m de apontar para uma teoria da a&ccedil;&atilde;o, p&otilde;e em xeque uma concep&ccedil;&atilde;o representacional de linguagem: n&oacute;s fazemos coisas com a linguagem. Quando a empregamos, n&atilde;o nos limitamos a descrever estados de coisas ou a representar uma realidade previamente dada. O fil&oacute;sofo da linguagem, John Langshaw Austin, prop&ocirc;s a no&ccedil;&atilde;o de ato de fala peformativo, sinalizando como palavras, ao serem enunciadas, empreendem fazeres. Cita, dentre outros exemplos, o da aposta e o da formaliza&ccedil;&atilde;o de um matrim&ocirc;nio. Quando algu&eacute;m afirma: &amp;quot;eu aposto em um determinado n&uacute;mero&rdquo;, n&atilde;o est&aacute; apenas descrevendo ou constatando algo, mas sim concretizando uma aposta. O mesmo sucede quando algu&eacute;m, investido de poder para tal, celebra um casamento. Quando a frase &amp;quot;eu vos declaro unidos em matrim&ocirc;nio&rdquo; &eacute; enunciada, esta produz efeitos materiais concretos: daquele instante em diante, aquelas pessoas se tornam c&ocirc;njuges. Austin sugere que todos os atos de fala, at&eacute; aqueles que parecem descrever uma dada realidade, como &amp;quot;o c&eacute;u est&aacute; nublado&rdquo;, s&atilde;o performativos, ou seja, desempenham algum tipo de a&ccedil;&atilde;o. Ao dizer que o c&eacute;u est&aacute; nublado, por exemplo, n&atilde;o estamos somente descrevendo-o, mas afirmando algo. Desse modo, dizer sempre implica um fazer.&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:paragraph --&amp;gt;&amp;lt;!-- wp:paragraph --&amp;gt;Confira o conceito em CONTXT(O) em&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:paragraph --&amp;gt;&amp;lt;!-- wp:list --&amp;gt;&amp;lt;!-- wp:list-item --&amp;gt;&amp;lt;a href=&amp;quot;https:\/\/poslaplicada.letras.ufrj.br\/contxt\/novo\/cha-de-revelacao-viral-uma-reflexao-sobre-o-dispositivo-da-saude\/&amp;quot;&amp;gt;Ch&aacute; de revela&ccedil;&atilde;o viral: uma reflex&atilde;o sobre o dispositivo da sa&uacute;de&amp;lt;\/a&amp;gt;;&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:list-item --&amp;gt;&amp;lt;!-- wp:list-item --&amp;gt;&amp;lt;a href=&amp;quot;https:\/\/poslaplicada.letras.ufrj.br\/contxt\/novo\/dilma-rousseff-na-fogueira-midiatica\/&amp;quot;&amp;gt;Dilma Rousseff na fogueira midi&aacute;tica&amp;lt;\/a&amp;gt;;&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:list-item --&amp;gt;&amp;lt;!-- wp:list-item --&amp;gt;&amp;lt;a href=&amp;quot;https:\/\/poslaplicada.letras.ufrj.br\/contxt\/novo\/mae-ba-e-os-privilegios-da-branquitude\/&amp;quot;&amp;gt;M&atilde;e B&aacute; e os privil&eacute;gios da branquitude&amp;lt;\/a&amp;gt;.&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:list-item --&amp;gt;&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:list --&amp;gt;&lt;\/div&gt;\"  href=\"https:\/\/poslaplicada.letras.ufrj.br\/contxt\/glossary\/performativo\/\"  data-gt-translate-attributes='[{\"attribute\":\"data-cmtooltip\", \"format\":\"html\"}]'  tabindex='0' role='link'>performativo<\/a> oferece a possibilidade de uma repeti&ccedil;&atilde;o que n&atilde;o seja consolidada ou imposta como &ldquo;real&rdquo;, pois possibilita que (novas) realidades sejam criadas e que as formas lingu&iacute;sticas que usamos para produzi-las sejam intelig&iacute;veis. A a&ccedil;&atilde;o de resist&ecirc;ncia, neste caso, se situa na possibilidade de uma varia&ccedil;&atilde;o dessa repeti&ccedil;&atilde;o &ndash; e sua pot&ecirc;ncia pr&oacute;pria &ndash; a diferen&ccedil;a (como o efeito que apresenta possibilidades de a&ccedil;&atilde;o, contesta&ccedil;&atilde;o e transforma&ccedil;&atilde;o). Nessa repeti&ccedil;&atilde;o ritual&iacute;stica entre o &ldquo;real&rdquo; e o &ldquo;factual&rdquo; as rela&ccedil;&otilde;es de <a class=\"glossaryLink\"  aria-describedby=\"tt\"  data-cmtooltip=\"&lt;div class=glossaryItemTitle&gt;Poder&lt;\/div&gt;&lt;div class=glossaryItemBody&gt;&amp;lt;!-- wp:paragraph --&amp;gt;Este conceito, tratado pelo fil&oacute;sofo Michel Foucault no livro &amp;lt;em&amp;gt;Microf&iacute;sica do Poder&amp;lt;\/em&amp;gt;, entende o poder como uma rela&ccedil;&atilde;o, um exerc&iacute;cio e por isso &eacute; algo que se exerce em ambientes de maneira extremamente assim&eacute;trica. Isto &eacute;, o poder &eacute; sempre uma rela&ccedil;&atilde;o desequilibrada e est&aacute; presente em todos os microespa&ccedil;os e microrrela&ccedil;&otilde;es. Dessa forma, ningu&eacute;m det&eacute;m completamente o monop&oacute;lio do poder todo o tempo, pois para Foucault, o poder &eacute; visto como um exerc&iacute;cio que n&atilde;o est&aacute; centrado nas grandes rela&ccedil;&otilde;es como a economia, o estado ou a pol&iacute;tica, mas sim que se estabelece em microespa&ccedil;os, como, por exemplo, a fam&iacute;lia e a rela&ccedil;&atilde;o de poder entre irm&atilde;os. &Eacute; nesse sentido que Foucault tamb&eacute;m prop&otilde;e que o poder tem um papel que atua sobre os corpos, no qual n&atilde;o h&aacute; a dicotomia clara entre dominador\/dominado, pois as rela&ccedil;&otilde;es de poder n&atilde;o s&atilde;o negoci&aacute;veis. Ningu&eacute;m est&aacute; fora dessa rela&ccedil;&atilde;o, pois o poder se exerce como um feixe de rela&ccedil;&otilde;es, funciona como um tipo de rede que conecta in&uacute;meros sujeitos. Portanto, as rela&ccedil;&otilde;es de poder n&atilde;o s&atilde;o rela&ccedil;&otilde;es de repress&atilde;o, de interdi&ccedil;&atilde;o ou de defesa, mas rela&ccedil;&otilde;es de produ&ccedil;&atilde;o. Sendo assim, &amp;amp;nbsp; todo sujeito &eacute; produzido pelo poder, fabricado, ocupado, mobilizado segundo a especificidade de suas t&eacute;cnicas e instrumentos.&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:paragraph --&amp;gt;&amp;lt;!-- wp:paragraph --&amp;gt;Confira o conceito em CONTXT(O) em &amp;lt;a href=&amp;quot;https:\/\/poslaplicada.letras.ufrj.br\/contxt\/novo\/afinal-onde-tem-bicha-tem-sossego\/&amp;quot;&amp;gt;Afinal, onde tem bicha tem sossego?&amp;lt;\/a&amp;gt;&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:paragraph --&amp;gt;&lt;\/div&gt;\"  href=\"https:\/\/poslaplicada.letras.ufrj.br\/contxt\/glossary\/poder\/\"  data-gt-translate-attributes='[{\"attribute\":\"data-cmtooltip\", \"format\":\"html\"}]'  tabindex='0' role='link'>poder<\/a> e resist&ecirc;ncia escancaram o fantas&iacute;stico do &ldquo;original&rdquo;, indicando como as par&aacute;bolas do aut&ecirc;ntico e do real s&atilde;o elas pr&oacute;prias constitu&iacute;das como efeitos, sobretudo de fazer desestabilizar narrativas hegem&ocirc;nicas.&nbsp; Narrativas estas, que nada mais s&atilde;o do que processos regulados de repeti&ccedil;&atilde;o que se pretendem permanentes e imut&aacute;veis\/verdadeiros, apesar de que toda repeti&ccedil;&atilde;o traz diferen&ccedil;a em um contexto novo. Podemos, muitas vezes, observar e reconhecer um rastro hist&oacute;rico dos usos de um <a class=\"glossaryLink\"  aria-describedby=\"tt\"  data-cmtooltip=\"&lt;div class=glossaryItemTitle&gt;Signo&lt;\/div&gt;&lt;div class=glossaryItemBody&gt;&amp;lt;!-- wp:paragraph --&amp;gt;A unidade fundamental da significa&ccedil;&atilde;o. O signo aponta, ao mesmo tempo, para uma &amp;quot;coisa&rdquo; e para o significado de tal &amp;quot;coisa&rdquo;. Qualquer coisa pode ser um signo (um elemento do mundo f&iacute;sico, um pensamento, uma palavra, um som, uma imagem etc.) desde que funcione como um signo, ou seja, desde que estabele&ccedil;a a rela&ccedil;&atilde;o entre pelo menos dois dom&iacute;nios: uma &amp;quot;coisa no mundo&rdquo; e um &amp;quot;significado&rdquo;. Desse modo, o significado para o qual aponta &eacute; predominantemente circunstancial (ou indicial), pois ele &eacute; constru&iacute;do na rela&ccedil;&atilde;o que as pessoas estabelecem entre &amp;quot;coisas&rdquo; existentes e as significa&ccedil;&otilde;es poss&iacute;veis. O signo nunca possui &amp;quot;o&rdquo; significado em si, mas ele estabelece as rela&ccedil;&otilde;es de sentido entre &amp;quot;as coisas no mundo&rdquo; e outros signos, que tamb&eacute;m existem em rela&ccedil;&otilde;es semi&oacute;ticas. Entretanto, h&aacute; signos que possuem rela&ccedil;&otilde;es com certos significados que s&atilde;o altamente estabilizadas. &Eacute; o caso dos signos simb&oacute;licos (a bandeira do Brasil simboliza o pa&iacute;s Brasil, pois assim foi institu&iacute;da para ser tal s&iacute;mbolo) e dos signos ic&ocirc;nicos (Mona Lisa &eacute; um &iacute;cone da arte renascentista, pois ela representa o que h&aacute; de mais peculiar nesse per&iacute;odo art&iacute;stico). Ainda assim, mesmo esses signos, a depender da rela&ccedil;&atilde;o circunstancial em que s&atilde;o utilizados, podem indicar novas significa&ccedil;&otilde;es.&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:paragraph --&amp;gt;&amp;lt;!-- wp:paragraph --&amp;gt;Confira o conceito em CONTXT(O) em &amp;lt;a href=&amp;quot;https:\/\/poslaplicada.letras.ufrj.br\/contxt\/novo\/teseu-19\/&amp;quot;&amp;gt;Teseu-19&amp;lt;\/a&amp;gt;.&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:paragraph --&amp;gt;&lt;\/div&gt;\"  href=\"https:\/\/poslaplicada.letras.ufrj.br\/contxt\/glossary\/signo\/\"  data-gt-translate-attributes='[{\"attribute\":\"data-cmtooltip\", \"format\":\"html\"}]'  tabindex='0' role='link'>signo<\/a>, como uma frase ou slogan, por exemplo, veiculando ideologias perversas e com efeitos cru&eacute;is se passando por &ldquo;neutras&rdquo; ou &ldquo;naturais&rdquo;. Consequentemente, v&ecirc;-se uma forma de ignorar (ou tentar apagar o conhecimento constru&iacute;do de) que usos da linguagem implicam rela&ccedil;&otilde;es de <a class=\"glossaryLink\"  aria-describedby=\"tt\"  data-cmtooltip=\"&lt;div class=glossaryItemTitle&gt;Poder&lt;\/div&gt;&lt;div class=glossaryItemBody&gt;&amp;lt;!-- wp:paragraph --&amp;gt;Este conceito, tratado pelo fil&oacute;sofo Michel Foucault no livro &amp;lt;em&amp;gt;Microf&iacute;sica do Poder&amp;lt;\/em&amp;gt;, entende o poder como uma rela&ccedil;&atilde;o, um exerc&iacute;cio e por isso &eacute; algo que se exerce em ambientes de maneira extremamente assim&eacute;trica. Isto &eacute;, o poder &eacute; sempre uma rela&ccedil;&atilde;o desequilibrada e est&aacute; presente em todos os microespa&ccedil;os e microrrela&ccedil;&otilde;es. Dessa forma, ningu&eacute;m det&eacute;m completamente o monop&oacute;lio do poder todo o tempo, pois para Foucault, o poder &eacute; visto como um exerc&iacute;cio que n&atilde;o est&aacute; centrado nas grandes rela&ccedil;&otilde;es como a economia, o estado ou a pol&iacute;tica, mas sim que se estabelece em microespa&ccedil;os, como, por exemplo, a fam&iacute;lia e a rela&ccedil;&atilde;o de poder entre irm&atilde;os. &Eacute; nesse sentido que Foucault tamb&eacute;m prop&otilde;e que o poder tem um papel que atua sobre os corpos, no qual n&atilde;o h&aacute; a dicotomia clara entre dominador\/dominado, pois as rela&ccedil;&otilde;es de poder n&atilde;o s&atilde;o negoci&aacute;veis. Ningu&eacute;m est&aacute; fora dessa rela&ccedil;&atilde;o, pois o poder se exerce como um feixe de rela&ccedil;&otilde;es, funciona como um tipo de rede que conecta in&uacute;meros sujeitos. Portanto, as rela&ccedil;&otilde;es de poder n&atilde;o s&atilde;o rela&ccedil;&otilde;es de repress&atilde;o, de interdi&ccedil;&atilde;o ou de defesa, mas rela&ccedil;&otilde;es de produ&ccedil;&atilde;o. Sendo assim, &amp;amp;nbsp; todo sujeito &eacute; produzido pelo poder, fabricado, ocupado, mobilizado segundo a especificidade de suas t&eacute;cnicas e instrumentos.&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:paragraph --&amp;gt;&amp;lt;!-- wp:paragraph --&amp;gt;Confira o conceito em CONTXT(O) em &amp;lt;a href=&amp;quot;https:\/\/poslaplicada.letras.ufrj.br\/contxt\/novo\/afinal-onde-tem-bicha-tem-sossego\/&amp;quot;&amp;gt;Afinal, onde tem bicha tem sossego?&amp;lt;\/a&amp;gt;&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:paragraph --&amp;gt;&lt;\/div&gt;\"  href=\"https:\/\/poslaplicada.letras.ufrj.br\/contxt\/glossary\/poder\/\"  data-gt-translate-attributes='[{\"attribute\":\"data-cmtooltip\", \"format\":\"html\"}]'  tabindex='0' role='link'>poder<\/a> assim&eacute;tricas, cujos processos de significa&ccedil;&atilde;o envolvem sentidos indeterminados e que a diferen&ccedil;a oferece a invers&atilde;o das posi&ccedil;&otilde;es de enuncia&ccedil;&atilde;o hegem&ocirc;nicas. A par&oacute;dia ilustra bem esses processos, pois traz a diferen&ccedil;a e repeti&ccedil;&atilde;o na desestabiliza&ccedil;&atilde;o da significa&ccedil;&atilde;o com uma cr&iacute;tica humorada e o efeito <a class=\"glossaryLink\"  aria-describedby=\"tt\"  data-cmtooltip=\"&lt;div class=glossaryItemTitle&gt;Performativo&lt;\/div&gt;&lt;div class=glossaryItemBody&gt;&amp;lt;!-- wp:paragraph --&amp;gt;O termo performativo alude &agrave; capacidade que a linguagem tem de performar\/desempenhar a&ccedil;&otilde;es. Este car&aacute;ter ativo do ato de fala, al&eacute;m de apontar para uma teoria da a&ccedil;&atilde;o, p&otilde;e em xeque uma concep&ccedil;&atilde;o representacional de linguagem: n&oacute;s fazemos coisas com a linguagem. Quando a empregamos, n&atilde;o nos limitamos a descrever estados de coisas ou a representar uma realidade previamente dada. O fil&oacute;sofo da linguagem, John Langshaw Austin, prop&ocirc;s a no&ccedil;&atilde;o de ato de fala peformativo, sinalizando como palavras, ao serem enunciadas, empreendem fazeres. Cita, dentre outros exemplos, o da aposta e o da formaliza&ccedil;&atilde;o de um matrim&ocirc;nio. Quando algu&eacute;m afirma: &amp;quot;eu aposto em um determinado n&uacute;mero&rdquo;, n&atilde;o est&aacute; apenas descrevendo ou constatando algo, mas sim concretizando uma aposta. O mesmo sucede quando algu&eacute;m, investido de poder para tal, celebra um casamento. Quando a frase &amp;quot;eu vos declaro unidos em matrim&ocirc;nio&rdquo; &eacute; enunciada, esta produz efeitos materiais concretos: daquele instante em diante, aquelas pessoas se tornam c&ocirc;njuges. Austin sugere que todos os atos de fala, at&eacute; aqueles que parecem descrever uma dada realidade, como &amp;quot;o c&eacute;u est&aacute; nublado&rdquo;, s&atilde;o performativos, ou seja, desempenham algum tipo de a&ccedil;&atilde;o. Ao dizer que o c&eacute;u est&aacute; nublado, por exemplo, n&atilde;o estamos somente descrevendo-o, mas afirmando algo. Desse modo, dizer sempre implica um fazer.&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:paragraph --&amp;gt;&amp;lt;!-- wp:paragraph --&amp;gt;Confira o conceito em CONTXT(O) em&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:paragraph --&amp;gt;&amp;lt;!-- wp:list --&amp;gt;&amp;lt;!-- wp:list-item --&amp;gt;&amp;lt;a href=&amp;quot;https:\/\/poslaplicada.letras.ufrj.br\/contxt\/novo\/cha-de-revelacao-viral-uma-reflexao-sobre-o-dispositivo-da-saude\/&amp;quot;&amp;gt;Ch&aacute; de revela&ccedil;&atilde;o viral: uma reflex&atilde;o sobre o dispositivo da sa&uacute;de&amp;lt;\/a&amp;gt;;&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:list-item --&amp;gt;&amp;lt;!-- wp:list-item --&amp;gt;&amp;lt;a href=&amp;quot;https:\/\/poslaplicada.letras.ufrj.br\/contxt\/novo\/dilma-rousseff-na-fogueira-midiatica\/&amp;quot;&amp;gt;Dilma Rousseff na fogueira midi&aacute;tica&amp;lt;\/a&amp;gt;;&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:list-item --&amp;gt;&amp;lt;!-- wp:list-item --&amp;gt;&amp;lt;a href=&amp;quot;https:\/\/poslaplicada.letras.ufrj.br\/contxt\/novo\/mae-ba-e-os-privilegios-da-branquitude\/&amp;quot;&amp;gt;M&atilde;e B&aacute; e os privil&eacute;gios da branquitude&amp;lt;\/a&amp;gt;.&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:list-item --&amp;gt;&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:list --&amp;gt;&lt;\/div&gt;\"  href=\"https:\/\/poslaplicada.letras.ufrj.br\/contxt\/glossary\/performativo\/\"  data-gt-translate-attributes='[{\"attribute\":\"data-cmtooltip\", \"format\":\"html\"}]'  tabindex='0' role='link'>performativo<\/a> de desnaturalizar ou dessacralizar um enunciado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Confira o conceito em CONTXT(O) em <a href=\"https:\/\/poslaplicada.letras.ufrj.br\/contxt\/novo\/brasil-acima-de-nada-deus-nem-existe\/\">Brasil acima de nada, deus nem existe<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma vis&#xE3;o performativa de linguagem (isto &#xE9;, uma perspectiva da linguagem como a&#xE7;&#xE3;o com efeitos) implica o uso repetido de repert&#xF3;rios lingu&#xED;sticos e de recursos semi&#xF3;ticos, que sendo constantemente diferentes e complexos, variam de acordo com os contextos socioculturais dos falantes e de acordo com os repert&#xF3;rios dispon&#xED;veis, por eles acessados. 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