Na tradição gramatical, o gênero é um atributo de certos grupos de palavras, especificamente substantivos, adjetivos, pronomes e artigos, que os permite ser classificados em masculino e feminino. Dessa forma, temos que parede, por exemplo, é uma palavra feminina, e muro é uma palavra masculina. Isso também significa que os substantivos “possuem” gênero, enquanto os adjetivos terão seu gênero atribuído para concordar com o substantivo. O gênero de um substantivo é identificado pelo artigo que o antecede. Se uma palavra pode vir depois do artigo “a”, ela é feminina; se vem depois de “o”, masculina. Quando se trata de palavras que se referem a seres sexuados, principalmente seres humanos, há um debate quanto à binariedade do sistema gramatical de gênero, já que, nesse caso, substantivos como aluno/a; menino/a ou ainda pronomes como “ele” e “ela” referem-se a pessoas, que podem não se identificar com os gêneros disponíveis na gramática, ou seja, masculino e feminino. Esse debate também envolve a consideração de que o gênero masculino seria mais “geral” ou “não marcado”, do que o feminino.
Para saber mais da perspectiva tradicional, veja abaixo as referências às gramáticas de Cunha e Cintra e de Evanildo Bechara. Cabe dizer que, de maneira geral, a visão de Bechara de gramática é vista como “heterodoxa” em relação à visão de Cunha e Cintra, mais alinhada à tradição. No entanto, no que tange o sistema binário de gênero, há bastante similaridade. O artigo de Rodrigo Borba, ao fim da lista, nos traz uma perspectiva que considera as identidades das pessoas, e o fator ideológico, que inevitavelmente atravessa qualquer uso linguístico.
BECHARA, Evanildo. Moderna gramática brasileira. 37ª ed. Rio de Janeiro: Nova fronteira, ISBN 978-85-209-3049-6.
CUNHA, Celso; CINTRA, Lindley. Nova gramática do português contemporâneo. 7ª ed. Rio de Janeiro: Lexicon, 2017. ISBN 978-85-8300-031-0.
BORBA, Rodrigo. Linguagem neutra. In: CORRÊA, Sonia (Coord.) Termos ambíguos do debate político atual [livro eletrônico]: pequeno dicionário que você não sabia que existia. 2ª ed. Rio de Janeiro : Associação Brasileira Interdisciplinar de Aids – ABIA, 2023. ISBN 978-65-87854-17-5.
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