{"id":1698,"date":"2024-03-12T14:30:14","date_gmt":"2024-03-12T17:30:14","guid":{"rendered":"https:\/\/poslaplicada.letras.ufrj.br\/contxt\/?post_type=glossary&#038;p=1698"},"modified":"2024-03-12T14:30:15","modified_gmt":"2024-03-12T17:30:15","slug":"banalidade-do-mal","status":"publish","type":"glossary","link":"https:\/\/poslaplicada.letras.ufrj.br\/contxt\/glossary\/banalidade-do-mal\/","title":{"rendered":"Banalidade do mal"},"content":{"rendered":"<p class=\"wp-block-paragraph\">A <a class=\"glossaryLink\" aria-describedby=\"tt\" data-cmtooltip=\"&lt;div class=glossaryItemTitle&gt;Banalidade do mal&lt;\/div&gt;&lt;div class=glossaryItemBody&gt;&amp;lt;!-- wp:paragraph --&amp;gt;A banalidade do mal sugere uma impessoalidade dos atos praticados. O conceito se refere &#xE0; forma pela qual at&#xE9; mesmo as pessoas mais comuns s&#xE3;o capazes de cometer as maiores atrocidades. Como exemplo, tem-se o caso de Adolf Eichmann, discutido por Hannah Arendt, no qual vemos um dos protagonistas&amp;amp;nbsp; do holocausto justificando suas a&#xE7;&#xF5;es pela simples frase: &#x2018;&#x2019;eu estava seguindo ordens&#x2019;&#x2019;. Nesse sentido, &#xE9; poss&#xED;vel entender esse conceito como uma institucionaliza&#xE7;&#xE3;o dos atos considerados mal&#xE9;ficos, uma vez que o mal torna-se produto da burocracia mec&#xE2;nica que camufla as outras camadas que comp&#xF5;em tais atos. O mal, desse modo, n&#xE3;o tem ra&#xED;z, &#xE9; superficial. Nas palavras de Hannah Arednt, &amp;quot;o mal nunca &#xE9; &amp;quot;radical&#x201D;, &#xE9; apenas extremo e n&#xE3;o possui profundidade nem qualquer dimens&#xE3;o demon&#xED;aca. Pode crescer demais e devastar o mundo inteiro precisamente porque se espalha como um fungo na superf&#xED;cie. &#xC9; &amp;quot;desafiador do pensamento&#x201D; porque o pensamento tenta atingir alguma profundidade, ir &#xE0;s ra&#xED;zes, e no momento em que se preocupa com o mal, fica frustrado porque n&#xE3;o h&#xE1; nada. Essa &#xE9; a sua &amp;quot;banalidade&#x201D; (Arendt 2007: 471). De acordo com essa concep&#xE7;&#xE3;o, o mal teria um car&#xE1;ter performativo, opondo-se, portanto, a uma vis&#xE3;o essencialista de um mal intr&#xED;nseco ao indiv&#xED;duo.&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:paragraph --&amp;gt;&amp;lt;!-- wp:paragraph --&amp;gt;Arendt Hannah (2007). The Jewish Writings. Edited by Jerome Kohn and Ron H. Feldman. New York: Schocken Books.&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:paragraph --&amp;gt;&amp;lt;!-- wp:paragraph --&amp;gt;Confira o conceito em CONTXT(O) em &amp;lt;a href=&amp;quot;https:\/\/poslaplicada.letras.ufrj.br\/contxt\/novo\/pedagogia-pandemica-e-a-luta-de-classes-quem-pode-repensar-a-educacao\/&amp;quot;&amp;gt;Pedagogia pand&#xEA;mica e a luta de classes: quem pode (re)pensar a educa&#xE7;&#xE3;o?&amp;lt;\/a&amp;gt;.&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:paragraph --&amp;gt;&lt;\/div&gt;\" href=\"https:\/\/poslaplicada.letras.ufrj.br\/contxt\/glossary\/banalidade-do-mal\/\" data-gt-translate-attributes='[{\"attribute\":\"data-cmtooltip\", \"format\":\"html\"}]' tabindex=\"0\" role=\"link\">banalidade do mal<\/a> sugere uma impessoalidade dos atos praticados. O conceito se refere &agrave; forma pela qual at&eacute; mesmo as pessoas mais comuns s&atilde;o capazes de cometer as maiores atrocidades. 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Este car&aacute;ter ativo do ato de fala, al&eacute;m de apontar para uma teoria da a&ccedil;&atilde;o, p&otilde;e em xeque uma concep&ccedil;&atilde;o representacional de linguagem: n&oacute;s fazemos coisas com a linguagem. Quando a empregamos, n&atilde;o nos limitamos a descrever estados de coisas ou a representar uma realidade previamente dada. O fil&oacute;sofo da linguagem, John Langshaw Austin, prop&ocirc;s a no&ccedil;&atilde;o de ato de fala peformativo, sinalizando como palavras, ao serem enunciadas, empreendem fazeres. Cita, dentre outros exemplos, o da aposta e o da formaliza&ccedil;&atilde;o de um matrim&ocirc;nio. Quando algu&eacute;m afirma: &amp;quot;eu aposto em um determinado n&uacute;mero&rdquo;, n&atilde;o est&aacute; apenas descrevendo ou constatando algo, mas sim concretizando uma aposta. O mesmo sucede quando algu&eacute;m, investido de poder para tal, celebra um casamento. Quando a frase &amp;quot;eu vos declaro unidos em matrim&ocirc;nio&rdquo; &eacute; enunciada, esta produz efeitos materiais concretos: daquele instante em diante, aquelas pessoas se tornam c&ocirc;njuges. Austin sugere que todos os atos de fala, at&eacute; aqueles que parecem descrever uma dada realidade, como &amp;quot;o c&eacute;u est&aacute; nublado&rdquo;, s&atilde;o performativos, ou seja, desempenham algum tipo de a&ccedil;&atilde;o. Ao dizer que o c&eacute;u est&aacute; nublado, por exemplo, n&atilde;o estamos somente descrevendo-o, mas afirmando algo. Desse modo, dizer sempre implica um fazer.&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:paragraph --&amp;gt;&amp;lt;!-- wp:paragraph --&amp;gt;Confira o conceito em CONTXT(O) em&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:paragraph --&amp;gt;&amp;lt;!-- wp:list --&amp;gt;&amp;lt;!-- wp:list-item --&amp;gt;&amp;lt;a href=&amp;quot;https:\/\/poslaplicada.letras.ufrj.br\/contxt\/novo\/cha-de-revelacao-viral-uma-reflexao-sobre-o-dispositivo-da-saude\/&amp;quot;&amp;gt;Ch&aacute; de revela&ccedil;&atilde;o viral: uma reflex&atilde;o sobre o dispositivo da sa&uacute;de&amp;lt;\/a&amp;gt;;&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:list-item --&amp;gt;&amp;lt;!-- wp:list-item --&amp;gt;&amp;lt;a href=&amp;quot;https:\/\/poslaplicada.letras.ufrj.br\/contxt\/novo\/dilma-rousseff-na-fogueira-midiatica\/&amp;quot;&amp;gt;Dilma Rousseff na fogueira midi&aacute;tica&amp;lt;\/a&amp;gt;;&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:list-item --&amp;gt;&amp;lt;!-- wp:list-item --&amp;gt;&amp;lt;a href=&amp;quot;https:\/\/poslaplicada.letras.ufrj.br\/contxt\/novo\/mae-ba-e-os-privilegios-da-branquitude\/&amp;quot;&amp;gt;M&atilde;e B&aacute; e os privil&eacute;gios da branquitude&amp;lt;\/a&amp;gt;.&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:list-item --&amp;gt;&amp;lt;br\/&amp;gt;&amp;lt;!-- \/wp:list --&amp;gt;&lt;\/div&gt;\"  href=\"https:\/\/poslaplicada.letras.ufrj.br\/contxt\/glossary\/performativo\/\"  data-gt-translate-attributes='[{\"attribute\":\"data-cmtooltip\", \"format\":\"html\"}]'  tabindex='0' role='link'>performativo<\/a>, opondo-se, portanto, a uma vis&atilde;o essencialista de um mal intr&iacute;nseco ao indiv&iacute;duo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Arendt Hannah (2007). The Jewish Writings. Edited by Jerome Kohn and Ron H. Feldman. New York: Schocken Books.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Confira o conceito em CONTXT(O) em <a href=\"https:\/\/poslaplicada.letras.ufrj.br\/contxt\/novo\/pedagogia-pandemica-e-a-luta-de-classes-quem-pode-repensar-a-educacao\/\">Pedagogia pand&#xEA;mica e a luta de classes: quem pode (re)pensar a educa&#xE7;&#xE3;o?<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A <a class=\"glossaryLink\" aria-describedby=\"tt\" data-cmtooltip=\"&lt;div class=glossaryItemTitle&gt;Banalidade do mal&lt;\/div&gt;&lt;div class=glossaryItemBody&gt;&amp;lt;!-- wp:paragraph --&amp;gt;A banalidade do mal sugere uma impessoalidade dos atos praticados. O conceito se refere &#xE0; forma pela qual at&#xE9; mesmo as pessoas mais comuns s&#xE3;o capazes de cometer as maiores atrocidades. 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