dissertações

Defendidas em 2016

Total de teses defendidas: 5

Camila da Silva Chaves

Título: Autonomia como elemento de esperança e transformação social: crenças de professores sobre seu papel como educadores

Orientador(a):  Profa. Dra. Christine Siqueira Nicolaides

Páginas: 190

Resumo

A ideia de autonomia não se restringe ao plano individual, pelo contrário, engloba também o plano sociocultural, entendendo a educação como “um ato de intervenção no mundo” (FREIRE, 1996, p.109). Nesta perspectiva, o elemento esperança é essencial para se afastar da “educação como reprodução” e se aproximar de uma ideia de “educação como transformação” (VIEIRA, BARBOSA, PAIVA e FERNANDES, 2003, p. 219). A autonomia de professores, portanto, pode ser compreendida como processo de desenvolvimento de competências tanto individuais quanto sociais que terão como objetivo contínuo a promoção de mentes autodeterminadas, questionadoras e criticamente conscientes (tanto as suas como a de seus aprendizes), visando transformações sociais dentro e fora do ambiente escolar. Assim, este trabalho teve como objetivo analisar quais são as crenças de professores de uma escola pública da cidade do Rio de Janeiro sobre seu papel em sua comunidade de prática como membros autodeterminados, engajados socialmente e críticos, através de uma visão da educação como meio de desenvolver emancipação e transformação social, buscando compreender como estas crenças se relacionam com o desenvolvimento de sua autonomia. Esta é uma pesquisa qualitativa, que se enquadra em um paradigma interpretativista e se utiliza de princípios etnográficos como a triangulação de dados, a visão êmica e a reflexividade. Os dados observados foram gerados através de entrevistas, observação de conselho de classe e sessão de discussão com os professores, revelando que a autonomia de professores pode ser um elemento de esperança e transformação social. Os professores expressaram um entendimento de seu papel como educadores que remete a uma participação proativa e responsável que permite a cooperação, a interdependência e o questionamento, visando atuar de forma transformadora na sociedade. 

Palavras-chave: autonomia de professores, crenças, esperança, transformação social.

Abstract 

The idea of autonomy is not restricted to the individual range. On the contrary, it also embodies the sociocultural range, understanding education as “as act of intervention in the world” (FREIRE, 1996, p.109). Under this perspective, the element hope is essential to stand back from the “education as reproduction” and approach the idea of “education as transformation” (VIEIRA, BARBOSA, PAIVA e FERNANDES, 2003, p. 219). Teacher’s autonomy, therefore, can be understood as the process of development of individual as well as social competences which will have as a continued objective the promotion of self-determined, inquisitive, and consciously critical minds (theirs as well as their students’), aiming for social transformations inside and outside of the school environment. Therefore, the objective of this work was to analyze the beliefs of teachers in a public school in Rio de Janeiro about their roles in their community of practice as self-determined, socially and critically engaged members, through a view of education which understands it as a way of developing emancipation and social transformation, aiming at comprehending how their beliefs relate to the development of their autonomy. This is a qualitative research with an interpretivist paradigm and using some ethnographic principles as data triangulation, emic vision e reflexivity. The data observed was generated through interviews, observation of teachers meeting and discussion session with the teachers, and revealed that teacher autonomy can be an element of hope and social transformation. The teachers expresses an understanding of their role as educators which makes reference to a proactive and responsible participation that permits cooperation, interdependence and questioning, aiming at performing in a way to transform society.

Keywords: demonstrations; police brutality; violent performances; discourse; precarity of bodies in slums; war on drugs

 

Douglas Roberto Knupp Sanque

Título: A construção discursiva de performances violentas: as manifestações de junho de 2013 e a precaridade dos corpos

Orientador(a):  Prof. Dr. Luiz Paulo da Moita Lopes

Páginas: 190

Resumo

Este trabalho tem por objetivo estudar como a violência policial é construída no contexto do Rio de Janeiro, baseado na circulação de uma faixa erguida por moradores do Complexo da Maré em uma manifestação em protesto à Chacina da Maré. Apoio-me nos conceitos de precariedade e precaridade (BUTLER, 2009) e fala do crime (CALDEIRA, 2003) para criar inteligibilidade sobre a atuação policial violenta e a legitimação dessa prática por diferentes setores da sociedade. Este trabalho se baseia em uma visão de linguagem como performance (BUTLER, 1990; MOITA LOPES, 2013; PENNYCOOK, 2010, entre outros), o que significa que as verdades são construídas discursivamente no momento da enunciação. A partir da compreensão de que as
verdades sociais são construídas na performance, esse estudo está orientado por um paradigma interpretativista qualitativa de pesquisa (ERICKSON, 1984; MOITA LOPES, 1994), cujo foco é no processo de construção linguística das verdades sociais com as quais operamos. A análise é empreendida através das ferramentas teórico-analíticas de entextualização (BAUMAN; BRIGGS, 1990; FABRICIO, 2014b), indexicalidade (FABRICIO, 2013), ordem indexical (SILVERSTEIN, 2003) e ordem de indexicalidade (BLOMMAERT, 2005; FABRICIO, 2013). Os resultados indicam que há um discurso da guerra às drogas, orientador para diversas performances que legitimam execuções sumárias de populações faveladas, pobres e negras. Há, entretanto,
perspectiva de resistência, cuja principal estratégia é disputar os significados mobilizados pelo signo polícia, ou seja, disputar a ordem indexical do signo.

Palavras-chave: manifestações; violência policial; performances violentas; discurso; precaridade de corpos favelados; guerra às drogas

Abstract 

This dissertation aims to analyze how police brutality is constructed in the context of Rio de Janeiro. Based on the circulation of a sign held by people who live in Complexo da Maré in a demonstration protesting against the Maré Slaughter. It is informed by concepts of precariousness and precarity (BUTLER, 2009) and talk of crime (CALDEIRA, 2003) to create intelligibility concerning the role of police brutality and the legitimation of such practice in different sectors of society. The research is also informed upon a view of language as performance (BUTLER, 1990; MOITA LOPES, 2013; PENNYCOOK, 2010, among others), which means that social truths are constructed discursively in the moment of utterance. Based on the comprehension that
social truths are constructed in the performance, this study is oriented by a qualitative research paradigm, whose focus is on the process of linguistic construction of the social truths with which we operate. The analysis is done through the analytical tools of entextualization (BAUMAN; BRIGGS, 1990; FABRICIO, 2014b), indexicality (FABRICIO, 2013), indexical order (SILVERSTEIN, 2003) and order of indexicality (BLOMMAERT, 2005; FABRICIO, 2013). Results indicate that there is a discourse of war on drugs, based on which several performances legitimate the execution of poor black populations living in slums. There is, however, resistance, whose main strategy is to dispute the meanings mobilized by the linguistic sign “police”, in the sense that the
indexical order of the sign is disputed.

Keywords: demonstrations; police brutality; violent performances; discourse; precarity of bodies in slums; war on drugs

 

Fernanda Silva Dias de Aquino

Título: Ciência, colecionismo e poder à luz dos documentos de Johann Natterer

Orientador(a):  Prof. Dr. Luiz Barros Montez

Páginas: 109

Resumo

O presente trabalho aborda as cartas e rascunhos de cartas escritos pelo naturalista Johann Baptist Natterer durante sua participação na expedição científica austríaca no Brasil (1817-1835). Formada por uma equipe de naturalistas composta por mineralogistas, botânicos, zoólogos e diversos ajudantes, esta importante expedição acompanhou a arquiduquesa Leopoldina ao Rio de Janeiro, cidade para a qual se transferiu, após casamento com D. Pedro, e em que viveu até sua morte em 1826. A Dissertação propõe uma discussão acerca das relações entre ciência, colecionismo e poder que subjazem às cartas do naturalista, e que dialogam direta e indiretamente com a sociedade científica europeia na primeira metade do século XIX. Investiga-se aqui especificamente em que sentido o colecionismo constitui-se discursivamente como ciência à época da expedição, e como esta construção discursiva se configura nos documentos de Natterer. Com esta finalidade, o presente estudo analisa o significado do colecionismo para o conhecimento científico de então e como isso se traduzia nas relações de poder da sociedade da época. Para a análise das relações entre ciência e poder utilizamos a Teoria Tridimensional do Discurso de Norman Fairclough (2001 [1992]), que entende o discurso como uma prática social, e as reflexões sobre verdade, saber e poder de Michel Foucault (2015). Dessa maneira, a pesquisa concebe as estratégias discursivas dos documentos analisados como práticas ideológicas dentro de um contexto específico. Nos discursos de Natterer nota-se que não existe uma prática colecionista desinteressada. Evidenciamos nesta prática a busca do naturalista por prestígio e reconhecimento científicos, e mostramos como o colecionismo expressava então concretamente a relação entre ciência e poder.

Palavras-chave: Expedição científica austríaca, Johann Natterer, século XIX, discurso.

Abstract 

This paper depicts the letters and drafts of letters written by the naturalist Johann Baptist Natterer during his participation in the Austrian scientific expedition in Brazil (1817-1835). Formed by a group of naturalists comprised of mineralogists, botanists, zoologists and several helpers, this important expedition accompanied the Archduchess Leopoldina to Rio de Janeiro, a city where she came to reside soon after her marriage to D. Pedro, and where she lived until her death in 1826. The present study promotes a discussion about the relation between science, the act of collecting items and power that are seen in the naturalist‟s letters which dialogue directly and indirectly with the European scientific society in the first half of the nineteenth century. Our aim is to specifically investigate to what extent the act of collecting is discursively constituted as science at the time of the expedition, and how this discursive construction is represented in Natterer‟s documents. To this end, this study examines the importance of collecting to our current scientific knowledge and how it was expressed in the relations of power of the society of the time. To analyze the relation between science and power, we use the Three-dimensional Theory of Discourse by Norman Fairclough (2001 [1992]), who sees the speech as a social practice as well as Michel Foucault‟s (2015) reflections on truth, knowledge and power. Thus, this research conceives the discursive strategies of the analyzed documents as ideological practices within a specific context. In Natterer‟s speeches, it is possible to notice that there is no uninterested collecting practice. In this practice, we highlight the naturalist‟s pursuit of scientific prestige and recognition, besides showing how the act of collecting concretely expressed the relationship between science and power.

Keywords: Austrian Scientific Expedition, Johann Natterer, nineteenth century discourse.

 

Simone Fernandes do Nascimento Domingos

Título: A construção da capacidade de leitura em língua materna em um curso no FACEBOOK para graduando em Letras/Simone

Orientador(a):  Profa. Dra. Paula Tatianne Carréra Szundy

Páginas: 150

Resumo

Histórias sobre vinganças têm sido recorrentes em diversas culturas ao longo da História. Existe um elemento comum a elas que possivelmente explica essa longevidade: a incapacidade da sociedade representada na obra de aplicar suas leis e fazer justiça, isto é, de compensar de alguma forma o mal sofrido por personagens da trama. Diante dessa falha, o vingador toma para si o poder de retaliação normalmente reservado às autoridades (em quaisquer formas que assumam no contexto da história) e retribui o dano causado; com isso, o leitor ou espectador se regozija ao ver que a justiça pode ser feita mesmo quando cerceada por um sistema corrupto ou inepto, uma espécie de catarse que, em vez de purgar os sentimentos de piedade e terror do público, purga a raiva e o ressentimento. A partir de discussões de filósofos, juristas e cientistas políticos diversos sobre violência e poder, a força das leis, legitimidade e o direito de punir, esta pesquisa construiu o conceito do fundamento místico da vingança e usou-o para realizar uma análise crítica dos discursos de vingança em três histórias com uma ancestralidade em comum, mas oriundas de diferentes contextos socioculturais: a narrativa sobre Amleth (parte da obra dinamarquesa do começo do séc. XIII Gesta Danorum, de Saxo o Gramático), a
narrativa sobre Hamblet (parte da obra francesa da segunda metade do séc. XVI Histoires tragiques, de François de Belleforest) e a tragédia elisabetana do começo do séc. XVII Hamlet, de William Shakespeare.

Palavras-chave: Literatura nórdica medieval, discursos de vingança, Hamlet.

Abstract 

Revenge stories have been recurring in various cultures throughout History. There is a common element to them which possibly explains such longevity: the inability of the society portrayed in the work in enforcing its laws and dispensing justice, that is, to somehow compensate for wrongs suffered by characters in the plot. In light of such failure, the avenger takes upon themselves the power of retaliation usually reserved to the authorities (in whatever form they may assume in the context of the story) and requites the damage caused; thus, the reader or spectator is delighted to see justice can be done even when curtailed by a corrupt or inept system, a form of catharsis which, instead of purging the audience’s feelings of pity and fear, purges anger and resentment. Based on discussions by various philosophers, jurists and political scientists regarding violence and power, the strength of the law, legitimacy and the right to punish, this research constructed the concept of the mystical foundation of vengeance and used it to perform a critical analysis of the vengeance discourses in three stories with a common
ancestry, but originating from different sociocultural contexts: Amleth’s narrative (a part of the Danish work from the beginning of the 13 th century Gesta Danorum, by Saxo Grammaticus), Hamblet’s narrative (a part of the French work from the late 16th century Histoires tragiques, by François de Belleforest), and the Elizabethan tragedy from the beginning of the 17th century Hamlet, by William Shakespeare.

Keywords: Medieval Norse literature, vengeance discourses, Hamlet.

 

Tiago Quintana

Título: “incitado à vingança pelo céu e pelo inferno”: um estudo dos discursos de vingança nas histórias de Amleth, Hamblet e Hamlet

Orientador(a):  Prof. Dr. Roberto Ferreira da Rocha

Páginas: 131

Resumo

Histórias sobre vinganças têm sido recorrentes em diversas culturas ao longo da História. Existe um elemento comum a elas que possivelmente explica essa longevidade: a incapacidade da sociedade representada na obra de aplicar suas leis e fazer justiça, isto é, de compensar de alguma forma o mal sofrido por personagens da trama. Diante dessa falha, o vingador toma para si o poder de retaliação normalmente reservado às autoridades (em quaisquer formas que assumam no contexto da história) e retribui o dano causado; com isso, o leitor ou espectador se regozija ao ver que a justiça pode ser feita mesmo quando cerceada por um sistema corrupto ou inepto, uma espécie de catarse que, em vez de purgar os sentimentos de piedade e terror do público, purga a raiva e o ressentimento. A partir de discussões de filósofos, juristas e cientistas políticos diversos sobre violência e poder, a força das leis, legitimidade e o direito de punir, esta pesquisa construiu o conceito do fundamento místico da vingança e usou-o para realizar uma análise crítica dos discursos de vingança em três histórias com uma ancestralidade em comum, mas oriundas de diferentes contextos socioculturais: a narrativa sobre Amleth (parte da obra dinamarquesa do começo do séc. XIII Gesta Danorum, de Saxo o Gramático), a
narrativa sobre Hamblet (parte da obra francesa da segunda metade do séc. XVI Histoires tragiques, de François de Belleforest) e a tragédia elisabetana do começo do séc. XVII Hamlet, de William Shakespeare.

Palavras-chave: Literatura nórdica medieval, discursos de vingança, Hamlet.

Abstract 

Revenge stories have been recurring in various cultures throughout History. There is a common element to them which possibly explains such longevity: the inability of the society portrayed in the work in enforcing its laws and dispensing justice, that is, to somehow compensate for wrongs suffered by characters in the plot. In light of such failure, the avenger takes upon themselves the power of retaliation usually reserved to the authorities (in whatever form they may assume in the context of the story) and requites the damage caused; thus, the reader or spectator is delighted to see justice can be done even when curtailed by a corrupt or inept system, a form of catharsis which, instead of purging the audience’s feelings of pity and fear, purges anger and resentment. Based on discussions by various philosophers, jurists and political scientists regarding violence and power, the strength of the law, legitimacy and the right to punish, this research constructed the concept of the mystical foundation of vengeance and used it to perform a critical analysis of the vengeance discourses in three stories with a common
ancestry, but originating from different sociocultural contexts: Amleth’s narrative (a part of the Danish work from the beginning of the 13 th century Gesta Danorum, by Saxo Grammaticus), Hamblet’s narrative (a part of the French work from the late 16th century Histoires tragiques, by François de Belleforest), and the Elizabethan tragedy from the beginning of the 17th century Hamlet, by William Shakespeare.

Keywords: Medieval Norse literature, vengeance discourses, Hamlet.